Ao menos quatro grupos, entre estrangeiros e nacionais, estão de olho no projeto da EF 118 — estrada de ferro que vai ligar o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, também chamada de Anel Ferroviário do Sudeste.
O edital para o leilão da ferrovia está previsto para sair até julho, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro. Atualmente está em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os grupos apontados como interessados em participar das licitações estariam o espanhol Acciona, o chinês Power China e um consórcio nacional formado por 4UM e Opportunity. A Acciona, por exemplo, já atua no Espírito Santo, tendo sido vencedora do leilão realizado no ano passado para coleta e tratamento de esgoto em um contrato que abrange oito cidades no Espírito Santo.
“Dadas as características, este vetor de infraestrutura de transportes será capaz de viabilizar projetos como a autossuficiência em fertilizantes do país e uma nova leva de projetos industriais a serem desenvolvidos no polo Boa Ventura/Comperj, no complexo do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, no Porto Central, em Presidente Kennedy, e no da Imetame, no ES”, avaliou o ministro, em publicação em rede social.
Procurada para comentar a o interesse, a Acciona informou que está constantemente analisando oportunidades no setor de infraestrutura que estejam alinhadas à estratégia de negócios e de gerar impacto positivo para a sociedade.
“O mercado brasileiro apresenta ativos relevantes e a Acciona está preparada para trazer toda a sua expertise global para contribuir com o crescimento do País”, afirmou.
As demais empresas foram procuradas, mas não deram retorno.
A ferrovia
Estratégica para a consolidação de um novo eixo ferroviário no Sudeste, a EF 118 conectará o Porto do Açu (RJ) ao Espírito Santo, com potencial de integração à malha ferroviária existente e articulação com outros complexos portuários da região, como os portos de Ubu, em Anchieta, e Central, em Presidente Kennedy, no Sul capixaba. E também à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
Estruturada para receber investimentos de R$ 6,6 bilhões na fase de implantação, a ferrovia terá custos operacionais estimados em R$ 3,61 bilhões ao longo do período de concessão, ainda segundo o ministério. A previsão é ter aportes cruzados de R$ 4,1 bilhões provenientes do pagamento de outorga de outras concessões.
O projeto terá capacidade para transportar até 24 milhões de toneladas por ano, contemplando diferentes tipos de carga — geral, granéis líquidos, granéis sólidos agrícolas e minérios.