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Educação na pandemia

Alunos de escola pública podem ficar em desvantagem no Enem

Depois de cancelado o exame que estava programado para novembro,  Ministério da Educação  marcou exame para janeiro

Publicado em 12 de Julho de 2020 às 08:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 jul 2020 às 08:00
As provas serão aplicados no dia 26 de janeiro e no dia 02 de fevereiro.
Enem 2020 foi adiado por causa da pandemia Crédito: Freepik
O comprometimento do aprendizado dos alunos da escola pública pelas limitações de acesso às atividades remotas pode afetar o desempenho em avaliações como o Enem. A prova, inclusive, foi adiada após pressões de diversos órgãos e entidades que apontavam o tamanho da desigualdade, acentuada pela pandemia, na preparação dos estudantes das redes pública e particular.
Depois de cancelado o exame que estava programado para novembro, nesta semana o Ministério da Educação (MEC) anunciou que a nova previsão é no início de 2021: 17 e 24 de janeiro, para quem vai fazer prova impressa, e 31 de janeiro e 7 de fevereiro, para os inscritos na avaliação digital.
Mesmo que as atividades presenciais ainda não estejam autorizadas, a coordenadora de Projetos do Todos pela Educação, Thaiane Pereira, avalia que marcar uma data para o Enem é importante porque a indefinição era uma aspecto que causava mais apreensão entre os alunos.
Ela reconhece que o momento é de incertezas, e essa data eventualmente possa ser alterada, mas considera importante o agendamento até para o planejamento de retorno das aulas presenciais.
“Provavelmente o abismo entre a rede pública e privada aumentou neste período de atividades remotas, e cabe agora às Secretarias da Educação implementar ações que tentem ajudar esses alunos o máximo possível a recuperar o conteúdo para que consigam fazer a prova. De repente, eles devem ser os primeiros a retomar as aulas para tentar minimizar os estragos”, pondera.
Thaiane Pereira também reforça que as desigualdades evidenciadas pela pandemia são cruéis e impactam de maneira mais profunda sempre os que mais precisam ser ajudados.
Para ela, a forma de corrigir essas distorções é tratar diferentemente esses alunos, para o Enem ou demais demandas educacionais, na medida de sua desigualdade.
"É preciso dar mais atenção a suas vulnerabilidades, priorizar políticas públicas com ênfase na equidade, que sejam mais intensas para o reforço e recuperação do aprendizado"
Thaiane Pereira - Coordenadora de Projetos do Todos pela Educação
Thaiane Pereira, coordenadora de Projetos do Todos pela Educação
Thaiane Pereira, coordenadora de Projetos do Todos pela Educação Crédito: Todos pela Educação
A coordenadora de Projetos do Todos pela Educação diz ainda que ações intersetoriais, que contemplam o esforço de outras áreas como a assistência social e a saúde, também são importantes para fortalecimento dos vínculos com a escola que contribui no processo de ensino-aprendizagem.
Todo o processo com os protocolos de retorno às atividades presenciais, sobre quem vai voltar e de que forma, e como esse período vai ser utilizado nas escolas também vai impactar os estudantes que vão fazer o Enem, segundo aponta Sonia Dias, coordenadora de implementação municipal do Itaú Social.
Entre os alunos da escola pública, com todas as dificuldades de acesso à tecnologia e até de local adequado para estudos em casa, a volta para a sala de aula pode significar a melhoria do desempenho na avaliação.
Sonia Dias, coordenadora de implantação municipal do Itaú Social
Sonia Dias, coordenadora de implantação municipal do Itaú Social Crédito: Patricia Stavis/Itaú Social
"O prejuízo para o aluno da escola pública, com as atividades remotas, é sem dúvida maior. A escola pública é o espaço de socialização, de desenvolvimento pessoal, de aprendizado. É o lugar onde pode encontrar o apoio de um professor, da comunidade escolar"
Sonia Dias - Coordenadora de implementação municipal do Itaú Social.

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