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Efeitos da pandemia

Com espera por carro zero, veículo usado fica em falta nas lojas do ES

Como as montadoras paralisaram suas produções por causa da Covid-19, comprar um carro novo ficou mais difícil. A saída tem sido apostar nos seminovos, que também já começam a sumir das lojas diante da demanda alta

Publicado em 04 de Dezembro de 2020 às 05:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 dez 2020 às 05:00
Revenda de veículos usados em Vitória
Revenda de veículos usados em Vitória Crédito: Vitor Jubini
É comum entre os brasileiros aproveitar o final do ano para trocar de carro.  Mas, em 2020, essa tarefa pode não ser tão fácil. Diante dos reflexos da pandemia do coronavírus na fabricação de veículos novos ao longo do ano, o preço do carro zero disparou e o estoque foi comprometido, o que tem formado longas filas de espera por alguns modelos. Diante dessa dificuldade, também já começam a faltar seminovos no mercado.
O problema é que mais consumidores passaram a optar pelos modelos usados, o que fez as vendas nas concessionárias de seminovos no Espírito Santo subirem de forma acelerada. Com a demanda alta de um lado e a oferta baixa por outro, já que o consumidor tende a vender o seu carro usado apenas quando vai comprar um novo,  os revendedores têm ficado sem estoque de seminovos.
A previsão é de que a situação se normalize apenas em fevereiro de 2021, de acordo com o presidente da Associação de Revendedores Independentes do Espírito Santo (Arives), Paulo Souza.
“Com as fábricas paradas por cerca de três meses, ficou um vácuo na produção, motivando uma demanda reprimida de seminovos. Se o cliente não compra um novo, também não vende o usado dele, provocando essa escassez. Mesmo assim, as vendas estão surpreendendo. Acredito que essa alta no consumo se deve, também, ao fato de que as pessoas estão com medo do Covid-19 e não querem mais andar de Uber ou de ônibus, por exemplo”, destaca.
A inflação e a taxa de juros baixas também têm motivado a procura por carros seminovos. Segundo o presidente da associação, a falta de mercadoria também provocou ainda uma alta nos preços dos usados.
“A Arives está orientando os lojistas a anunciarem a compra e venda valorizando o carro do cliente, ou seja, pagando um valor um pouco maior por ele, algo em torno de 5% a mais do que pagaria uma concessionária. Anteriormente, essa divulgação ocorria somente para comercializar o produto”, resume.
O proprietário da Nélio Automóveis, Márcio Meneghin, avalia que a loja poderia estar vendendo mais, caso o mercado de usados não estivesse tão escasso.
“Estamos sem mercadoria para vender, mas apesar disso, as vendas aquecidas. O mercado capixaba trabalha com 60% de seu estoque. Por conta da falta de automóveis, alguns comerciantes estão indo para outros Estados para conseguir o que vender”, ressalta.
Já o proprietário da Bahiense Motors, João Louzada Moreira Neto, ressalta que os revendedores estão pagando um preço alto para manter o estoque. Em novembro, esse aumento foi de 1,2%.
“Com a procura alta, a tendência é aumento de preço. Antes da crise, usávamos a tabela FIP apenas  como parâmetro, e hoje precisamos pagar o preço cheio. Com isso, conseguimos manter estoque”, afirma.
O diretor executivo do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives), José Francisco Costa, destaca que aos poucos o mercado de veículos está se normalizando.
Conforme o executivo, as concessionárias vendem de 6 a 7 mil carros novos por mês, em média, mas chegou a vender até 19 mil antes no início da década. “Com a volta da confiança, o ambiente se torna positivo para os negócios. Acreditamos fechar o ano com um saldo positivo”.

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