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Surto em navio

Hantavírus é transmitido pelo ar? Entenda a doença que causou surto em cruzeiro

A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar

Publicado em 08 de Maio de 2026 às 12:01

Guilherme Sillva

Publicado em 

08 mai 2026 às 12:01
Homem com dor abdominal
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça, vômitos e dor abdominal shutterstock

O cruzeiro, operado pela Oceanwide Expeditions, viajava pelo Oceano Atlântico com cerca de 150 passageiros e tripulantes teve um surto de hantavírusAté o momento, oito casos foram relatados, incluindo três mortes.


Apesar do alerta sanitário internacional e do isolamento de passageiros, autoridades de saúde descartam o risco de uma nova pandemia e afirmam que o contágio não se assemelha ao da covid-19.

Entenda a doença

O hantavírus é um vírus do gênero Orthohantavirus que pode provocar doenças graves em humanos, embora os casos sejam considerados raros. A infecção está associada principalmente ao contato com roedores silvestres e ambientes contaminados.


Segundo o infectologista Lorenzo Nico, da  Bluzz Saúde, o vírus possui distribuição quase global e é encontrado em reservatórios naturais de roedores. “São classicamente disseminados por ratos em regiões rurais, mas também ocorrem em centros urbanos em diversos locais do mundo”, explica o especialista.


A principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas microscópicas presentes no ar, provenientes da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Esses aerossóis costumam se concentrar em ambientes fechados, com pouca ventilação e acúmulo de materiais orgânicos.

O médico alerta, porém, para uma preocupação recente: a circulação de uma nova cepa do vírus com potencial de transmissão entre pessoas. “Isso torna a disseminação mais importante e faz com que sejam necessários maiores cuidados”, afirma.


Os sintomas da hantavirose podem variar de quadros leves a manifestações graves. Inicialmente, a doença pode causar febre e sintomas sistêmicos inespecíficos. Em casos mais severos, o vírus compromete células endoteliais de diversos órgãos, podendo provocar infiltração pulmonar, insuficiência respiratória, queda brusca da pressão arterial, falência renal e até levar à morte.

Pode evoluir rápido

Embora incomum, a infecção pode evoluir rapidamente e exige diagnóstico precoce. “O hantavírus continua sendo uma ameaça importante do ponto de vista epidemiológico, principalmente em locais com maior exposição a roedores e pouca ventilação”, alerta Raphael Zanotti, infectologista do Hospital Santa Rita. 

A doença é considerada rara, mas apresenta elevada taxa de mortalidade e exige diagnóstico rápido. No Brasil, os casos costumam estar associados a áreas rurais, galpões, depósitos, celeiros e locais fechados com presença de ratos silvestres. Segundo Raphael Zanotti, “o hantavírus é uma infecção potencialmente grave, mas que pode ser evitada com medidas simples de prevenção e atenção aos ambientes contaminados por roedores".

A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar. Quando urina, fezes ou saliva de ratos secam no ambiente, partículas microscópicas podem se espalhar durante limpezas, varrições ou movimentação de objetos em locais fechados e pouco ventilados. Dessa forma, sim, o hantavírus pode ser transmitido pelo ar. O contato das mãos com superfícies contaminadas, seguido do toque nos olhos, nariz ou boca, também representa risco. Em situações mais esporádicas, a transmissão pode ocorrer por mordidas de roedores. “O maior risco está na exposição ambiental em locais contaminados por secreções de ratos silvestres”, explica Raphael Zanotti.

Os sintomas iniciais geralmente incluem febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, cansaço, náuseas, vômitos e dor abdominal. “Após alguns dias, o quadro pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar grave, com falta de ar, tosse, respiração acelerada e queda da pressão arterial. Nos casos mais graves, ocorre insuficiência respiratória aguda, frequentemente exigindo internação em UTI. O hantavírus pode evoluir de forma muito rápida. Febre associada à dificuldade respiratória após exposição a áreas de risco deve sempre acender um sinal de alerta”, afirma o infectologista.

Tratamento

O diagnóstico é feito principalmente por meio de exames de sangue que identificam anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus. “A sorologia é o método mais utilizado diante de um quadro clínico compatível e de um possível vínculo de transmissão”, explica Lorenzo Nico. Exames moleculares também existem, mas ainda não estão amplamente disponíveis na maior parte dos serviços hospitalares.


Atualmente, não há antiviral específico eficaz contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte intensivo, de acordo com a gravidade do quadro clínico, até que o organismo consiga eliminar o vírus. O infectologista destaca que o atendimento precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações graves.


Dependendo da gravidade, o paciente pode necessitar de oxigênio suplementar, ventilação mecânica, controle rigoroso da pressão arterial e internação em terapia intensiva. O reconhecimento precoce e o atendimento rápido aumentam as chances de sobrevivência.

A prevenção da infecção por hantavírus depende principalmente da redução do contato entre pessoas e roedores. Medidas eficazes incluem manter casas e locais de trabalho limpos, vedar aberturas que permitam a entrada de roedores em edifícios, armazenar alimentos de forma segura, usar práticas de limpeza seguras em áreas contaminadas pelos roedores, evitar varrer ou aspirar fezes de roedores a seco - umedecer as áreas contaminadas antes da limpeza e reforçar as práticas de higiene das mãos”, conclui Raphael Zanotti.

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