Publicado em 24 de março de 2026 às 16:56
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, que matou a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, usou a arma de trabalho para cometer o crime na madrugada desta segunda-feira (23). O assassinato aconteceu na casa onde ela morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Santo Antônio, em Vitória. >
Depois do crime, Diego foi até a cozinha e tirou a própria vida. O chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Fabrício Dutra, disse ao g1 na manhã desta terça-feira (24) que a arma usada no crime era a mesma que o PRF utilizava no trabalho, uma pistola Glock 9MM G17.>
"A arma foi apreendida, como todos os outros objetos relacionados à dinâmica criminosa. Foi recolhida e encaminhada à perícia criminal no setor de balística para fazer a comparação dos projéteis que foram encontrados no corpo da comandante Dayse", explicou Dutra. >
Ainda de acordo com o delegado, somente após o trâmite judicial é que a arma será devolvida à Polícia Rodoviária Federal. "Mesmo tendo óbito do autor, somente um juiz poderá devolver esta arma à PRF", completou.>
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A polícia ainda investiga se Diego tinha outras armas de registro particular. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi questionada sobre a arma usada no crime, mas informou, apenas, que a reportagem devia procurar a comunicação da Polícia Civil.>
No momento do crime, a vítima estava com a arma que usava na Guarda Municipal de Vitória no quarto onde dormia. O delegado Fabrício Dutra explicou que o equipamento de Dayse não foi usado pelo criminoso. >
"A arma da comandante Dayse foi devolvida para a instituição dela. Estava todo o equipamento dela, não só a arma, como o colete balístico, tudo isso", contou Dutra. No momento do crime, o pai de Dayse também estava na residência e dormia em outro quarto. A filha da vítima, de 8 anos, estava com a família paterna e não presenciou o assassinato da mãe.>
Dayse foi surpreendida pelo namorado enquanto dormia. De acordo com o delegado Dutra, todos os tiros pegaram na parte de trás da cabeça. "Aparentemente foram cinco disparos, mas tem que confirmar ainda com a perícia se efetivamente foram cinco, pois podem ter buracos de entrada e saída, mas no relatório constam cinco", disse.>
De acordo com a equipe da Perícia Científica, cinco projéteis foram encontrados no quarto. A comandante não teve tempo para reagir.>
"Ela não teve tempo nenhum de reação, por isso que os disparos foram todos na cabeça. Ela estava dormindo, deve ter acordado momentaneamente, mas ele a executou ainda na cama, não dando tempo dela levantar e entender o que estava acontecendo. Por isso, todos os disparos foram na cabeça", afirmou o delegado Dutra.>
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime foi premeditado. Na mochila de Diego, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro. "A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise", afirmou o secretário Amarílio Boni.>
O pai de Dayse, o aposentado Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento do crime. Ele contou que acordou ao ouvir o primeiro disparo. >
"Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, relatou o pai. De acordo com Carlos, o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento.>
Segundo o pai, Dayse e o policial se conheciam há cerca de quatro anos e mantinham um relacionamento marcado por episódios de violência. Apesar das situações relatadas, ele afirmou que a filha nunca registrou denúncia formal sobre as agressões sofridas.>
"Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins. Eu já tinha presenciado brigas, já tirei ele de cima dela, uma vez flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou.>
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital. Já Diego, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), trabalhava em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e entrou na corporação em 2020.>
Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa da comandante para realizar a perícia e conversou com familiares. O caso vai ser investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.>
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifestou pesar pelo falecimento da comandante. Leia a nota da íntegra:>
Leia nota completa da PRF
"A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes (RJ). Os fatos estão sob apuração das autoridades competentes. A Polícia Rodoviária Federal está à disposição para colaborar com as investigações. A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres".
*Com informações do g1 ES>
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