Morreu na noite desta quarta-feira (13) o ator, diretor, escritor e produtor cultural Paulo de Paula, um dos nomes mais importantes da história das artes cênicas no Espírito Santo. Ele morreu às 18h52, após ficar internado por dois dias em um hospital em Vitória.
Segundo a neta, Carmen Judithsk, Paulo de Paula passou por uma cirurgia para desobstrução do intestino, comprimido por uma hérnia. Após o procedimento, apresentou agravamento de complicações respiratórias que já enfrentava anteriormente.
“Ele fez uma cirurgia para desobstrução do intestino que tinha sido apertado por uma hérnia. Depois da cirurgia, ele ficou internado e as complicações respiratórias que ele já tinha ficaram mais intensas. Ele esteve lúcido e bem-humorado sempre. Os médicos fizeram tudo para ele não ter desconforto”, relatou a neta.
Até o momento, a família ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento.
A trajetória de Paulo de Paula se confunde com a própria história do teatro produzido no Espírito Santo nas últimas décadas. Em 1974, ele fundou o Grupo Teatro da Barra, na Barra do Jucu, em Vila Velha, espaço que se tornou referência para artistas, pesquisadores e amantes das artes cênicas.
O grupo ultrapassou a função de companhia teatral e se consolidou como um importante centro cultural. O acervo reunido ao longo dos anos, com registros históricos, documentos e materiais de pesquisa, é considerado uma das principais fontes sobre a memória do teatro capixaba.
Além da atuação artística, Paulo também teve papel importante na organização da classe cultural. Foi secretário da Confederação Nacional de Teatro e da Federação Capixaba de Teatro, participando ativamente da estruturação da cena artística no estado.
Em 2013, recebeu a Comenda Rubem Braga, homenagem concedida pelo Governo do Estado a personalidades que contribuíram para a cultura capixaba.
Capixabas homenageiam Paulo de Paula
O jornalista e escritor José Roberto Santos Neves destacou a importância histórica e humana do artista.
“A história de vida de Paulo de Paula se relaciona com o teatro produzido no Espírito Santo no século XX e no nosso tempo. Ator, diretor, escritor, articulador cultural, ele viveu para as artes cênicas e formou gerações de atores à frente do Grupo Teatro da Barra. Pessoalmente era um ser humano doce, gentil, um gentleman. Paulo de Paula deixa um legado indelével para todos aqueles que amam a cultura capixaba”, afirmou.
O jornalista, cineasta, ator e diretor Luiz Tadeu Teixeira também relembrou a convivência e os trabalhos realizados ao lado de Paulo de Paula.
“Fizemos muitos trabalhos juntos. Ele foi um dos fundadores do Teatro da Barra. Paulo tem uma trajetória maravilhosa, foi adido cultural do Brasil em Washington. Nossos primeiros trabalhos juntos foram no Teatro da Barra. Já dirigi ele, fizemos longas temporadas no Teatro Carlos Gomes, trabalhamos em filmes juntos. Ele foi um agitador cultural”, disse.
Luiz Tadeu também destacou características pessoais do amigo e colega de profissão. “Era uma pessoa incrível, calma, carinhosa e muito educada”, completou.
Nas redes sociais e entre artistas capixabas, a morte de Paulo de Paula gerou homenagens e relatos emocionados sobre sua contribuição para a cultura do estado. A neta do artista, Carmen Judithsk, que também é atriz, relembrou a dimensão afetiva e artística deixada por ele.
“Paulo De Paula, adido cultural, ator, professor, diretor de teatro... vovô Paulo. Como tantas outras pessoas, fui inspirada por sua arte e seu senso de humor. Durante décadas, Paulo foi responsável pela agitação cultural teatral capixaba, de Tchekhov a Vinícius, passando pela homenagem a Anchieta e o clássico auto de natal da Barra do Jucu. Saudades imensas!”, escreveu.