Os conhecimentos adquiridos no ambiente escolar são capazes de construir uma bagagem intelectual que dará fundamento à vida adulta. Entretanto, para além do desenvolvimento educacional, é preciso ficar atento à construção de habilidades que estimulem a independência e autonomia, em busca da maturidade também emocional e profissional.
O resultado direto desse esforço é uma sociedade formada por cidadãos críticos, socialmente ativos e responsáveis por construir e reforçar diferentes espaços de reflexão. .
“Nós saímos daquele modelo de apenas decorar para um modelo em que é preciso aprender. E como isso é feito? Por meio de metodologias ativas, projetos e etc. Tudo porque, hoje em dia, o aluno é o protagonista”, pontua o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo (Sinepe), Moacir Lellis.
Na avaliação do dirigente, é preciso agregar ao conteúdo didático ferramentas de ensino que trabalhem esse desenvolvimento do aluno, como a educação midiática, o letramento digital e o uso ético da inteligência artificial.
“Foi preciso nos reinventarmos para que o espaço de educação pudesse ser de atenção e profundidade novamente. No Brasil, hoje, o jovem passa quase nove horas utilizando o celular por dia. Não podemos ignorar isso”, ressalta.
A secretária de Estado da Educação do Espírito Santo, Andréa Guzzo Pereira, explica que desenvolver a autonomia é fundamental para que os jovens possam fazer escolhas conscientes, assumir responsabilidades e participar ativamente da sociedade.
“Em um contexto marcado pelo grande volume de informações, pelas transformações tecnológicas e por diferentes desafios, é importante que os estudantes desenvolvam a capacidade de pensar criticamente, tomar decisões, resolver problemas e lidar com as consequências de suas escolhas”, destaca.
De acordo com a secretária, a autonomia também contribui para que eles reconheçam suas potencialidades, desenvolvam confiança em suas capacidades e construam seus projetos de vida.
“O protagonismo juvenil pressupõe a participação ativa e direta na identificação e na busca de soluções para problemas coletivos, reconhecendo os jovens não apenas como parte dos desafios, mas também como fonte de soluções. Dessa forma, eles deixam de ocupar um lugar passivo e passam a ser sujeitos ativos e corresponsáveis pelos processos de transformação social”, pontua.
No mapeamento de oportunidades para esta nova realidade, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) desenvolveu o projeto Geração Protagonista, por meio da Gerência de Educação em Tempo Integral (Geti). As ações são dedicadas a estudantes da educação em tempo integral da rede pública estadual.
A secretária explica que cada escola participante é representada por dois alunos. Eles atuam como articuladores perante as equipes de Jovens Protagonistas das escolas, compartilhando os conhecimentos e as experiências vivenciados nos encontros e mobilizando seus pares para o desenvolvimento de ações que envolvem toda a comunidade estudantil.
“O projeto Geração Protagonista promove o protagonismo juvenil ao criar espaços de formação, de diálogo, de participação e, principalmente, de atuação dos próprios estudantes. Nos encontros virtuais, os adolescentes têm contato com temas relevantes para a juventude e para a sociedade, dialogam com outros estudantes e refletem coletivamente sobre possibilidades de ação em suas escolas”, detalha.
Ao final de cada encontro, é proposta uma missão, relacionada ao tema abordado, que deve ser planejada e realizada pelos próprios estudantes em suas escolas. Nesse processo, eles assumem o protagonismo ao pensar, organizar e executar as ações, considerando a realidade e as necessidades de seus pares.
“Em um cenário de excesso de informações e de conteúdos cada vez mais rápidos e superficiais, formar jovens capazes de ir além do que é apresentado, analisar diferentes perspectivas e transformar informação em conhecimento e ação é essencial para que participem de forma consciente, crítica e responsável da sociedade”, afirma Andréa Guzzo.