A disposição para ensinar, o cuidado com as imagens e a alegria na redação estão entre as lembranças de amigos e colegas do cinegrafista Wagner Martins, conhecido como Waguinho, que morreu neste sábado (31). Com uma trajetória de quase 30 anos na Rede Gazeta, ele participou de coberturas que marcaram o Espírito Santo e ajudou profissionais que estavam começando na televisão.
Wagner havia retornado ao trabalho nesta semana, após três meses de recuperação de uma cirurgia cardíaca. Na manhã deste sábado, passou mal pouco antes de sair de casa e não resistiu. Casado, deixa dois filhos e netos.
“Waguinho foi um profissional que trabalhou com a gente por quase 30 anos no jornalismo, dedicado, atencioso, cuidadoso com as imagens, um cara alegre, sorridente”, lembrou o editor-chefe da TV Gazeta, Bruno Dalvi.
Bruno também recordou o reencontro com o cinegrafista na redação nesta semana e destacou as marcas deixadas pelo colega.
Ele deixa um legado de cuidado com o jornalismo, de cuidado com as imagens, de alegria na redação. Ele vai fazer muita falta, mas a gente vai honrar o legado dele
Bruno Dalvi Editor-chefe da TV Gazeta
Antes de contar histórias por meio das imagens, Wagner passou por diferentes funções e emissoras até se tornar locutor. Na Rede Gazeta, comandou um programa musical aos domingos, com participação dos ouvintes e foco na família.
A vontade de aprender foi uma das características lembradas por quem acompanhou sua trajetória do rádio para o trabalho com as câmeras.
“Ele era um cara muito gente boa, um cara muito, muito bacana e um cara que sempre estava querendo aprender”, contou o cinegrafista da TV Gazeta Ari Melo.
Wagner participou de coberturas como a greve da Polícia Militar do Espírito Santo, em 2017. O jornalista Leandro Tedesco, que trabalhou com ele naquele período, relembrou o momento em que a equipe foi surpreendida por tiros enquanto percorria a cidade em busca de informações.
“Alguém atirou, a gente não sabe de onde vieram os tiros e, graças a Deus, os tiros não pegaram na gente. Esse foi um dia muito marcante na minha vida”, relatou.
O conhecimento acumulado ao longo dos anos também era compartilhado com quem chegava à redação. O jornalista e ex-repórter da TV Gazeta Kaique Dias lembrou que teve os primeiros contatos com a televisão ao gravar chamadas da rádio CBN com Wagner. “Ele dava dicas, não era aquela pessoa que era experiente e ficava com aquela experiência para ele”, destacou.
Além das orientações, colegas recordaram o incentivo que recebiam do cinegrafista e a disposição dele para colocar ideias em prática.
Desde que eu cheguei aqui, ele sempre foi uma pessoa que acreditou muito no meu trabalho. É difícil não se emocionar falando dele [...] Qualquer coisa que a gente quisesse fazer, ele ia fazer junto. Ele comprava a ideia e fazia de tudo para dar certo
Tarciane Vasconcelos Repórter da TV Gazeta
Nas lembranças dos colegas, a dedicação à família também marcou a trajetória de Waguinho. A formação dos filhos e as conquistas deles eram motivo de orgulho.
“Não podemos falar só do Waguinho profissional, mas falar do Waguinho ser humano, não só com a família, mas também com a gente aqui”, afirmou o gerente de produção da TV Gazeta, Carlos Gonzaga.
Em nota, a TV Gazeta lamentou a morte do colega e destacou sua dedicação ao longo dos 29 anos de trabalho na emissora. Os depoimentos foram exibidos no Boa Noite ES deste sábado (31), em uma reportagem especial em homenagem ao cinegrafista.