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Mercado de trabalho

Safra do café faz o ES ter maior contratação de carteira assinada em três anos

Colheita do café respondeu pela maior parte das vagas criadas no Estado. Agropecuária concentrou mais de 9 mil das 9.532 vagas formais abertas em maio, enquanto os demais setores tiveram desempenho mais moderado

Publicado em 01 de Julho de 2026 às 14:48

João Guimarães

Publicado em 

01 jul 2026 às 14:48
Saldo positivo de empregos garante ao ES o melhor maio dos últimos três anos. Marcelo Casal | Agência Brasil

O Espírito Santo, impulsionado pela agropecuária, garantiu o melhor desempenho para a geração de empregos formais desde maio de 2023. O Estado encerrou o quinto mês do ano de 2026 com um saldo positivo de 9.532 vagas de carteira assinada, resultado da diferença entre 58.688 admissões e 49.156 desligamentos, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na última terça-feira (1).


As análises mostram que o bom desempenho do mercado de trabalho capixaba esteve concentrado no campo. Sozinha, a agropecuária respondeu por 9.183 vagas, praticamente todo o saldo registrado no Estado durante o mês. O resultado foi impulsionado pela cafeicultura, responsável pela abertura de 6.527 postos de trabalho, reflexo do período de colheita, uma das etapas que mais demandam mão de obra na principal cadeia produtiva do agronegócio capixaba.


Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado era esperado para esta época do ano e reflete a sazonalidade da produção cafeeira. “Maio é um período muito importante para a cafeicultura capixaba e isso aumenta a necessidade de contratação de trabalhadores, principalmente nas regiões produtoras”, explica.


Além do café, o cultivo de pimenta-do-reino também contribuiu para o desempenho do setor, com 541 novas vagas, reforçando a importância das culturas agrícolas para a geração de empregos no interior do Estado. Municípios como Sooretama, Jaguaré e Linhares, que têm forte ligação com a produção agrícola, também se destacaram no período em função da intensificação das atividades no campo.


Enquanto a agropecuária sustentou o crescimento do mercado de trabalho, os demais setores apresentaram desempenho mais moderado. O setor de serviços criou 614 empregos formais em maio, seguido pelo comércio, com saldo positivo de 68 vagas. Já a indústria registrou o fechamento líquido de 161 postos de trabalho, enquanto a construção encerrou o mês com saldo negativo de 172 vagas.


Apesar da forte influência da safra do café, André Spalenza destaca que o desempenho de maio não ocorreu de forma isolada. Segundo ele, o Espírito Santo já vinha apresentando resultados positivos no mercado de trabalho antes mesmo do início da colheita.

O Espírito Santo já vinha com um mercado de trabalho bem positivo. Por exemplo, até abril, o Estado acumulava mais de 16 mil vagas. Então, são resultados favoráveis em diferentes setores

André Spalenz Coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES

Além do saldo positivo de vagas, maio registrou uma variação relativa mensal de 26,72%, indicando um ritmo expressivo de crescimento do emprego formal no período. 


Os dados do Caged também mostram que a maior parte das vagas foi ocupada por trabalhadores com menor nível de escolaridade. Pessoas com ensino fundamental incompleto responderam por 4.369 empregos, seguidas por profissionais com ensino médio completo, que ocuparam 2.979 vagas. Também houve saldo positivo entre trabalhadores com ensino fundamental completo (1.404 vagas) e ensino superior completo (229 vagas).


Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade na geração de empregos, mas em um ritmo moderado. A tendência é que o número de contratações na agropecuária diminua com o avanço da colheita, enquanto setores como serviços, comércio e turismo ganhem protagonismo ao longo do segundo semestre.


“Para os próximos meses, tem uma expectativa de que isso diminua, muito devido à sazonalidade. Mas, no segundo semestre, a gente também tem alguns outros fatores, por exemplo, o turismo, que geralmente aumenta. O segundo semestre é marcado por uma quantidade maior de datas comemorativas”, conclui Spalenza.

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