Advogada atingida por pedra no ES: "Não sinto raiva e sou grata por estar viva"
Recomeço
Advogada atingida por pedra no ES: "Não sinto raiva e sou grata por estar viva"
Michaella Zukowski, de 25 anos, teve lesões graves na face devido ao paralelepípedo que a atingiu quando passava pela Rodovia do Sol; em casa, ela recebeu a apresentadora do ES1, da TV Gazeta, Rafaela Marquezini
No dia 8 de julho deste ano, a advogada Michaella Zukowski, de 25 anos, seguia para o Aeroporto de Vitória na companhia do pai e do irmão, para pegar um voo até Minas Gerais. A poucos quilômetros de casa, na Rodovia do Sol, em Vila Velha, ela foi atingida por um paralelepípedo arremessado por Gelson Aparecido dos Santos. Ainda se recuperando das cirurgias para reconstruir a face, ela recebeu, em casa, a apresentadora do ES1, da TV Gazeta, Rafaela Marquezine, para uma entrevista exclusiva.
Sorridente e demonstrando estar ciente do que passou, ela contou detalhes dos momentos seguintes à pedrada e como conseguiu se manter calma, mesmo com múltiplos ferimentos no rosto.
Estado de saúde
Questionada sobre como está atualmente, Michaella destaca que, apesar de tudo, está bem. A advogada ainda tem curativos na testa e apresenta inchaço no olho atingido pelo paralelepípedo.
"Olha, eu estou bem. Todas as vezes que me perguntaram, eu falei que estava bem, independente da situação, eu estou grata pois estou viva"
Michaella Zukowski - Advogada
Dia do acidente
A advogada contou que lembra de todo o acidente e de pedir calma ao pai.
“Lembro que estava mexendo no celular, meu pai estava dirigindo e nisso ouvi um estrondo muito forte e o meu corpo foi para trás. A minha visão ficou preta e eu não conseguia respirar. A sensação é que eu estava me afogando. E aí dentro de mim veio uma vozinha ‘se acalma, aconteceu um acidente’.”
Michaella questionou o pai o que havia acontecido, momento que ele contou que alguém havia jogado uma pedra. Ela então pediu calma ao pai e disse para que ele a levasse para o hospital.
“Eu tinha noção que foi (a pedra) na testa e no olho, porque lembro que não consegui abrir o olho esquerdo. A minha maior preocupação, na verdade, era ter ficado cega".
Carro atingido por paralelepípedo na ES-060, conhecida como Rodovia do Sol, em Vila Velha, na Grande VitóriaCrédito: Reprodução | Acervo Pessoal
Hospital
Após o acidente, Michaella ainda passou por três hospitais. O primeiro, Santa Mônica, negou atendimento dizendo que não atendia no plano de saúde da advogada. Apesar disso, uma médica a atendeu emergencialmente.
“A médica falou que tinha que me atender por ser uma emergência. Ela (médica) limpou o ferimento, fez um primeiro curativo e me botou num remédio para dor. Lembro que um enfermeiro, que estava de plantão, foi comigo dentro do nosso carro até a Praia da Costa, onde ele ia dar plantão também. E aí começou a nossa saga. Colocaram o remédio para dor, fizeram tomografia e parou por aí”, contou.
A advogada Michaella Zukowski levou pedrada dentro de carro em Vila Velha e teve ossos da face quebradosCrédito: Reprodução/Instagram
Cirurgia
Michaella precisou passar por uma cirurgia de urgência na testa, pois estava com uma fratura exposta e ossos multifragmentados.
“Eu precisava ir para o centro cirúrgico urgente”, disse a advogada, que só conseguiu uma internação após uma liminar da Justiça. De acordo com ela, todas as solicitações de uma ambulância entre o hospital particular que estava, localizado na Praia da Costa, até o hospital de urgência do plano de saúde dela, foram negadas.
“Fui com meu carro, o mesmo carro que tinha sofrido um acidente”, disse.
A primeira cirurgia foi realizada às 23 horas do dia do acidente. “Apenas para fechar esse ferimento. Quando ele fez a primeira cirurgia, eu perdi muitos ossos da testa, então ele (médico) só suturou. Foi muito complicado até a sutura porque eu não tinha pele na testa”, recordou-se.
Cicatriz
“Eu tenho uma cicatriz de orelha a orelha, porque ele (médico) tirou meu rosto até metade para fazer toda a reconstrução com placas de titânio. Eu tive que reconstruir todo meu nariz, que agora é todo de titânio, e minha testa e também minha órbita ocular”.
Por conta da pedrada, a advogada perdeu toda a órbita ocular. “A minha visão está indo bem, enxergo bem. Ainda um pouquinho embaçado, por conta do inchaço, mas a princípio não tive nada na visão”.
Sequelas
O acidente deixou sequelas em Michaella Zukowski.
Michaella se recupera das cirurgias necessárias para reconstruir a faceCrédito: Pablo Campos
“O olfato eu perdi, a sensibilidade do meu rosto, do lado esquerdo, não consigo sentir direito. A sensação é que você está anestesiado e muito inchaço”.
A advogada acredita que ainda terá que passar por outra cirurgia.
“Mas aí seria já uma cirurgia plástica por conta da cicatriz que vai ficar na minha testa. É difícil, mas eu estou confiante”.
Mudança na vida
Passado todo o terror, Michaella acredita que nunca mais voltará a ser a mesma.
“Eu acho que eu nunca vou ser a Michaella que era. Acho que vai ter alguma diferença, mas assim, eu vou correr atrás de tentar fazer o máximo que puder para me parecer um pouquinho que eu era”.
Questionada pela apresentadora, da TV Gazeta, Rafaela Marquezini, se consegue tirar algo de positivo de todo o ocorrido, a advogada respondeu que acredita que sim.
“Acho que Deus permite coisas na vida. Tudo tem um propósito. Então eu acho que ele deixou isso acontecer por algum motivo. Fiquei tão feliz com tanta mensagem que recebi, de tanta gente de todo Brasil, de gente de fora”.
Ela ainda destacou que está em paz e não tem ódio do homem que jogou a pedra contra o veículo.
“Não fiquei com ódio, eu estava em paz. Eu não sinto nada por ele, só quero que ele (Gelson) continue preso, mas eu não sinto raiva, não sinto ódio. Eu só não quero que ele faça isso com ninguém”.
Os próximos passos ainda são desconhecidos para Michaella, que afirma que seguirá com calma, descansando e se recuperando.
"Eu estou bem e estou feliz que estou bem"
Michaella Zukowski - Advogada
Posicionamento do plano
Em nota, a Unimed Vitória, lamentou o ocorrido e que o caso envolvendo a advogada será usado para intensificar o processo de adequação dos procedimentos estabelecidos contratualmente com a rede prestadora.
Resposta da Unimed Vitória
A Unimed Vitória informou que os contratos com a rede hospitalar prestadora estabelecem condições que atendam prontamente aos clientes em casos de urgência e emergência e confirmou que a primeira unidade para a qual a paciente se dirigiu não realiza atendimentos para o plano de saúde contratado por ela, mas fez o primeiro curativo.
Já na segunda unidade, de acordo com a Unimed, deveria ter sido informado que a internação clínica era decorrente de um acidente pessoal, condição que garante que o período de carência seja desconsiderado.
Apesar da Michaella ter dito que só conseguiu fazer a primeira cirurgia às 23h e sob força de uma decisão da Justiça, a Unimed Vitória disse que, no Hospital Unimed, a paciente foi prontamente atendida e realizou todos os procedimentos necessários.
A Unimed Vitória lamenta o ocorrido e afirma que, embora já mantenha uma ampla comunicação, vai intensificar o processo de adequação dos procedimentos estabelecidos contratualmente com a sua rede prestadora, a fim de garantir o melhor atendimento a seus beneficiários.
Por fim, a cooperativa destaca que preza por garantir sempre o melhor cuidado e atenção a todos.