O Espírito Santo tem atualmente 629 profissionais de saúde contaminados com o novo coronavírus, segundo dados que constam no painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), na manhã desta terça-feira (28). O número representa cerca de 30% do total de casos confirmados no Estado e preocupa o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes).
Para Otto Baptista, presidente do Simes, para evitar que haja falta de profissionais no atendimento e a população fique desassistida, a saída seria fazer um rodízio a cada 14 dias entre os trabalhadores da saúde que estão em atuação na linha de frente do combate à doença. Essa sugestão, no entanto, não é vista como viável pela Sesa.
"A cada semana, aumenta o número de profissionais da saúde contaminados. O tempo de uso dos EPIs (equipamentos de proteção individual) nos preocupa, assim como a sobrecarga de trabalho. A luz vermelha acendeu. Até sexta-feira (1º), esse percentual de quase 30% poderá dobrar. A preocupação é o colapso, e a população ficar desassistida. A cada 14 dias teríamos que substituir a linha de frente, testar a linha de frente que está saindo e ter o mesmo procedimento com a equipe que está entrando"
Em resposta ao sindicato, o subsecretário de Vigilância em Saúde da Sesa, Luiz Carlos Reblin, destacou que o sindicato e a Secretaria de Estado da Saúde não são inimigos, mas que a alternativa do rodízio não é vista como uma boa opção no momento.
"Estamos aqui para construir as saídas para enfrentar essa pandemia juntos. Não somos adversários, não estamos contrários a qualquer opinião, de qualquer entidade. Mas, no momento, nos parece inviável, do ponto de vista de recursos existentes, propor uma alternativa que seja alternar 15 em 15 dias de trabalho"
Ainda segundo Reblin, a Sesa pretende detalhar melhor os dados que dizem respeito à contaminação dos profissionais de saúde por Covid-19. Ele também negou a falta de equipamentos de proteção individual para os profissionais.
"No mundo inteiro, de 20% a 30% dos profissionais de saúde, infelizmente, adoecem. No Espírito Santo já registramos 629 confirmados, registro feito pelos próprios profissionais de saúde. Estamos realizando uma apuração dessas informações, porque quando há registro de profissionais de saúde, faz o registro geral de qualquer pessoa que desenvolva algum tipo de atividade em qualquer área da saúde. Estamos melhorando essa informação, para apresentar com todos os detalhes: qual a categoria profissional, quais são os tralhadores de saúde que não atendem diretamente paciente. Absolutamente temos falta de equipamento de proteção individual, eles estão em todos os hospitais da rede estadual, no almoxarifado da secretaria de saúde. O que existe é regra para o uso de EPI para que não venha a faltar lá na frente", encerrou Reblin.
*Com informações da TV Gazeta