O PicPay, banco digital fundado no Espírito Santo, registrou lucro de R$ 283 milhões no segundo trimestre deste ano (abril, maio e junho), R$ 38 milhões acima da previsão feita pela própria companhia. A empresa teve alta de 67% em comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2025, o valor mais do que dobrou, registrando aumento de 135%.
No total, a fintech chegou à marca de 70,4 milhões de clientes e receita líquida de R$ 4,1 bilhões. A previsão era de R$ 3,6 bilhões.
Um dos principais motores do crescimento no segundo trimestre foi a expansão da carteira de crédito, que envolve empréstimos pessoais e financiamentos, entre outras modalidades. O saldo chegou a R$ 31,9 bilhões no fim de junho, alta de 99% em relação ao mesmo período de 2025 e de 14% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.
O CEO da empresa, Eduardo Chedid, afirmou que os resultados refletem o trabalho feito pela empresa, já imaginando o cenário para 2027, com um mercado de trabalho forte e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) perto de 1,5%.
Acreditamos que qualquer acomodação vai ser progressiva, não abrupta. Obviamente estamos fazendo tudo de maneira muito cautelosa.
Eduardo Chedid, CEO do PicPay
A receita média por cliente ativo (ARPAC) atingiu R$ 92, crescimento de 52% em relação ao ano passado. A expansão do crédito, porém, veio acompanhada de aumento da inadimplência. O índice chegou a 9,8% no segundo trimestre, ante 8,9% nos primeiros três meses do ano. Enquanto isso, os atrasos de curto prazo (15 a 90 dias) ficaram em 7,5%.
O vice-presidente financeiro, André Cazotto, comentou que o aumento da inadimplência é natural de períodos anteriores e dos efeitos sazonais, em linha com os fundamentos de crédito e retorno ajustado pelo risco, focando na aceleração do crescimento.
Não vemos nenhum sinal de deterioração da qualidade da carteira. Pelo contrário, os créditos em estágio 3, que são os mais estressados, finalizaram o segundo trimestre praticamente estáveis em 12,9%.
André Cazotto, vice-presidente financeiro do PicPay
Segundo ele, a tendência é que, ao longo do tempo, a inadimplência convirja para um patamar parecido com o do crédito em estágio 3.
Em junho, o PicPay foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de descontos indevidos nos salários de servidores do Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 90 milhões em bens e valores do PicPay e de uma associação investigada no caso.
Na ocasião, a instituição afirmou que não compactua com irregularidades e que colaboraria com as autoridades.