Os cemitérios municipais de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, apresentam problemas de conservação, como mato alto, lixo acumulado, túmulos danificados e dificuldades de acesso às sepulturas. A situação foi constatada nos cemitérios do Aeroporto e do Coronel Borges, onde frequentadores cobram melhorias na limpeza e na estrutura dos espaços.
Em entrevista ao repórter Matheus Passos, da TV Gazeta, Magna Lúcia Silva, que esteve no Cemitério do Aeroporto para acompanhar o enterro de um vizinho, reclamou da falta de manutenção. Segundo ela, a vegetação e a ausência de sinalização dificultam a identificação dos túmulos e dos caminhos entre as sepulturas.
“Você não sabe onde é o acesso, onde é a cova. Muitas das vezes está pisando no ente de alguém porque não tem sinalização nenhuma”, relatou.
A pensionista Rosimar da Costa também cobrou melhorias, mas ressaltou que as famílias podem contribuir para a conservação das sepulturas, sem deixar toda a responsabilidade para o poder público.
“Todo mundo que tem seu ente querido aqui poderia estar limpando e melhorando a sepultura, não deixando somente para a Prefeitura”, comentou.
A situação também foi observada no Cemitério Municipal do Coronel Borges, o maior de Cachoeiro, com aproximadamente 20 mil túmulos. No local, havia lixo dentro de sepulturas, teias de aranha, objetos descartados e caminhos cobertos por limo, que podem aumentar o risco de escorregões.
O aposentado Mazinho Santos esteve no local para levar pedras que seriam utilizadas na construção do túmulo da mãe. Ele contou que precisou da ajuda de outras pessoas para transportar os materiais, devido às dificuldades de acesso e às limitações físicas decorrentes de uma prótese no quadril.
“Do jeito que está aqui, está abandonado, porque olha como é que está a situação desse cemitério”, afirmou.
Para o aposentado, as condições de circulação dificultam não apenas as visitas, mas também a realização de serviços de manutenção nas sepulturas.
Crédito: Rafael Sanches / TV Gazeta
Magna também destacou que a falta de conservação torna ainda mais difícil um momento que já é de sofrimento para as famílias.
“A pessoa, quando chega aqui, já chega num momento de dor. E ela vê um cemitério em abandono e dá a sensação de que a gente também está abandonando o ente”, disse.
A Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim informou que realiza um levantamento técnico para identificar as necessidades de reforma e manutenção dos cemitérios municipais. Entre os serviços previstos estão reparos nos muros, obras de alvenaria, melhorias na iluminação, pintura e manutenção dos portões e recuperação de estruturas de apoio e instalações administrativas.
Segundo a administração municipal, também está sendo elaborada uma planilha orçamentária para calcular os custos dos serviços. Ainda não há previsão para o início ou a conclusão das obras, já que o cronograma dependerá do levantamento dos valores e da disponibilidade de recursos financeiros.
A Prefeitura afirmou que realiza periodicamente serviços de limpeza, zeladoria e manutenção dos cemitérios e que pretende dar continuidade às ações de conservação e revitalização dos espaços.