Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Covid-19

Veja o que alega a prefeitura para acabar com o passaporte da vacina em Vitória

Lei sancionada pelo prefeito Lorenzo Pazolini elimina a exigência do documento. Procuradoria-Geral do Estado e Ministério Público analisam a medida

Publicado em 10 de Março de 2022 às 17:22

Aline Nunes

Publicado em 

10 mar 2022 às 17:22
Passaporte da vacina: aplicativo Conecte SUS permite o o controle da vacinação contra a Covid-19 na palma da mão
Passaporte da vacina: aplicativo Conecte SUS permite o controle da vacinação contra a Covid-19 na palma da mão Crédito: Ministério da Saúde/Divulgação

Atualização

10/03/2022 - 6:34
Após a publicação desta matéria, o prefeito Lorenzo Pazolini concedeu entrevista. O texto foi atualizado. 
Para sancionar a lei que acaba com a exigência do passaporte de vacinação contra a Covid-19 em Vitória, a prefeitura municipal usou, entre outros argumentos, a tese de que uma portaria – documento que o governo do Estado adotou para exigir o comprovante de imunização em bares, restaurantes e academias – não tem força de legislação.  
"Ato administrativo (portaria) editado pelo Estado do Espírito Santo não tem o condão de impor qualquer dever aos cidadãos", aponta o município, em um dos trechos do parecer para suspender a cobrança do passaporte.
Outra justificativa utilizada foi uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada a uma lei em vigor em Uberlândia, Minas Gerais, com o mesmo enfoque que a de Vitória. Em análise liminar, o ministro Luís Roberto Barroso não reconheceu a inconstitucionalidade da legislação mineira, como havia sido questionada em uma ação. 
Assim, ressalta o prefeito Lorenzo Pazolini, baseado na decisão do STF, até o momento a lei em Vitória é constitucional e esse é, segundo ele, o principal argumento jurídico. 
Além disso, uma declaração recorrente do secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, de que o passaporte é um estímulo à vacinação, também serviu como sustentação para a sanção da lei municipal. No parecer da prefeitura, foi citada reportagem de A Gazeta, da última segunda-feira (7), que trata sobre a perspectiva do próprio governo do Estado de flexibilização e liberação de grandes eventos a partir de abril de 2022, e na qual é feita a defesa do passaporte. 
Pazolini argumenta que Vitória já extrapolou a estimativa populacional, alcançado 107,85% dos moradores imunizados, e que o cenário epidemiológico da Covid-19 na Capital também tem demonstrado melhoras sucessivas, com diminuição da taxa de incidência de casos graves e óbitos.
"Toda política pública tem que ter objetivo e justificativa. A justificativa é o estímulo à vacinação, mas, em Vitória, o próprio governo indica que temos mais de 107% vacinados. Então, quem será estimulado a se vacinar aqui?", questiona. 
O prefeito frisa que o passaporte vacinal foi importante em determinado momento em Vitória, justamente como estímulo à vacinação, mas precisava passar por uma reanálise porque perdeu seu objetivo, considerando que a população já foi plenamente alcançada com a imunização. 
"Em Vitória, essa é a realidade. Mas são 78 municípios e é preciso reavaliar a realidade local, a necessidade ou não de cada município. A decisão não pode ser generalizada, sob risco de prejudicar os comerciantes. A orientação não pode ser única para todo o Estado", pondera Pazolini. 
O parecer da prefeitura apresenta os argumentos, porém não traz uma orientação efetiva aos comerciantes. Diante de duas normas, uma do município e outra do Estado, como deveriam proceder. Pazolini afirma que os comerciantes têm que cumprir a lei, ou seja, não precisam cobrar passaporte. 
O prefeito destaca ainda que Vitória preza pela ciência e a vacinação, e que as decisões são tomadas baseadas nos indicadores da Covid-19 no município e por orientação técnica. Tanto que, questionado sobre a liberação do uso de máscaras na Capital, Pazolini diz que esse assunto não está sendo discutido. Apenas o passaporte está liberado, mas os demais protocolos devem permanecer na cidade. 

AÇÃO

Procurado para falar sobre a decisão da Prefeitura de Vitória, o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, explica que não cabe à sua pasta adotar alguma medida, mas afirmou que órgãos de controle vão fazer uma análise sobre o caso.
Porém, diante da sanção da lei municipal, o secretário voltou a fazer considerações sobre a importância do passaporte como instrumento para estimular a vacinação.
Veja o que alega a prefeitura para acabar com o passaporte da vacina em Vitória
Nésio Fernandes avalia que o documento foi contaminado por posições ideológicas, totalmente desproporcionais, e que "não houve na história recente do país outra campanha tão grande para fragilização da confiança da população nas autoridades sanitárias, na ciência e no sistema de saúde". Muito pior, segundo ele, por ser em um momento de grande crise sanitária.
O secretário argumenta que quem se posiciona contra o passaporte se baseia em teses de grupos antivacina, e ele lembra que o documento nada mais é que o cartão de vacinação que as pessoas já estão acostumadas a apresentar para uma viagem internacional, para matricular o filho na escola e para alguns processos seletivos públicos e privados.
“O que salta nos celulares das pessoas, nas redes sociais, é uma campanha orquestrada que vem prejudicando a capacidade de o Estado fazer a boa política, de cuidar da população. Pedir o cartão da vacina para algumas atividades é uma necessidade em um contexto de imunização complexa, de múltiplas doses, diversos fabricantes, contra uma doença nova que já matou mais de 14 mil capixabas e 600 mil brasileiros. É preciso muita coesão e responsabilidade de quem é autoridade pública para evitar a contaminação do debate e tomar as medidas necessárias.”
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foram procurados para informar se podem adotar algum procedimento relacionado à decisão da Prefeitura de Vitória, mas ambos os órgãos disseram que vão analisar a lei municipal antes de se manifestar. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Enem 2026: 7 dicas essenciais para conquistar nota mil na redação
Penha Lins comprando produtos para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo Fifa
Quanto custa torcer pelo Brasil na Copa? Preço de itens varia até 166% no ES
Mulher em tratamento de leucemia
Como identificar a leucemia? Entenda os principais sinais de alerta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados