Uma estrutura rochosa no Parque Pedra da Cebola, em Vitória, corre risco de desabamento, de acordo com relatório feito pela Defesa Civil de Vitória. Segundo o órgão, o grau de ameaça está em 4, que é o maior dentro da escala.
A denúncia sobre o problema foi feita em novembro de 2019, após o deslizamento de pequenas rochas. A interdição, no entanto, ocorreu quase três anos após a primeira reclamação.
A falha está em um paredão rochoso, próximo ao campo do parque. Além do rolamento de pequenas pedras que já aconteceram, uma rocha maior está praticamente solta.
Arquivos & Anexos
Laudo sobre risco de desabamento
Documento da Defesa Civil mostrando o risco de rolamento de rochas em paredão no Parque Pedra da Cebola
Tamanho do arquivo: 6mb
Casos como o da Pedra da Cebola são caracterizados como risco geológico. Com base no relatório apresentado pela Defesa Civil, o geólogo Pedro Henrique Brandão comenta que há evidências de instabilidade do talude — que é a inclinação da encosta — e também de rolamento de blocos rochosos.
Brandão também explicou os fatores que são considerados para a classificação do risco, que vão de R1 (mais baixo) a R4 (mais alto). "Para medir o seu grau de risco, são levados em conta a probabilidade do risco, as consequências do possível desastre, vulnerabilidade e grau de gerenciamento do problema, conforme a Defesa Civil do Espírito Santo e o Serviço Geológico do Brasil".
Área de risco de desabamento interditada na Pedra da Cebola
Da denúncia à interdição
O advogado José Júnior e outras pessoas que frequentam o parque foram responsáveis pelas denúncias às autoridades. Na ocasião, em 2019, ao perceberem o risco no local, o grupo acionou a Prefeitura de Vitória para que fosse feita uma vistoria na região.
“Fizemos a denúncia para a prefeitura e a Defesa Civil veio e deu o laudo informando o grau máximo de risco de deslizamento. Liguei para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) também. Nós estamos batendo de frente com promotor, com secretarias, com todo mundo”, revela Júnior, que também é diretor de esportes do parque.
A partir do relatório da Defesa Civil, foi reconhecida a necessidade da realização de ações emergenciais para restabelecimento das condições de segurança. Na época em que aconteceram os primeiros deslizamentos, Vitória teve chuvas fortes que ultrapassaram 566mm/mês. Ainda assim, a interdição só ocorreu em 2022.
O que diz a Prefeitura de Vitória
Em nota, a Secretaria Municipal de Obras de Vitória (Semob) informou que ainda está em busca de empresas para realizar as obras de contenção no parque.
No dia 21 de agosto de 2022, foi lançado o edital n⁰ 15/2022 para contratação de empresas visando à execução de obras de contenção de encostas na Capital, que contemplam o Parque da Pedra da Cebola. Atualmente, em novembro, a licitação está na fase de convocação dos demais interessados, pois o primeiro colocado desistiu de participar do certame.
Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) afirmou em nota que, assim que teve conhecimento do relatório, foi providenciado o isolamento da área, com tela laranja instalada a mais de 15 metros da área de risco. Na parte superior do maciço, há um guarda-corpo que delimita a área de circulação.
Além disso, equipes que atuam no parque prestam as devidas orientações aos frequentadores. No local, além da tela laranja, também foi utilizada fita zebrada para a interdição.
Após a reportagem demandar a administração municipal, uma placa indicando que o trecho está interditado foi colocada na área de risco, como mostram fotos enviadas pelo morador José Júnior.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) também recebeu denúncias sobre o caso e foi procurado pela reportagem para comentar sobre o assunto. Em nota, o MPES informou que a Promotoria de Justiça Cível de Vitória instaurou procedimento para acompanhar o caso e, em 17de outubro, solicitou informações à Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), bem como a adoção imediata de providências.
"A PMV respondeu ao MPES em 7 de novembro e informou ter adotado uma série de ações, entre elas a interdição da área com risco de queda de blocos, impedindo o acesso de pessoas no entorno, além de medidas cabíveis para realização das obras de contenção dos blocos da encosta. O MPES analisa a documentação e os laudos enviados pela prefeitura, para a adoção das demais medidas que se fizerem necessárias à segurança da população."
O que pode ter influenciado o desabamento
Segundo o professor Patrício Pires, do Laboratório de Geotecnia do Departamento de Engenharia Civil da Ufes, as fissuras nas rochas do parque são resultados de fatores naturais e também de interferências humanas. Além das causas ligadas ao tempo — como chuvas e ventos fortes — a área do parque funcionou como uma pedreira até o fim da década de 1970, o que contribuiu para a degradação.
“A ação da pedreira envolvia o desmonte de rochas para transformá-las em brita, material de construção. Essa ação fratura a rocha. A avaliação desses taludes deve ser contínua e esses pontos devem ser vistoriados e avaliados com certa recorrência no plano de manutenção do parque”, explicou o professor.
Pires também considera importante novas análises para indicar as soluções para a situação do parque. Por meio de novos estudos da área, segundo ele, será preciso conhecer os pontos mais altos e ver se precisam de uma obra de engenharia, como contraforte ou cortinas atirantadas. "É crítico, perigoso e carece de uma intervenção imediata da área", finaliza.
Atualização
11/11/2022 - 2:14
Após a publicação desta matéria, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) enviou uma nota que foi adicionada ao texto.
Rocha de paredão no Parque Pedra da Cebola corre risco de desabar