Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Justiça trabalhista

TST diz que greve dos Correios não é abusiva e determina compensação dos dias parados

Tribunal determinou o retorno imediato ao trabalho nesta sexta-feira (25)

Publicado em 24 de Setembro de 2026 às 19:16

Agência Folha Press

Publicado em 

24 set 2026 às 19:16
Agência dos Correios: plano de saúde é o principal impasse dos trabalhadores Divulgação

SÃO PAULO, SP - O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que a greve dos Correios não é abusiva e determinou o retorno imediato ao trabalho nesta sexta-feira (25). A decisão foi tomada em julgamento na tarde desta quinta (24), na Seção de Dissídios Coletivos.


Os ministros julgavam o pedido de dissídio coletivo ajuizado pela entidade após os empregados iniciarem paralisação em 10 de setembro. O principal impasse é o plano de saúde da categoria. O tribunal chegou a conceder liminar determinando 80% do funcionamento, o que não foi cumprido.


A ministra relatora Maria de Nazaré Medeiros Rocha votou pela confirmação da data-base da categoria em 1º de agosto de 2026, pela não abusividade do movimento grevista e autorizou a compensação dos dias parados.


Os Correios pediam a abusividade da greve e multa de R$ 100 mil para as entidades representativas dos profissionais. "Declaro a não abusividade do movimento grevista e já nesta linha declarar a compensação dos dias parados", disse o ministro presidente do TST ao fim do julgamento.


O julgamento havia começado na segunda (21), mas como os Correios apresentaram novos documentos e novo pedido, o ministro presidente do TST e da seção de dissídios, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, decidiu adiar para esta quinta.


Na ocasião, Maria de Nazaré leu seu relatório e negou pedidos feitos pela entidade representativa dos trabalhadores que não tinham correspondência com a proposta da empresa e citou, entre eles, o vale-cultura e adicional de complexidade -bônus para funcionários que exercem funções de liderança.


A abusividade da greve foi o ponto de debate naquele dia. A ministra Maria Cristina Peduzzi divergiu da relatora. Para ela, apesar de ter ocorrido negociação prévia antes da paralisação, os funcionários desrespeitaram a decisão liminar da corte que os obrigava a manter efetivo de 80%.


Peduzzi narrou, então, manifestações que bloquearam o acesso a agências. "Flagrante descumprimento a decisão da presidência", disse. A relatora defendeu sua proposta.

"Eu voto pela declaração da não abusividade da greve e, portanto, indefiro a multa de R$ 100 mil", disse Maria de Nazaré na sessão desta quinta, reforçando mais uma vez seu posicionamento.


A ministra listou uma série de pedidos feitos pelos trabalhadores com igualdade entre homens e mulheres, respeito à cor e raça, direitos a mulheres, a mães, licença-maternidade, não a racismo e assédio, e outros pontos ligados à saúde e segurança do trabalho, e deu aval a essas solicitações.


Na sessão de segunda, o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho propôs que a greve fosse suspensa, considerando que a decisão já está com a Justiça. Vieira de Mello Filho, porém, negou o pedido. "Eu não tenho condição de pedir aos sindicatos que suspendam ou não", disse Mello Filho.


De acordo com liderança sindical ouvida pela reportagem, a tendência é que a greve seja mantida.


O TST deverá analisar a legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores dos Correios. O principal ponto de divergência nas negociações é o plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.


Houve ainda discordância sobre como será o desconto da contribuição assistencial. O ministro Ives Gandra pedia que houvesse ampla forma de discordar do pagamento, mas a ministra relatora afirmou que o tema não está pacificado, pois a forma ainda será julgada no TST e no STF (Supremo Tribunal Federal).


O presidente do TST, ministro Vireira de Mello, interferiu para defender o ponto da vista da ministra Maria de Nazaré, que, para ele, teria detalhado de forma correta em seu voto e relatório, pois não há como determinar a forma de oposição ao pagamento da contribuição, já que o tema ainda deverá ser definido pela Justiça.


A discordância era se se manteria o termo filiados e não filiados podem divergir da contribuição. E assim permaneceu, porque já havia sido definido em convenção anterior.

A ministra Maria Cristina manteve o voto divergente. Ela entende que houve abusividade e votou por pagamento de multa de desconto dos dias parados.

Abusividade da greve

Além da ministra Maria Cristina, o ministro Ives Gandra votou pela abusividade e por aplicar multa, mas decidiu que os trabalhadores devem compensar os dias parados. Com isso, Maria Cristina mudou a posição e pediu que se compensasse os dias, mas seguiu com o posicionamento de abuso.


O ministro Caputo Bastos votou pela abusividade e pela compensação. O ministro Maurício Godinho e o ministro José Roberto Freire Pimenta votaram com a relatora, porque consideraram que não houve abuso, já que houve questões pontuais relativas ao não cumprimento da liminar.


"A greve é a resistência que o trabalhador pode fazer para sensibilizar a empresa", disse o ministro Alexandre Agra, ao votar com o mesmo posicionamento da relatora.


O presidente do TST também não reconheceu a abusividade da greve. "Um ou outro interdito não quer dizer que houve o bloqueio efetivo", disse ele sobre protestos em agências. "Isso não quer dizer que descumpriram a decisão que proferi."

Veja também 

Agência do Correios na Avenida Jerônimo Monteiro, Glória, Vila Velha

Correios fecham duas agências no ES durante plano de reestruturação; veja quais

Agência dos Correios

Correios formalizam pedido de novo empréstimo de R$ 7 bi com quatro bancos

Imagem de destaque

Correios prevê fechar mil agências e 15 mil demissões voluntárias

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As duas animações que marcaram gerações de fãs dos mutantes finalmente vão se encontrar
X-Men dos anos 90 e “Evolution” vão se enfrentar em nova HQ da Marvel
Imagem de destaque
Motorista atinge trailer, quase bate em viatura da polícia e é preso em Vitória
Colher de Pau - Coffee & Cake Week 2026
Festival movimenta Vitória com cafeterias, shows de rock e atrações infantis

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados