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Em Maruípe

Imagens: novas covas abertas e lápides improvisadas em cemitério de Vitória

Prefeitura utilizou retroescavadeira para abrir, pelo menos, 20 novas covas;  fotógrafo de A Gazeta registrou lápides de papel com números escritos à mão no Cemitério de Maruípe

Publicado em 24 de Março de 2021 às 20:58

Daniel Pasti

Publicado em 

24 mar 2021 às 20:58
Covas abertas no cemitério de Maruípe em Vitória
Covas abertas no cemitério de Maruípe, em Vitória, nesta quarta-feira (23) Crédito: Vitor Jubini
Uma cena triste chamou atenção no cemitério de Maruípe, em Vitória, nesta quarta-feira (23). Uma retroescavadeira foi flagrada abrindo uma série de novas covas. Um vídeo circulou nas redes sociais, mostrando a situação (veja abaixo). O repórter fotográfico de A Gazeta Vitor Jubini esteve no local.  Em apenas uma das fotos feitas por ele, é possível contar ao menos 20 covas abertas. 
O fotógrafo Vitor Jubini registrou cenas fortes de lápides improvisadas no cemitério, contendo apenas um número para identificação da pessoa. Em uma delas, inclusive, foi pregada uma folha de papel com o nome escrito à mão.
Covas abertas no cemitério de Maruípe em Vitória
Em uma das covas, uma lápide foi improvisada com uma folha de papel presa à um galho de árvore Crédito: Vitor Jubini
Demandada pela reportagem de A Gazeta, a Prefeitura de Vitória informou apenas que "as covas estão sendo abertas com a utilização da retroescavadeira pois parte dos funcionários que integram o grupo de risco de contaminação da Covid-19, por conta da idade, foi afastada".
Novas covas abertas e lápides improvisadas em cemitério de Vitória
A prefeitura não esclareceu os motivos pelos quais estão sendo abertas essas novas covas e nem quantas são no total. A prefeitura não respondeu aos seguintes questionamentos enviados:
  • Essas covas abertas são todas para mortes por Covid-19?
  • Ao todo quantas foram abertas?
  • Nós constatamos que alguns corpos já foram enterrados hoje e que a identificação foi feita com papel, como está sendo feito o controle disso?
  • Novas covas devem ser abertas nos próximos dias? 
  • Como está a situação nos outros cemitérios municipais?
  • Essas covas abertas são para adiantar o serviço para os próximos dias ou já representam um número de mortos que precisam ser enterrados?

OUTROS MUNICÍPIOS

A reportagem de A Gazeta demandou as demais prefeituras da Grande Vitória para saber se também estão sendo abertas novas covas nos cemitérios municipais.
A Prefeitura da Serra informou que o município tem seis cemitérios públicos, que estão preparados para enfrentar a situação da pandemia. Caso haja necessidade de abertura de novas covas, o órgão informou que já há equipes e maquinário preparados para isso.
A Prefeitura de Vila Velha, por sua vez, comunicou que a abertura de covas e gavetas faz parte da rotina dos serviços funerários dos cemitérios no município. O órgão acrescentou que o município se encontra dentro da média de enterros prevista, mas que irá publicar um edital nos próximos dias para abertura de novas covas.
"O cemitério de Santa Inês ainda possui jazigos disponíveis para atender às famílias que precisarem. Além disso, o cemitério municipal de Ponta da Fruta já possui 67 covas abertas e nos próximos seis meses espera abrir 720 novos jazigos", diz a nota da Prefeitura de Vila Velha.
Já a Prefeitura de Cariacica alegou que o número de covas abertas aumentou em relação ao quantitativo anterior ao agravamento da pandemia e que todos os sepultamentos por Covid-19 estão sendo realizados no Cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha, na Rodovia do Contorno. "O local escolhido foi pensado estrategicamente, por ser em um local remoto, sem residências por perto, visto que a doença possui um alto grau de contágio. Eles são realizados de segunda a segunda, das 7h às 17h. A família, caso tenha túmulos em outros cemitérios, pode fazer o sepultamento em outro cemitério, público ou particular. Caso não tenha, é necessário que seja no Jardim da Saudade", diz a nota.
O órgão afirmou ainda que, no mês de março, foram registrados 44 sepultamentos em decorrências de mortes por Covid-19. Segundo a prefeitura, o corpo é levado da funerária ao cemitério envolto com dois sacos plásticos e caixão lacrado de madeira. São permitidas cinco ou seis pessoas da família para acompanhar os cortejos, seguindo os protocolos de prevenção. Os coveiros também fazem o trabalho com toda a proteção necessária, utilizando os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's), além de terem roupas e sapatos cobertos, luvas e máscaras de proteção.

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