A erosão às margens do Rio Cricaré, em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, avança e ameaça a única estrada de acesso à comunidade de Barreiras. O problema não é novo: ao longo dos anos, o avanço do rio já destruiu casas e fez desaparecer outra via na região. Sem previsão de obras de contenção, moradores temem ficar isolados.
Além das estradas, diversas casas foram atingidas. O imóvel em que Pedro vive atualmente é o terceiro construído por ele no local. As duas moradias anteriores foram engolidas pelo rio. "A beirada veio 'comendo' até que derrubou a minha casa", relata o aposentado.
De acordo com a presidente da Associação de Moradores de Barreiras, Dayanne Lopes de Castro, o problema agravou após intervenções na região da Bugia e na abertura da foz de Conceição da Barra. "O canal da Bugia ficou aberto e quando a maré enche, vem com força para cá", explica.
Dayanne alega que a comunidade enviou diversos ofícios a órgãos competentes registrando o problema, mas as respostas não foram animadoras. "O que é falado é que não há nenhum projeto para conter a erosão", afirma.
Para a presidente da associação, os impactos vão além das perdas materiais e ameaçam também a história da comunidade. "Não são só as casas que vão embora. É a nossa identidade, nossa cultura, nossa memória que é levada pelo rio", lamenta Dayanne.
Nosso modo de vida e de sobrevivência é aqui. Não temos um outro modo de viver longe daqui. Então, por isso a nossa luta é para que a erosão seja contida, porque nós não queremos sair do nosso território.
Dayanne Lopes de Castro presidente da Associação de Moradores de Barreiras
O Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) diz que fez estudos técnicos voltados para a erosão em Barreiras após uma solicitação do Ministério Público Federal. O levantamento apontou para medidas de redução dos impactos, entre elas as obras de contenção. Conforme informa o DER-ES, os estudos foram encaminhados para a análise dos órgãos competentes.