Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Nova denúncia

Dentista indiciada por lesões em pacientes tem registro cassado pelo CRO-ES

Mariana Laranja e o sobrinho Nathan Laranja foram indiciados por causarem deformidades, infecções e complicações em pacientes

Publicado em 27 de Agosto de 2026 às 12:16

Redação de A Gazeta

Publicado em 

27 ago 2026 às 12:16
A dentista Mariana Barros Laranja Roeder
A dentista Mariana Barros Laranja Roeder | Rede social

O Conselho Regional de Odontologia (CRO) do Espírito Santo cassou o exercício profissional da dentista e influencer Mariana Laranja, indiciada pela Polícia Civil com o sobrinho e sócio, Nathan Laranja Roeder Holz, após pacientes relatarem deformidades, infecções graves e complicações permanentes depois de procedimentos realizados em uma clínica de Vila Velha, na Grande Vitória.


A decisão, a qual a TV Gazeta teve acesso, também suspendeu as funções profissionais da clínica da dentista por 30 dias e teve como base uma nova denúncia.


Procurada, a defesa de Mariana afirmou que considera a decisão "juridicamente inadmissível" e que a dentista não executou o procedimento denunciado. Disse, ainda, que já recorreu da decisão e que a clínica e o Instituto Laranja seguem funcionando regularmente.


O pedido da cassação foi feito por uma paciente que sofreu lesões graves após a realização de um ultrassom microfocado em abril do ano passado — no documento, o CRO afirma que Mariana deixou de zelar pela saúde e dignidade da paciente e negou o acesso dela ao próprio prontuário, descumprindo, assim, os deveres do responsável técnico.


A cassação, no entanto, ainda não tem efeito prático. Para que a dentista seja efetivamente impedida de atuar, é necessário que a decisão seja confirmada pelo Conselho Federal de Odontologia.


Por nota, o CRO informou que Mariana foi oficialmente notificada da cassação no dia 9 de agosto e tem um mês para recorrer. Somente após o fim do prazo do recurso é que o processo será enviado à esfera federal.


Questionado sobre o funcionamento da clínica, a entidade disse que ''as informações relativas aos processos estão igualmente submetidas ao sigilo previsto na legislação, não sendo possível divulgar detalhes sobre sua tramitação ou conteúdo" (veja a nota na íntegra abaixo).

Entenda a decisão

O conselho afirma, ainda, que fez buscas no sistema do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e encontrou outros processos envolvendo Mariana e sua clínica e que, após a repercussão do caso, outras mulheres procuraram o CRO para formalizar denúncias semelhantes.


Para o conselho, o conjunto de ações judiciais sugere que a profissional possui uma grande quantidade de intercorrências e que isso “é prova de fato notório que coloca em risco a saúde dos pacientes”. “É necessário que o CRO-ES adote medidas éticas adequadas e proporcionais para que a saúde dos pacientes seja protegida”, conclui o documento.


A entidade foi questionada pela reportagem acerca da suspensão das atividades da clínica da dentista e se a decisão também vale para o Instituto Mariana Laranja, que oferece cursos de pós gradução.


Por nota, o CRO informou que o processo ético tramita sob sigilo e que as decisões proferidas pelo conselho não são definitivas enquanto houver possibilidade de recurso com efeito suspensivo. “O CRO-ES reforça que todas as apurações são conduzidas de acordo com as normas que regulamentam o processo ético odontológico e com a garantia dos direitos assegurados às partes". 

Nota

CRO-ES | Na íntegra

"O CRO-ES esclarece que, de acordo com o art. 1º do Código de Processo Ético Odontológico, os processos éticos tramitam sob sigilo, incluindo o teor das decisões e das informações relacionadas à sua tramitação. A divulgação de informações sigilosas pode, inclusive, comprometer a validade do próprio processo.

Também é importante destacar que as decisões proferidas pelo CRO-ES não são definitivas enquanto houver possibilidade de recurso com efeito suspensivo. O Código de Processo Ético Odontológico assegura às partes o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive a possibilidade de interposição de recurso voluntário no prazo de 30 dias, conforme previsto no art. 36.

No caso dos processos que envolvem o Instituto Laranja, o CRO-ES informa que os procedimentos ainda estão em curso e seguem o devido processo legal, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Por essa razão, as informações relativas aos processos estão igualmente submetidas ao sigilo previsto na legislação, não sendo possível divulgar detalhes sobre sua tramitação ou conteúdo.


Nos casos em que há decisão de suspensão das atividades de clínicas, o cumprimento da medida é fiscalizado pelo CRO-ES, dentro de suas atribuições legais.

Por fim, o CRO-ES esclarece que, nos processos éticos, é realizada a verificação da existência de outros processos éticos envolvendo o profissional, sejam eles julgados ou ainda em tramitação. Essas informações são consideradas na análise do caso, inclusive para eventual avaliação de circunstâncias agravantes na aplicação da pena, quando cabível.

O CRO-ES reforça que todas as apurações são conduzidas de acordo com as normas que regulamentam o processo ético odontológico e com a garantia dos direitos assegurados às partes".

Defesa afirma que decisão é "juridicamente inadmissível"

A defesa da dentista afirmou que a decisão foi recebida com "absoluta perplexidade" e que considera a penalidade "juridicamente inadmissível". Segundo os advogados, Mariana não executou o procedimento denunciado pela paciente.

Nota

A defesa | Na íntegra

"A Dra. Mariana Laranja recebeu a decisão com absoluta perplexidade e considera juridicamente inadmissível que a penalidade mais grave prevista para o exercício da Odontologia tenha sido aplicada com fundamento em uma premissa factual manifestamente equivocada.

O relatório e o acórdão do CRO/ES atribuíram à Dra. Mariana a execução pessoal do procedimento objeto do processo ético. Entretanto, ela não executou o procedimento, não participou do ato e não se encontrava no estabelecimento quando ele foi realizado.

No período relacionado aos fatos, encontrava-se em viagem profissional para participação em curso no exterior. Não se está, portanto, diante de uma divergência interpretativa secundária, mas de um erro elementar na identificação da autoria da própria conduta investigada. É extremamente grave que um conselho profissional pretenda cassar o registro de uma cirurgiã-dentista com mais de 20 anos de atuação, ampla formação técnica e reconhecida experiência por um ato que ela não praticou.

A decisão também utilizou processos distintos, alegações relacionadas a terceiros e reportagens jornalísticas como fundamentos para agravar a penalidade, sem a necessária individualização da conduta.


Além disso, promoveu a inversão do ônus da prova em processo de natureza sancionadora e deixou de produzir perícia técnica sobre o equipamento utilizado e sobre a efetiva causa da intercorrência investigada. Esse conjunto de irregularidades evidencia grave fragilidade técnica na apuração conduzida pelo CRO/ES e compromete a legitimidade da própria decisão.

Um órgão responsável pela fiscalização do exercício profissional não pode formular uma imputação dessa gravidade sem realizar a verificação elementar de quem efetivamente praticou o ato. A sucessão de equívocos será formalmente questionada perante o Conselho Federal de Odontologia, inclusive sob a perspectiva dos limites do poder disciplinar.

O processo ético deve servir à apuração técnica, imparcial e individualizada de condutas, não podendo ser utilizado como instrumento de exposição reputacional, punição pública ou perseguição profissional.

A defesa confia que o Conselho Federal de Odontologia realizará uma análise técnica e independente das provas, corrigindo uma decisão regional que, em vez de demonstrar qualquer infração praticada pela Dra. Mariana, acabou evidenciando a fragilidade do procedimento empregado para responsabilizá-la".

Entenda o caso
Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder
Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder | Rede social

A TV Gazeta publicou, com exclusividade, reportagens sobre o indiciamento pela Polícia Civil do Espírito Santo da dentista e influencer Mariana Laranja e do sobrinho e sócio dela, Nathan Laranja.


O relatório final da investigação, concluído em abril de 2026, sobre o caso de três pacientes que fizeram "mini lifting facial" com os dentistas citados, detalha os depoimentos das vítimas, os procedimentos realizados dentro da clínica e as conclusões da polícia sobre a atuação dos profissionais. As pacientes relataram deformidades, infecções graves e complicações permanentes depois de realizarem o procedimento na clínica em Vila Velha, na Grande Vitória.


O inquérito apontou que os profissionais não atendem aos requisitos técnicos mínimos e não demonstram aptidão para a realização de técnicas cirúrgicas invasivas de maior complexidade.


Desde o início da divulgação do caso, a defesa da dentista sustenta que os procedimentos foram realizados dentro de sua atuação profissional regular, em um contexto de debate técnico e jurídico sobre a harmonização orofacial no país. Alega ainda que a profissional é devidamente habilitada, com formação e experiência na área, e que o próprio Conselho Federal de Odontologia posteriormente reconheceu a cirurgia estética orofacial como especialidade. 


A defesa ressalta que o indiciamento representa apenas uma etapa inicial da investigação, sem conclusão definitiva, e destaca a necessidade de laudos periciais complementares, além de afirmar que intercorrências são possíveis em procedimentos estéticos e foram previamente esclarecidas aos pacientes

Veja Também 

Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder

STF derruba decisão que obrigava TV Gazeta, A Gazeta e g1 ES a retirar posts e alterar reportagens sobre dentistas indiciados

Imagem de destaque

Após ação do CRO, 164 posts são apagados de perfil de dentista indiciada no ES

Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Natan Laranja Roeder

Dentista é indiciada no ES por deixar cicatrizes e feridas em pacientes

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Yago Paradella Vicente, de 28 anos
Homem é encontrado morto a tiros dentro de carroça em Vila Velha
Imagem de destaque
Volta de etapa da WSL à Guarapari representa sucesso da primeira edição
Imagem de destaque
Signos mais agitados do zodíaco: estes nativos dificilmente conseguem ficar parados

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados