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Mercado financeiro

Onda de IPOs: ações de estreantes na Bolsa são oportunidades ao investidor

O mês de fevereiro vem sendo de muitos nomes novos na B3, com 11 empresas nacionais abrindo capital ao mercado até esta sexta-feira (12). Entenda como investir e os cuidados a se tomar
Siumara Gonçalves

Publicado em 

12 fev 2021 às 02:00

Publicado em 12 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Mercado financeiro, b3, bolsa de valores
Lançamento de novas ações invade a Bolsa brasileira Crédito: Gerd Altmann/Pixabay
O mês de fevereiro vem sendo de muitos nomes novos na B3. Isso vem ocorrendo porque várias empresas brasileiras estão estreando na Bolsa de Valores brasileira, fazendo a chamada Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês).
Desde o início do mês até esta sexta-feira (12), são 11 negócios nacionais abrindo o seu capital ao mercado com ofertas que já ultrapassam R$ 11 bilhões. Até o dia 1º de março, outras cinco empresas farão IPOs. Ao longo de 2020, para se ter uma ideia, foram 27 negócios abrindo o capital na Bolsa, o que já tinha sido um recorde.
Para especialistas do mercado financeiro ouvidos por A Gazeta, essa onda de IPOs é uma grande oportunidade para os investidores. No entanto, alertam que antes de comprar ações dessas empresas estreantes é preciso ter em mente as oportunidades e riscos de cada oferta para que o negócio não dê errado. 
O IPO é uma oferta pública de ações, ou seja, é o momento em que uma empresa abre seu capital e o mercado compra suas ações. Segundo o especialista em planejamento financeiro da Meu Patrimônio, Renan Lima, a companhia pode ofertar suas ações de duas formas: primária ou secundária.
Na oferta primária, a empresa emitirá e vendará novas ações ao mercado e esse recurso gerado na negociação vai para o caixa da empresa. Já na secundária, quem vende as ações é o acionista do negócio. Dessa forma, o dinheiro vai para empresário, já que ele está vendendo uma parte do seu patrimônio como pessoa física. "Em geral, os IPOs são mistos, mas o quanto vai ser primário ou secundário é caso a caso", explica.
O head da mesa de renda variável da Valor Investimentos, Vitor dos Santos Souza, complementa que para uma empresa fazer o IPO ela precisa passar por mudanças internas, tanto de governança quanto para se adaptar ao modelo do mercado. Ele ainda aponta que este é um tipo de investimento para se fazer com cautela. "Olhando para o lado do investidor tem dois pontos: não necessariamente é sempre bom, mas é sim uma oportunidade investir nelas".
Ainda de acordo Vitor, existem dois tipos de investidores, aqueles que compram as ações no primeiro dia e logo vendem, e os compram no IPO e investem por mais tempo.
"Alguns investidores entram na oferta como trader e olham mais o fluxo de mercado, ou seja, quanto as pessoas querem investir naquela empresa, já com o objetivo de vender no primeiro dia as ações compradas. Dessa forma observam se o negócio vale a pena. Já o que acompanha a empresa, quer virar acionista a médio ou longo prazo. Ele olha a estrutura da empresa, o setor em que ela está inserida e quais as estratégias de crescimento que ela aponta"
Vitor dos Santos Souza - Head da mesa de renda variável da Valor Investimentos
Data: 27/12/2019 - B3 Bolsa de Valores de Sâo Paulo
Sede da B3, a Bolsa de Valores do Brasil: onda de IPOs em 2021 anima mercado Crédito: B3/Divulgação
Por serem empresas novas no mercado, elas ainda não têm muitas informações públicas, como os históricos de lucro. Por isso, o investidor precisa ficar atento ao prospecto. É esse relatório que vai trazer, por exemplo, quais são os riscos do negócio, como aponta Renan Lima:
"O prospecto é um livro de apresentação do negócio. Todo o investidor deveria lê-lo, mas ele tem 600 páginas e as pessoas desanimam. Talvez as informações mais relevantes contidas nele são os riscos da oferta, que são os riscos relacionados aos negócios e as questões estratégicas e financeira. Essa é a principal fonte de informação para o investidor"
Renan Lima - Especialista em planejamento financeiro da Meu Patrimônio
Outra forma de obter informações sobre a empresa é por meio das casas de análises que fazem relatórios. "Elas são independentes. Ou seja, não são pagas pelas empresas que vão fazer o IPO para gerarem aqueles relatórios. Quem ganha dinheiro com a oferta, além da empresa que acessa o capital, são as corretoras que fazem a distribuição desses papéis. Se você vê o potencial de valorização da empresa está bom, pode comprar as ações, assim como faria no mercado tradicional de renda variável", explica Renan.
Renan alerta ainda que é importante tomar outros cuidados antes de investir em um IPO. Dentre eles estão: não concentrar todo o seu patrimônio naquele investimento, diversificar o portfólio e definir o quanto de risco você pretende correr.

COMO INVESTIR NAS NOVAS EMPRESAS DA B3

Quando uma empresa faz o IPO, ela inda não está no home broker, sistema que permite o investidor negociar ações. Toda corretora tem um ambiente de reserva para IPO, onde o investidor pode escolher qual nova empresa e quanto deseja aplicar nela. As ações dessas companhias ficam acessíveis a todos, a menos que o IPO inicial seja uma oferta especial para investidores qualificados.
Para comprar as ações dessas empresas é preciso colocar o valor que você está disposto a pagar por cada ação, como explica Vitor. "O investidor precisará acessar o portal da corretora em que tem conta, ir ao portal do cliente e, na parte da oferta, fazer a solicitação de reserva. Ele não reserva a quantidade de ações que quer comprar, mas sim o volume financeiro. Quando a empresa vem ao mercado não se sabe a quanto os papéis vão sair, há uma previsão, mas também está muito relacionado a quanto os investidores estão dispostos a pagar", comenta.

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