Familiares do menino Kauã, de 6 anos, que foi morto junto com o irmão, Joaquim, de 3 anos, em um crime atribuído pela polícia ao pastor Georgeval Alves Gonçalves, em abril de 2018, no município de Linhares, Norte do Estado, fizeram um protesto em frente ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em Vitória, na manhã desta quarta-feira (15). Eles reclamam da demora do TJES na resolução do processo contra Georgeval.
Os familiares carregavam faixas e cartazes pedindo Justiça pela morte dos meninos e que o julgamento seja acelerado. Uma das faixas carregadas pelo grupo pede que Georgeval, que era padrasto de Kauã e pai de Joaquim, seja condenado pelos crimes aos quais ele responde.
Família protesta e pede Justiça por Kauã e Joaquim
Bastante emocionada, a avó paterna de Kauã, Marlúcia Butkovsky, afirmou que o caso, que chocou todo o país por conta da brutalidade, não pode ser esquecido. Ela disse que Georgeval não pode passar impune e classificou o crime como uma "monstruosidade".
"Nós estamos aqui fazendo uma pequena manifestação para não deixar cair no esquecimento. Já vai fazer quatro anos que tudo aconteceu, aquela monstruosidade que ele fez. Meu pedido é julgamento, porque, sem julgamento, ele não é condenado. Ele fez tudo aquilo com dois inocentes, ele não pode passar impune", contou.
Marlúcia também ressaltou que o julgamento de Georgeval e a resolução do caso deixou de ser apenas pelo caso dos meninos, mas como uma forma de trazer Justiça a todas as crianças vítimas de violência. Ela reiterou que quer que o caso seja concluído o mais rápido possível e criticou a demora para o julgamento dos recursos.
"Cada recurso demora seis meses e aí é difícil. A gente quer ver o resultado disso tudo. Não é mais só por Kauã e Joaquim, hoje é por toda criança. Estamos vendo muitas crianças sendo machucadas, mortas e não dá para deixar isso cair no esquecimento", pontuou.
Demandado pela reportagem de A Gazeta, o TJES informou que o caso tramita em segredo de Justiça e que, por isso, não pode passar informações.
RELEMBRE O CASO
O crime aconteceu no dia 21 de abril de 2018, na residência onde a família morava no Centro de Linhares, Região Norte do Estado. As crianças morreram após, segundo a polícia, terem sido abusadas sexualmente e queimadas vivas. Elas estavam em casa, com o pastor. A mãe, Juliana Sales, estava em Minas Gerais, com o filho mais novo do casal.
Sete dias após o crime, Georgeval foi preso, ainda durante o inquérito policial. Ele permanece no Centro de Detenção Provisória de Viana 2, na Grande Vitória. Em maio do ano passado, o juiz André Bijos Dadalto, concluiu pela pronúncia de Georgeval, levando o líder religioso a júri popular.
Na mesma decisão, o magistrado entendeu que Juliana não deveria responder pelos crimes pelo qual foi denunciada. Após a sentença, dada na primeira instância, os advogados de defesa de Georgeval entraram com recurso no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) pedindo que a decisão seja revista.