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Fim da paralisação: coletivos voltam a circular após determinação da Justiça

Os ônibus voltaram a circular no início da noite desta segunda-feira (08). Desde a manhã, os coletivos não saíram das garagens em protesto ao afastamento dos cobradores

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 08/03/2021 às 19h13
 Paralização dos rodoviários, os ônibus foram impedidos por representantes do Sindicato dos Rodoviários de sair das garagens
Paralização dos rodoviários, os ônibus foram impedidos por representantes do Sindicato dos Rodoviários de sair das garagens . Crédito: Fernando Madeira

Depois de uma segunda-feira (08) tumultuada em terminais rodoviários de toda a Grande Vitória, os motoristas voltaram a rodar com os coletivos, à noite, após o sindicato que os representa ter sido notificado de uma liminar da Justiça, exigindo o retorno às atividades. O protesto era contra o fechamento de postos de cobrador nos coletivos. 

O movimento dos rodoviários bloqueou as garagens das empresas de ônibus que operam os sistemas Transcol e municipal de Vitória, desde o início do dia. O protesto deixou a população da Grande Vitória praticamente sem ônibus, já que apenas circularam os coletivos com ar-condicionado. 

Tanto pela manhã quanto à noite, os pontos de ônibus ficaram lotados até a normalização da circulação dos coletivos. 

FIM DO MOVIMENTO

Por volta das 17 horas de segunda-feira (08), o desembargador Federal do Trabalho, Gerson Fernando da Sylveira Novais, acatou o pedido das empresas de transportes determinando que o Sindicato dos Rodoviários "se abstenha de impedir o acesso regular dos empregados" às garagens. 

"Aponte-se que a diminuição de veículos em circulação implica em superlotação e em maior perigo de contágio sobretudo quando nos deparamos, segundo amplo noticiário, com nova mutação do vírus muito mais contagiosa e, portanto, apta a impactar todo o sistema de saúde já bastante saturado. De modo que hoje a livre circulação do transporte coletivo com o maior número de ônibus possível é também medida de proteção à saúde pública", pontuou o desembargador na decisão. 

A liminar também definiu uma pena de multa diária no valor de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento. Por volta das 19 horas, o diretor de mobilização, Miguel Leite, informou que a manifestação estava encerrada. "Avisamos aos colaboradores que o protesto foi encerrado. Agora, fica a cargo das empresas", pontuou. 

Nesta quarta-feira (09), segundo o diretor, a frota deve rodar com 100% dos coletivos. Miguel explicou que durante toda a tarde de segunda-feira, representantes do governo  e do sindicato se reuniram e não chegaram a  um acordo que atenda aos trabalhadores.  "Também fomos informados que o julgamento da ação aberta pelo sindicato, em defesa aos funcionários, está prevista para ocorrer entre os dias 17 e 24 de março",  pontuou. 

COBRADORES

Atualmente, 2.500 cobradores foram retirados dos postos e estão sem trabalhar, mesmo recebendo salário. A decisão pelo afastamento dos funcionários dos cargos foi da Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) com base no decreto de Estado de Calamidade Pública em virtude da Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, em maio de 2020.

 Os profissionais afastados foram incluídos na Medida Provisória do governo Federal com suspensão da jornada de trabalho de maio a dezembro, recebendo um benefício do Ministério da Economia. O programa do governo Federal teve validade até dezembro. Por ele, os cobradores têm direito a 14 meses de estabilidade (o dobro do período da suspensão da jornada), que se encerra em julho.

Manifestação ocorre nesta segunda-feira (08)
Protesto de rodoviários deixa pontos de ônibus cheios. Crédito: Ricardo Medeiros

No entanto, 300 cobradores de ônibus já haviam sido retirados dos postos, em 2019, após a chegada de 120 coletivos com ar-condicionado. Os veículos substituíram ônibus antigos e deixaram a cargo do motorista a tarefa de cobrar. 

Outra medida do governo foi a implantação gradativa, desde 2019, dos cartões de bilhete único - que atende aos passageiros do sistema Transcol e também das redes municipais rodoviárias -, reduzindo o uso do dinheiro dentro dos coletivos. Usando a pandemia como justificativa, o governo extinguiu por completo o uso de notas e moedas  no pagamento de passagens. 

RODOVIÁRIOS

Os cobradores afirmam que temem demissão em massa da categoria. "São dois cobradores por ônibus. O governo alega a questão do coronavírus, mas estão usando de má fé, pois todas as empresas do sul e do norte do Estado continuam funcionando normalmente. Fora isso, sobrecarrega os motoristas, pois eles têm que manusear o elevador,  descer do carro para olhar o ponto cego e o cobrador é o segundo olho do motorista", explicou Miguel Leite, diretor de mobilização do Sindirodoviários.  

GOVERNO

Segundo o secretário Fábio Damasceno,  da Semobi, após o período de 20 meses de estabilidade, esses profissionais poderão voltar à ativa em um novo formato de trabalho, como por exemplo no auxílio da comercialização de créditos do CartãoGV via pagamento com cartão de crédito ou débito.

"Eles têm o direito a fazer três cursos dentro das empresas e o Estado ainda está oferecendo 1,5 mil carteiras de motoristas para eles. Não tem sentido o que eles falam (de serem demitidos). Está garantido também um programa de demissão voluntária caso eles queiram optar por isso", garantiu Damasceno.

Por meio de nota, o GVBus lamentou a postura do Sindirodoviários, que "mais uma vez pega toda a população de surpresa, com uma paralisação sem justificativa, desobedecendo ao decreto estadual de calamidade pública, e se mostrando insensível no pior momento da pandemia".

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