Publicado em 3 de julho de 2023 às 18:15
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) aprovou nesta segunda-feira (3) o projeto de lei que autoriza o Executivo a abrir um crédito especial no valor de R$ 2,39 milhões para cobrir despesas com indenizações às vítimas de ataque à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti, localizada em Aracruz, no Norte do Estado. O atentado, ocorrido em novembro de 2022, deixou quatro mortos e 12 feridos.>
O Projeto de Lei (PL) 558/2023, apresentado pelo governo do Estado, teve a urgência aprovada na sessão da última quarta-feira, 28 de junho. Nesta segunda, recebeu parecer favorável da Comissão de Finanças da Assembleia e, na sequência, foi votado em plenário pelos deputados, quando foi aprovado por unanimidade. >
Durante discussão na Comissão de Finanças, a deputada Camila Valadão (PSOL) afirmou que considera R$ 2,39 milhões um valor baixo para ser dividido entre as vítimas, acrescentando que há pessoas que gastaram mais de R$ 20 mil durante a recuperação. >
“O valor aqui colocado é dividido por 33 pessoas, e estão excluídos os estudantes. É muito pouco. A resolução do Estado deixou de tratar a reparação dos filhos menores das vítimas fatais e das tratativas daqueles que estão impossibilitados de trabalhar”, ponderou a parlamentar.>
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Camila também acredita que faltou transparência na discussão. "O plano de indenizações não foi amplamente divulgado à sociedade e só se ficou sabendo quando o projeto chegou à Assembleia Legislativa", disse. >
Relator do projeto nas comissões reunidas, o deputado Tyago Hoffmann (PSB) explicou que o crédito especial aprovado de R$ 2,39 milhões não necessariamente será o valor total a ser pago em indenizações. O montante, segundo o parlamentar, pode ser suplementado depois.>
“Não significa que esse será o único valor utilizado nem que já possa ser dividido para indenizações. O governo está abrindo um crédito suplementar mais simples, esse crédito especial nem é o que está colocando em despesa nova no Estado. Ele está sendo da administração da Procuradoria-Geral do Estado. O que precisamos fazer agora é abrir um crédito especial, uma vez que não foi previsto na lei orçamentária no ano passado”, destacou o deputado, que é vice-líder do governo na Assembleia.>
Antes da votação do projeto, o deputado Alcântara Filho (Republicanos) sugeriu que as vítimas da escola particular, atacada no mesmo dia pelo mesmo autor, também fossem incluídas. >
“A nossa indicação não contemplava só a escola Primo Bitti, mas a escola particular de Coqueiral. O entendimento inicial da PGE é que não se tem jurisprudência para isso, mas fica registrado à liderança do governo nosso pedido para que se possa ser reavaliada essa situação, para que seja melhor debatido e que tenha um olhar criterioso para as vítimas da escola particular”, comentou. >
O Executivo explica que o crédito especial será aberto em favor da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), visando incluir, no orçamento vigente, a Ação Pagamento de Sentenças Administrativas. O crédito especial se destina a despesas para as quais não há dotação orçamentária específica.>
No caso do PL 558/2023, o governo informa que o pagamento das indenizações, bem como despesas com benefícios, está amparado pela Lei 1.011/2022, que instituiu a Câmara de Prevenção e Resolução Administrativa de Conflitos do Espírito Santo (CPRACES). A câmara está vinculada à PGE e tem por objetivo a realização de procedimentos extrajudiciais para resolver conflitos, prevenindo e reduzindo a litigiosidade administrativa e judicial.>
De acordo com a mensagem governamental, os recursos serão provenientes de anulação parcial de dotação orçamentária da Secretaria de Estado de Economia e Planejamento para o Programa de Trabalho da Administração Geral.>
A reportagem de A Gazeta demandou o governo do Estado para saber se as indenizações às vítimas já estão em negociação, se já existe alguma estimativa do valor total que seria empregado e se há alguma proposta de incluir as vítimas da escola particular. Não houve resposta até a publicação desta matéria. >
No dia 25 de novembro de 2022, um ataque a duas escolas deixou quatro mortos e 12 feridos em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Entre as vítimas, há professores e alunos. >
Os disparos aconteceram por volta das 9h30 na Escola Estadual Primo Bitti e em uma escola particular que fica na mesma via, em Praia de Coqueiral, a 22 km do centro do município. Aracruz, onde o ataque aconteceu, fica a 85 km ao norte da capital.>
O autor dos disparos foi apreendido ainda na tarde do ataque. Ele foi condenado a cumprir até três anos de internação por ato infracional análogo a três homicídios e a 10 tentativas de homicídio qualificadas. O tempo é o limite máximo estabelecido de medida socioeducativa para adolescentes pela lei.>
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