Conciliar maternidade e carreira nunca foi uma tarefa simples. Ao longo da minha trajetória, especialmente em posições de liderança, percebi que esse equilíbrio não se constrói a partir de fórmulas prontas, mas de escolhas diárias, muitas vezes desafiadoras.
Ser mãe amplia o olhar, traz novas prioridades e, ao mesmo tempo, exige resiliência para seguir ocupando espaços que ainda são, em grande parte, marcados por estruturas tradicionais.
No ambiente corporativo, a presença feminina em cargos de decisão tem avançado, mas ainda carrega barreiras importantes. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mulheres continuam sub-representadas em posições de liderança em todo o mundo, o que evidencia que a jornada vai além da qualificação técnica.
Para aquelas que também são mães, o desafio se intensifica, porque envolve, além da entrega profissional, a gestão emocional e a responsabilidade com o desenvolvimento dos filhos.
A maternidade, por outro lado, também desenvolve competências essenciais para a liderança. A capacidade de escuta, a empatia, a tomada de decisão em cenários complexos e a habilidade de lidar com o imprevisto são fortalecidas no dia a dia com os filhos.
Esses aprendizados se refletem diretamente na forma como conduzimos equipes, projetos e relações de trabalho. Liderar passa a ser, também, um exercício mais humano e atento às pessoas.
Na prática, manter esse equilíbrio passa por organização, planejamento e, principalmente, presença. Procuro estruturar minha rotina de forma que o tempo com meus filhos seja protegido, com momentos dedicados exclusivamente à convivência, mesmo diante de uma agenda exigente.
Isso envolve definir prioridades, contar com uma rede de apoio e, quando necessário, ajustar o ritmo. Mais do que o tempo em si, valorizo a qualidade desses momentos, que são fundamentais para fortalecer vínculos e acompanhar de perto cada fase do desenvolvimento deles.
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Dentro das organizações, é fundamental que esse tema seja tratado com seriedade. Políticas de apoio à maternidade, ambientes mais flexíveis e uma cultura que valorize o equilíbrio entre vida pessoal e profissional são caminhos possíveis para ampliar a participação feminina em posições estratégicas.
Não se trata de concessão, mas de reconhecer que diversidade e inclusão geram resultados mais consistentes e sustentáveis.
Ao olhar para meu próprio caminho, vejo que não existe separação entre a mulher, a mãe e a líder. Esses papéis se complementam e se fortalecem. Os desafios existem, e são reais, mas também são acompanhados de aprendizados que moldam uma liderança mais sensível, consciente e conectada com o propósito de cuidar de pessoas, dentro e fora das organizações.