O uso da inteligência artificial (IA) na indústria tem avançado para além da automação de processos administrativos. No Espírito Santo, uma startup desenvolveu um sistema que combina drones autônomos, visão computacional e modelos de IA para monitorar pátios industriais, medir estoques, identificar danos em estruturas e fazer inspeções sem a necessidade de equipes percorrendo grandes áreas.
Em seu primeiro ano como expositora na Mec Show, Feira da Inovação Industrial, realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, a empresa chamou atenção pela inovação apresentada pela ferramenta.
A trajetória da drop.AI começou longe da indústria. A empresa nasceu desenvolvendo soluções com drones para o agronegócio, voltadas principalmente para a pulverização agrícola. A mudança de rumo ocorreu quando uma demanda apresentada por uma indústria revelou um problema que poderia ser resolvido com a mesma tecnologia: o controle de estoques em grandes pátios.
Quando fomos fazer essa análise técnica, identificamos outra dor da indústria, que era justamente o controle dos estoques. Fomos automatizando o processo e evoluímos
Vitor Guimarães, analista de dados
A partir daí, a empresa passou a investir em soluções de aerofotogrametria e inteligência artificial voltadas ao ambiente industrial, já adicionando empresas como ArcelorMittal, Vale e Samarco no portfólio de clientes.
Uma das primeiras aplicações desenvolvidas foi a medição volumétrica de pilhas de matérias-primas. O processo funciona com drones que sobrevoam os pátios industriais, capturando centenas de fotografias em alta resolução.
Posteriormente, as imagens são unificadas em um modelo tridimensional que permite calcular o volume do material armazenado. Com base na densidade do produto, o sistema estima a quantidade em metros cúbicos e toneladas.
Segundo a empresa, antes da adoção da tecnologia, algumas medições podiam levar até 15 dias para serem entregues. No início do desenvolvimento da solução, o processamento ainda consumia cerca de oito horas. Com a evolução da automação, esse tempo foi reduzido e novas funcionalidades passaram a ser incorporadas ao sistema.
Em vez de utilizar um único modelo de IA para todas as operações, a drop.AI desenvolve algoritmos específicos para cada necessidade apresentada pelos clientes.
Cada aplicação exige um treinamento diferente da inteligência artificial, de acordo com o problema que será resolvido.
Entre as soluções já desenvolvidas estão:
identificação automática de rasgos em wind fences (barreiras corta-vento)
, estruturas utilizadas para conter a dispersão de partículas de carvão;
leitura de códigos em bobinas de aço para localização automática dos materiais;
identificação de oxidação e outras avarias em bobinas;
inspeção de linhas férreas;
monitoramento volumétrico de estoques.
No caso das "wind fences”, os drones percorrem toda a extensão da estrutura, enquanto a IA identifica rasgos e outros danos que poderiam comprometer o controle ambiental dos pátios de carvão.
Já no monitoramento de bobinas, a tecnologia foi criada após a empresa identificar um processo manual que mobilizava dezenas de funcionários.
Os drones permanecem instalados nas próprias plantas, realizando missões programadas de inspeção. Após cada voo, retornam automaticamente à base para recarga antes de iniciar uma nova operação.