Por trás dos holofotes, dos palcos lotados e das milhões de reproduções nas plataformas, existem histórias que começaram dentro de casa, muitas vezes no colo de uma mãe. HZ foi conhecer quem são as mulheres que ajudaram a moldar artistas capixabas que hoje estão brilhando no cenário nacional e trazendo orgulho não só para as mamães, mas para todo o Espírito Santo.
Entre medos, incentivos, despedidas e orgulho, as mães do ator Chay Suede e da cantora Budah revelam o lado mais íntimo da fama: a construção humana por trás do sucesso.
Herica Godoy: a mãe que viu o talento nascer dentro de casa
Para Herica Godoy, mãe de Chay, a maternidade sempre foi mais do que um papel: era um sonho antigo. “Quando eu era criança e me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu respondia: quero ser mãe”, relembra. Hoje, além de doceira e jornalista, ela olha para a própria trajetória entendendo os filhos como seu principal legado.
O ator, nascido Roobertchay, cresceu cercado pela música dentro de casa, mas o talento artístico aparecia de formas ainda mais espontâneas. Herica conta que o filho tinha o dom de transformar qualquer história simples em um verdadeiro espetáculo para a família. “Ele dramatizava tudo de um jeito tão vibrante que era impossível não querer ouvir”, lembra. O ator já existia ali, antes mesmo de todos perceberem.
A virada para a fama nacional, no entanto, trouxe também medo e insegurança. Conservadora na época, segundo suas próprias palavras, Herica admite que teve dificuldade para lidar com a rapidez com que tudo aconteceu. O momento mais marcante foi quando o filho, aos 18 anos, contou que se mudaria para o Rio de Janeiro para atuar em novelas.
Tive uma crise de choro tão intensa que meu gerente me liberou para ir para casa. Eu não estava preparada pra ter meu menino morando em outro estado, virando artista do dia pra noite
Com o passar dos anos, o susto deu lugar ao orgulho. Mais do que acompanhar o sucesso profissional do filho, Herica se emociona ao perceber o reconhecimento pela forma como ele trata as pessoas.
“O que mais me orgulha é ouvir elogios sobre quem ele é, sobre a educação, o cuidado e a atenção que tem com todos”, afirma. Hoje, a relação entre os dois é marcada por amizade, sinceridade e encontros familiares que continuam sendo prioridade, mesmo com a rotina intensa do ator.
Entre karaokês e correria: a história da mãe de Budah
Em Vila Velha, outra mãe acompanha de perto o crescimento de uma artista capixaba que conquistou o Brasil. Maria Aparecida de Souza, mais conhecida como Cida, mãe de Budah, viu a música surgir naturalmente dentro de casa, entre karaokês, cantorias no quarto e a rotina corrida de quem conciliava trabalho e maternidade.
Ex-vendedora, ela criou as duas filhas praticamente ao mesmo tempo e lembra dos desafios com leveza. “Foi tudo muito corrido, mas sempre feito com muito amor”, resume.
Desde cedo, Budah demonstrava que a arte fazia parte da sua essência. “Ela cantava no quarto, no banheiro… isso já veio no sangue”, conta Cida. Diferente do receio comum em muitas famílias, ela garante que nunca tratou o sonho da filha como algo passageiro.
O apoio veio desde o começo, principalmente porque a dedicação de Brenda, nome de batismo da artista, sempre foi evidente dentro e fora de casa. Hoje, vendo a filha se consolidar como um dos principais nomes do rap nacional, Cida ainda tenta dimensionar o tamanho da conquista.
Às vezes parece surreal. É orgulho demais ver uma pessoa que batalhou tanto chegar onde chegou
Mesmo morando em São Paulo, Budah mantém a rotina de ligações diárias e faz questão de preservar os momentos em família. Entre eles, um segue intocável: o karaokê em casa, tradição que atravessou os anos e permanece mesmo depois da fama.
As histórias de Herica e Cida se encontram justamente nesse ponto em comum: o desafio de criar filhos para o mundo sem perder o vínculo que começou dentro de casa. Entre despedidas, saudade e adaptação, elas aprenderam que o sucesso profissional pode até mudar a rotina, mas não altera aquilo que veio antes dele.
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