A reforma da Previdência, cujo texto final foi aprovado em segundo turno no Senado na na manhã desta quarta-feira (23), vai modificar não só a aposentadoria dos brasileiros, mas deve interferir também no quadro de funcionários das empresas. Isso porque, com a criação de uma idade mínima para aposentadoria - de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens - os profissionais vão ter que permanecer por mais tempo no mercado de trabalho. O texto concluiu sua tramitação no Senado e agora será promulgado até o dia 19 de novembro, e, então, já passará a valer.
Com a idade mínima sendo um pré-requisito para a aposentadoria, a tendência é que o número de trabalhadores acima de 60 anos em atividade aumente. Segundo a especialista em carreiras Gisélia Freitas, este cenário vai refletir diretamente na composição do quadro de funcionários das empresas, criando um encontro de gerações.
"Como os profissionais estão entrando cada vez mais novos no mercado, e pessoas mais velhas permanecendo, vai acontecer de ter até quatro gerações trabalhando em uma mesma empresa. Apesar de ser um desafio, é preciso ver isso como algo enriquecedor, que vai trazer diversidade, produtividade e unir a inovação do jovem com a experiência do mais velho", disse.
Para evitar um "choque de realidade", expressão utilizada pelo diretor executivo da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Espírito Santo (ABRN), Sidcley da Silva, para descrever esse encontro de gerações, as empresas vão ter que incorporar essas mudanças como parte do planejamento estratégico. Segundo Silva, uma reorganização e adaptação de funções deve fazer parte deste cenário.
"É preciso pensar como a força de trabalho das pessoas com mais idade será aproveitada para contribuir com a empresa. Talvez aquele profissional mais velho não seja tão inovador ou não tenha mais tanta agilidade, mas ele tem experiência e conhecimento e pode trabalhar como uma espécie de mentor para quem está chegando"
Gisélia destaca que ao mesmo tempo que a reforma vai demandar a permanência de pessoas mais velhas no mercado, ela também exigirá que estes profissionais se atualizem constantemente para se manter.
"O profissional mais velho vai precisar mostrar o seu valor. Ele tem um repertório que dificilmente a nova geração vai ter, mas ele vai precisar mais do que isso para permanecer no mercado, até porque os custos com profissionais mais velhos são mais altos. Esse novo cenário requer que eles se inovem, interajam com a nova tecnologia e sejam menos resistentes a mudanças", comentou.