Dados errados do mercado de trabalho formal inflaram a criação de empregos no Brasil e no Espírito Santo no ano de 2020. As informações do Ministério do Trabalho afirmavam que o o Estado havia aberto 6.812 postos de trabalho no ano passado, mas, uma revisão divulgada no final de novembro de 2021, mostrou que, na verdade, foram geradas 2.521 vagas, ou seja, mais de 4 mil contratações nunca existiram. No país, o equívoco foi referente a 50 mil vagas.
De acordo com o novo dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no primeiro ano de pandemia foram registrados no Espírito Santo 308.817 contratações, ou seja, mais de oito mil contratações a mais do que a informação anterior.
Também foram registradas 306.296 demissões. Anteriormente haviam sido divulgadas 293.226 demissões, uma diferença de mais de 13 mil vínculos. Isso significa que, durante o ano, essas demissões deixaram de ser computadas.
Na ocasião da divulgação do dado atualizado, o governo federal informou que a diferença nos números se deve à incorporação de informações enviadas fora do prazo pelas empresas. Isso porque elas podem atualizar os dados até 12 meses após a data da movimentação.
EMPRESAS “HIBERNARAM”
Em abril deste ano, como A Gazeta mostrou, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) já revelava indícios de que o grande saldo positivo de emprego tivesse sido provocado por uma subnotificação nas demissões.
O pesquisador Daniel Duque mostrou que teve uma queda no número de empresas que reportam dados para a pesquisa a partir de abril de 2020. Esse já era um indicativo de que essas empresas fecharam ou "hibernaram", mas não declararam as demissões ao governo.
MUDANÇA DE METODOLOGIA
Outro ponto relativo ao Caged diz respeito à mudança de metodologia que aconteceu no início de 2020. Como explicou a economista Danielle Nascimento, os dados passaram a ser coletados automaticamente por meio do e-Social e não mais em um formulário separado que as empresas precisavam responder mensalmente.
Com isso, alguns grupos de trabalhadores que antes não apareciam nas estatísticas passaram a figurar. Um exemplo são os trabalhadores temporários, que não entravam na conta anterior porque a regra não obrigava as empresas a declará-los. “Ninguém foi lá e encheu a base de dados. Mas estamos agora olhando para um banco de dados que abrange mais gente”, esclareceu.