Em expansão no Espírito Santo, uma marca de sorvetes capixaba está intensificando sua aposta em um mercado bilionário e muitas vezes invisível ao consumidor final: a terceirização de marcas.
Com a criação da ICream, um braço de negócios focado exclusivamente em produzir para terceiros, o Grupo Lamoia – dono de marcas como Luigi e Paletitas – projeta movimentar cerca de R$ 40 milhões até 2030 apenas com esse modelo de operação.
Para sustentar esse crescimento, o grupo de Piúma, no Sul do Estado, está construindo uma nova unidade fabril que elevará sua infraestrutura de 9 mil para 43 mil metros quadrados.
Esse investimento permitirá triplicar a capacidade de produção, saltando dos atuais 11 milhões de picolés para 25 milhões, e de 4,5 mil toneladas de sorvete e açaí para 10 mil toneladas anuais, operando em apenas um turno.
Segundo o diretor-presidente e fundador do grupo, Wanderson Lamoia, a expansão inclui a aquisição de equipamentos de ponta para oferecer inovação, agilidade e eficiência aos parceiros que desejam se destacar no mercado de sobremesas. O grupo já é detentor de marcas próprias conhecidas, como Luigi, Paletitas, Natuca e Natuzon Açaí.
“Começamos a ser demandados por outras marcas do segmento de sobremesas geladas ou por empresas parceiras dessas marcas, tanto negócios menores quanto grandes players. Assim nasceu a ICream, um braço do nosso negócio focado na terceirização”, afirma o diretor-presidente.
Segundo Wanderson Lamoia, há várias parcerias firmadas e negócios em andamento, mas uma das características do modelo é a confidencialidade. “Em geral, não se pode divulgar as marcas como uma forma de preservar a relação de cada empresa com seu público”, diz.
Nosso diferencial é que combinamos tecnologia, inovação, criatividade e expertise para criar sobremesas diferenciadas e disponibilizá-las para outras marcas que desejam, assim como nós, se destacar no mercado de sobremesas geladas
Wanderson Lamoia Diretor-presidente do Grupo Lamoia
O movimento do Grupo Lamoia reflete uma tendência global. Estima-se que o mercado de terceirização movimente cerca de US$ 700 bilhões no mundo, encontrando no Brasil um terreno fértil. Atualmente, a chance de um produto em uma gôndola de supermercado não ter sido fabricado pela marca estampada no rótulo é superior a 50%.
No modelo adotado pela ICream, a confidencialidade é uma regra de ouro para preservar a relação das marcas contratantes com seu público. "A marca que assina o produto detém a inteligência, o marketing e a distribuição, enquanto a indústria parceira entra com a fábrica, as certificações e o controle de qualidade", explica Lamoia.
Na indústria de sobremesa geladas, o boom dos gelatos, o aumento dos produtos relacionados à saúde e ao bem-estar – como as versões sem açúcar, sem lactose ou proteicos – e a sofisticação da produção com camadas, recheios, texturas e sabores inovadores elevam a demanda pela terceirização.
“Há uma série de questões peculiares ao nosso setor que favorecem esse movimento. Somos um negócio que tem relação com clima, temperatura e sazonalidade, registrando aumentos de demanda nem sempre passíveis de serem absorvidos por todas as empresas. Há cada vez mais sofisticação nos processos produtivos, exigindo inovação e equipamentos de ponta. A demanda por novos sabores e adaptações também exige investimento em pesquisa e desenvolvimento, além do enorme desafio logístico que é transportar sobremesas geladas em um país tropical de dimensões territoriais tão expressivas”, aponta Wanderson Lamoia.