O calorão dos últimos dias deixou os termômetros nas alturas no Espírito Santo, tanto que Vitória registrou recorde de calor do ano, chegando a 35,5ºC, e foi a capital brasileira mais quente na última terça-feira (1º). Mas tem capixaba passando frio. Uma família de Aracruz, no Norte do Estado, enfrentou uma das maiores nevascas da história dos Estados Unidos na última semana.
Desde 2019, Fábio Alencar de Souza mora em Revere, cidade litorânea a cerca de 10 minutos de Boston, no estado de Massachusetts, com a esposa Olívia e a filha Ana Júlia, de 12 anos. Por mais de um dia, a família capixaba ficou presa dentro de casa devido ao acúmulo de neve, que chegou a cerca de 60 centímetros nas ruas.
"Desde o início da semana já sabíamos, por meio das previsões do tempo, que teríamos uma tempestade bem forte. A previsão se confirmou. A neve começou a cair por volta de 23 horas da última sexta-feira (28) e foi até as 22h de sábado (29). A nevasca que caiu foi a maior que eu vi nesses quase três anos de América"
Essa não foi somente uma das maiores nevascas que a família já viu durante o tempo de permanência no país: a tempestade foi uma das maiores já enfrentadas pelos norte-americanos. A região onde o capixaba vive foi uma das mais atingidas pela combinação de muita neve, temperaturas negativas e ventos de mais de 100 km/h.
Com múltiplos alertas, Nova Iorque e Boston foram as cidades mais afetadas pela tempestade, segundo o Serviço Meteorológico Nacional (NWS, na sigla em inglês). Em Nova Iorque, a temperatura de -10ºC, o vento forte e a nevasca levaram a prefeitura a decretar estado de emergência, e a mesma decisão foi tomada pela prefeita de Boston, Michelle Wu.
"Vai ficar muito feio. Será uma tempestade histórica", afirmou Wu em entrevista coletiva. "Essa tempestade parece que pode entrar para o livro dos recordes", acrescentou. Entre as medidas de precaução anunciadas, a prefeita pediu que a população ficasse em casa.
O capixaba ainda tentou arriscar, mas, em uma nevasca, a neve é acompanhada de rajadas de vento, criando uma visibilidade quase nula. “Tentei sair de casa e ir a um supermercado que fica a menos de 300 metros da minha casa e me arrependi na metade do caminho, já que a visibilidade era quase zero", relatou.
O jeito foi ficar em casa até a neve derreter. “No sábado (29), acabei ficando em casa e sem trabalhar devido a isso. No domingo (30), passei a manhã limpando a frente da casa onde moro”, afirmou.
A família tinha um comércio quando morava em Aracruz, mas decidiu se desfazer do negócio e recomeçar a vida em outro país. Atualmente, o capixaba trabalha como motorista, fazendo entregas na região de Boston, mas o clima dificulta a vida na profissão.
“Os dias de neve são dias de transtornos no trânsito, pois ocorrem muitas batidas leves. O trânsito fica lento e as ruas têm possibilidade de atolamento de carros na neve. Quem trabalha com delivery sofre. Mas também tem um lado positivo, que são as gorjetas dadas pelos solicitantes desses serviços. Geralmente, o americano reconhece a dificuldade e fica mais generoso”, afirma.
Apesar dos transtornos causados pela nevasca, o capixaba reconhece a beleza proporcionada pela neve.
"A neve é realmente um incômodo na vida do trabalhador aqui, porém, é muito lindo quando cai e deixa paisagens deslumbrantes!"