O cruzeiro, operado pela Oceanwide Expeditions, viajava pelo Oceano Atlântico com cerca de 150 passageiros e tripulantes teve um surto de hantavírus. Até o momento, oito casos foram relatados, incluindo três mortes.
Apesar do alerta sanitário internacional e do isolamento de passageiros, autoridades de saúde descartam o risco de uma nova pandemia e afirmam que o contágio não se assemelha ao da covid-19.
Entenda a doença
O hantavírus é um vírus do gênero Orthohantavirus que pode provocar doenças graves em humanos, embora os casos sejam considerados raros. A infecção está associada principalmente ao contato com roedores silvestres e ambientes contaminados.
Segundo o infectologista Lorenzo Nico, da Bluzz Saúde, o vírus possui distribuição quase global e é encontrado em reservatórios naturais de roedores. “São classicamente disseminados por ratos em regiões rurais, mas também ocorrem em centros urbanos em diversos locais do mundo”, explica o especialista.
A principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas microscópicas presentes no ar, provenientes da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Esses aerossóis costumam se concentrar em ambientes fechados, com pouca ventilação e acúmulo de materiais orgânicos.
O médico alerta, porém, para uma preocupação recente: a circulação de uma nova cepa do vírus com potencial de transmissão entre pessoas. “Isso torna a disseminação mais importante e faz com que sejam necessários maiores cuidados”, afirma.
Os sintomas da hantavirose podem variar de quadros leves a manifestações graves. Inicialmente, a doença pode causar febre e sintomas sistêmicos inespecíficos. Em casos mais severos, o vírus compromete células endoteliais de diversos órgãos, podendo provocar infiltração pulmonar, insuficiência respiratória, queda brusca da pressão arterial, falência renal e até levar à morte.
Pode evoluir rápido
Tratamento
O diagnóstico é feito principalmente por meio de exames de sangue que identificam anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus. “A sorologia é o método mais utilizado diante de um quadro clínico compatível e de um possível vínculo de transmissão”, explica Lorenzo Nico. Exames moleculares também existem, mas ainda não estão amplamente disponíveis na maior parte dos serviços hospitalares.
Atualmente, não há antiviral específico eficaz contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte intensivo, de acordo com a gravidade do quadro clínico, até que o organismo consiga eliminar o vírus. O infectologista destaca que o atendimento precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações graves.