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Publicado em 19 de novembro de 2022 às 12:52
Gostoso, barato e fácil de achar. Em bairros de classe média alta de Vitória, alguns pontos de venda de comida têm caído no gosto dos moradores. São empreendedores ambulantes que têm ganhado espaço e conquistado clientes por dois fatores: qualidade e preço acessível.>
Não é difícil ver filas cada vez maiores nesses locais, que vendem de opções de café da manhã a marmitas de almoço. Numa rápida volta pela Capital, a reportagem encontrou vendedores de comida à preços populares em bairros como Santa Helena, Jardim da Penha e Enseada do Suá.>
Para esses empreendedores, estar ali têm um importante valor social. É o que pensa, por exemplo, a Josivalda Ferreira dos Santos, que há 12 anos estaciona sua bicicleta na frente ao Palácio do Café, na Enseada do Suá, e vende opções para café da manhã.>
Motivada pelo desejo de estar mais presente na vida dos quatro filhos, a microempreendedora trabalha de segunda a sexta, de 6h30 às 8h40. Entre os produtos, põe à venda bolos, pães, achocolatado, pizza e salgados, mas o carro-chefe é o café. >
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Às 8h20, próximo do horário de encerramento de suas atividades, as três garrafas de dois litros de café que ela leva diariamente já estão vazias. Josivalda explica que a maioria dos clientes é funcionário dos prédios e estabelecimentos das redondezas. Ela conta que tem uma boa saída de vendas.>
Josivalda Ferreira dos Santos
MicroempreendedoraNa maior parte das vezes, a venda é rápida — alguns saltam do ônibus no ponto que fica logo ao lado e compram o café que ela vende a um real para viagem. O preço mais em conta rendeu à Josivalda clientes fiéis.>
"Tem gente que já trabalhou por aqui, foi para outro lugar e vem de carro, passa, para, compra, depois segue viagem de novo. Tem um pessoal que todo dia está aqui sentado de manhã, toma café, bate-papo. Virou um ponto de encontro. A gente fez até um grupo de amigos já no WhatsApp, a gente conversa, brinca".>
Foi neste ponto que ela conseguiu conquistar a flexibilidade de trabalhar com uma renda extra e participar da criação dos filhos. Mas, para ela, estar ali representa mais do que só empreender.>
O trabalho, inclusive, a ajudou a lidar com a morte do marido, há três anos. "Quando eu perdi meu esposo, foi isso aqui que me ajudou. Foi vir pra cá, essas amizades que a gente fez, o bate-papo, as meninas que entravam em contato comigo. Isso me ajudou muito. Foi a melhor experiência que eu tive”, disse.>
O principal, para Josivalda, é o impacto dela naquele local para o público que ela atende. Nas padarias próximas, o café custa R$ 3,50. "O pessoal chega aqui de manhã e sabe que vai encontrar um café com preço mais acessível. E não é só questão de preço, é a qualidade. Todo mundo gosta também das coisas que eu faço. Isso é muito bom. Aqui, eu me sinto útil”, completa.>
Patrique Ferreira de Souza também decidiu empreender nas ruas, mas no ramo de almoço. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, está há quatro anos em Vitória e vende marmitas de churrasco numa rua do bairro Santa Helena por R$ 10.>
Ele trabalha de segunda a sexta, assim como Josivalda, mas no horário de 10h às 13h40 ou até durar o estoque. Patrique relata já ter tido dias em que o movimento foi tanto que as marmitas acabaram meio-dia.>
O crescimento do negócio foi tão rápido que ele já tem seis funcionários e há dois meses abriu uma filial em Jardim da Penha para a venda de marmitas de arroz, macarrão e filé de frango grelhado. Até o final de 2023, Patrique pretende ter 10 pontos instalados e uma equipe de 25 pessoas.>
Patrique Ferreira de Souza
EmpreendedorComo começou a empreender em março de 2021, com as pessoas retornando do isolamento social, o preço em conta foi um fator importante para conquistar o público. “Muita gente já com a situação financeira mais puxada, com a necessidade de fazer uma economia no seu ciclo financeiro mensal, viu a oportunidade de almoçar de forma mais em conta”, afirmou.>
Quem confirma o que Patrique diz são Eduardo e Regino Souza, dois dos clientes fiéis do empreendedor. Eles começaram a consumir as marmitas no ano passado, quando trabalhavam na região. >
Desde então, continuam vindo, de segunda a sexta, para garantir o almoço no ponto de venda pelo preço e pela qualidade. "Nos outros lugares é tudo mais caro, então a gente fica sempre por aqui e depois volta para o serviço", afirma Regino.>
* Beatriz Heleodoro é aluna do 25º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Este conteúdo teve a supervisão dos editores Mikaella Campos e Geraldo Campos Jr.>
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