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Superando desafios

De caiaque, professor capixaba rema de Vitória até o Rio de Janeiro

Após 18 dias remando, o professor de Química Wallace Mendes, de 43 anos, completou o trajeto que partiu das Paneleiras de Goiabeiras, em Vitória, até a Urca, na capital carioca. No percurso, ele teve de superar um assalto, ajudou uma amiga em situação crítica e ainda perdeu materiais importantes
Murilo Cuzzuol

Publicado em 

08 fev 2021 às 12:07

Publicado em 08 de Fevereiro de 2021 às 12:07

Expedição
Wallace Mendes remou por cerca de 520 quilômetros para concluir a expedição realizada em janeiro Crédito: Eduardo Cardoso/Clique Radical
Remar sempre foi uma constante na vida do professor de Química Wallace Mendes, de 43 anos. Nascido e criado em Goiabeiras, em Vitória, ele sempre teve no manguezal praticamente uma extensão do quintal da própria casa. Além do sustento da família, já que é filho de pescadores, o ecossistema é também parte importante na empreitada que ele resolveu se lançar.
Em 2018, ele criou uma empresa de passeios sustentáveis de caiaques para que mais pessoas pudessem conhecer as belezas que o manguezal possui, além de despertar a importância da preservação. Mas remar "apenas" nesta região ficou pequeno pare ele. Em julho do ano passado, o professor idealizou uma expedição partindo do bairro onde foi criado em Vitória para o Rio de Janeiro, inicialmente na divisa com o Espírito Santo, mas os planos foram adaptados.
"Comecei a remar distâncias maiores, indo para as ilhas de Vila Velha, Barra do Jucu, sempre para mostrar que podemos ir além. Então comecei a alimentar a ideia da expedição. Seria de Vitória até o Rio Itabapoana, mas pensei: 'quem vai até a divisa, vai até a capital do Rio. Fui então me planejando, montei um caiaque mais preparado, recebi apoio de uns amigos e saí das Paneleiras no dia 3 de janeiro", contou.

DIFICULDADES

Remando cerca de 30 quilômetros por dia, sempre no período da manhã, Wallace tentou se precaver ao máximo dos perigos que uma expedição como esta naturalmente incluiu. De certa forma, ele conseguiu não sofrer tanto com adversidades no mar, salvo uma condição de navegação ruim no trecho de Guarapari. O que ele não contava era passar por uma situação complicada fora do caiaque.
"No meu segundo, dia peguei um mar muito difícil na altura de Guarapari e até pensei se o percurso todo seria assim, mas não. Meu maior problema é que fui assaltado em São João da Barra, já no Rio de Janeiro, quando me preparava para ir para a água. Roubaram dois celulares que usava para fazer as fotos, uma flauta que eu usava para passar o tempo em terra e um óculos. Corri e consegui fugir, evitando que ele levasse meu celular de comunicação e o dinheiro. Recebi apoio de uns locais, mas não consegui recuperar meu material", contou.
Não foi só. Já na altura de Macaé, uma desconcentração provocou um tombo. No raso, Wallace relaxou e virou com o caiaque na água.
"Foi um vacilo meu. Estava em uma situação confortável e situando as pessoas que me acompanhavam quando virei com o caiaque. Aí molhou tudo, meu celular parou de funcionar, o carregador dele pifou e não encontrei mais minha GoPro (câmera). Bateu um certo desespero, mas depois com a ajuda de outra pessoa, consegui um novo carregador e o aparelho funcionou", detalhou.
Expedição
Por 18 dias, o caiaque foi a morada do professor de Química entre o ES e o RJ Crédito: Eduardo Cardoso/Clique Radical

SUPERAÇÃO

A virada com o caiaque, entretanto, acabou servindo como um final feliz não apenas para o professor de Química. Ao longo de toda a expedição, Wallace recebeu o apoio de muitos amigos, especialmente de uma amiga. Nos dias remando, o educador notou que ela mudou de comportamento e viu que seria necessário intervir.
"No meio da expedição, esta minha amiga entrou em uma situação muito delicada. Usei a expedição para superar meus desafios e também ajudá-la", disse Wallace, que concluiu a expedição no dia 20 de janeiro.
Expedição
No caiaque, Wallace levava as bandeiras do ES, Brasil e também da Inata, empresa que criou para promover passeios deste tipo Crédito: Eduardo Cardoso/Clique Radical
A expedição havia acabado, porém ainda reservava coisas boas ao capixaba. Lembra da GoPro perdida? Ela foi encontrada por uma pessoa de Macaé, que pelas redes sociais conseguiu localizar o professor de Química. Também fã de remar, o "salvador" fez questão de entregá-la em mãos a Wallace e em uma situação especial: no dia do aniversário dele.
"O aniversário não era meu, mas quem ganhou a festa fui eu. Ele se identificou com minha expedição e nos convidou para que, na volta ao Espírito Santo, nós parássemos lá. Tive esta sorte. Agora é já planejar os próximos projetos. Agradeço também aos meus amigos Bárbara Kaiser e Gustavo Louzada, pois toparam me ajudar nesta empreitada", contou Wallace.
Ao todo, Wallace levou 18 dias para concluir a expedição e remou por cerca de 522 quilômetros entre as Paneleiras, em Goiabeiras, até a Urca, no Rio. Além disso, a iniciativa foi também uma comemoração pelos três anos da empresa celebrados no último dia 1 de janeiro.

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