Usar a bolsa ou mochila colada ao corpo, e evitar utilizar o celular dentro do ônibus ou, até mesmo, deixá-lo em casa. Essas são algumas das táticas adotadas, diariamente, por passageiros que utilizam o transporte público da Grande Vitória no intuito de evitar roubos e furtos.
De acordo com dados do painel de crimes contra o patrimônio, atualizados pela Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, foram 646 registros destes crimes em janeiro e fevereiro deste ano na Região Metropolitana, o equivalente a 11 vítimas por dia.
Ainda segundo dados do painel, a cidade da Serra lidera o número de casos, com destaque para o bairro Carapina, onde foram registrados 47 assaltos em coletivos apenas nos dois primeiros meses de 2023.
Crimes por cidade
- Serra: 321 casos
- Vitória: 156 casos
- Cariacica: 121 casos
- Vila Velha: 48 casos
Em entrevista ao repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, o delegado titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra os Transportes de Passageiros, Douglas Vieira, explicou que o município da Serra registra mais ocorrências de furtos e roubos em coletivos porque a BR 101 oferece muitas rotas de fuga, facilitando a ação dos criminosos.
"O horário das 17h às 21h é o de maior incidência de roubos e furtos em ônibus. Geralmente, é o horário de maior número de usuários, então eles [os criminosos] vão automaticamente sabendo que há uma grande concentração de pessoas"
Passageiros relatam prejuízos
Além de conviver com a constante insegurança nos transportes públicos, os passageiros ainda precisam lidar com os prejuízos financeiros - e até físicos - dos furtos e roubos. Foi o que aconteceu com a passageira Fernanda dos Santos quando dois indivíduos a abordaram e apontaram uma faca para ela em um terminal de ônibus.
Ao correr atrás dos suspeitos para recuperar os seus pertences, Fernanda tropeçou e machucou o rosto, ocasionando um prejuízo financeiro de cerca de R$ 1 mil, além de gastos com medicamentos e exames.
Na Justiça
Para os passageiros que tiveram pertences roubados ou furtados, é possível fazer o pedido de ressarcimento. Segundo o advogado Marco Antônio Correa, essa possibilidade existe devido à responsabilidade da companhia de ônibus em dar segurança aos usuários. Veja as dicas no vídeo abaixo:
"É possível ingressar judicialmente e a pessoa pode fazer isso sem a necessidade de um advogado no juizado especial cível do local em que ela reside. Contudo, seria interessante o passageiro procurar um advogado até por conta do procedimento que será adotado", explica o advogado.
O que dizem as companhias
Procurado pela reportagem do g1 ES, o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) informou, em nota, que as empresas operadoras do Sistema Transcol investem em equipamentos, como a instalação de câmeras de videomonitoramento nos ônibus, e atuam em parceria com a polícia, encaminhando as imagens das câmeras, quando geradas, a fim de auxiliar nas investigações dos crimes que ocorrem nos coletivos.
"Os motoristas também são orientados a registrar o boletim de ocorrência e a conduzir as vítimas até a delegacia para também registrar o boletim", reforçou a GVBus.
A Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb ES) disse, em nota, que o Cartão GV foi adotado no intuito de agilizar o embarque nos coletivos e para trazer mais segurança à bordo, reduzindo, assim, os valores transportados.
De acordo com a Ceturb, em situação de violação dos direitos, o usuário é orientado a procurar as autoridades competentes para registro de boletim de ocorrência.
A Polícia Militar, por sua vez, informou que atua constantemente no combate à criminalidade e que diariamente realiza ações voltadas para a segurança dos motoristas, passageiros de coletivos e cobradores.
A corporação disse ainda que, além do patrulhamento ostensivo, ações como abordagens específicas a transporte coletivo são realizadas em todo o estado e pediu a colaboração dos usuários de transporte coletivo e também dos motoristas e cobradores para que denunciem os indivíduos que agem nos ônibus ou terminais.
Denúncias podem ser repassadas por meio do telefone 181 do Disque-Denúncia ou através do site www.disquedenuncia181.es.gov.br, onde o sigilo e o anonimato são garantidos. Em situações de flagrante, a orientação é acionar uma viatura pelo Ciodes (190).
Com informações do g1 ES.