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Noroeste do ES

Até 20 dias sem ir à aula: estradas ruins isolam mais de 100 alunos em Pancas

Mães contam que os moradores conseguiram uma máquina para tentar amenizar o problema e permitir circulação de ônibus escolar; Sedu acompanha situação e fala em recomposição das aulas, mas prefeitura não se manifestou
Thaiz Lepaus

Publicado em 

15 abr 2026 às 10:43

Publicado em 15 de Abril de 2026 às 10:43

A filha de Diana Vicente tem 6 anos e está em fase de alfabetização. Segundo a mãe, a menina deixou de ir à escola por mais de vinte dias desde o início do período letivo devido aos problemas nas estradas de Córrego Rio Pancas e Córrego Alcino, no município de Pancas, no Noroeste do Espírito Santo. Por conta das más condições da estrada, o transporte escolar não consegue chegar ao local.
“E tem criança que só foi para a escola um dia desde que começaram as aulas”, acrescenta.
Estudantes de pelo menos duas escolas são afetados pelas más condições das vias na região. Pela estimativa da Secretaria de Estado da Educação, cerca de 100 alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Sebastiana Grilo foram afetados nos últimos 20 dias. A outra unidade é a  EMEF Robertson Schuaith, de responsabilidade do município.
Estrada no interior de Pancas em más condições, impedindo crianças de irem à escola
Estradas no interior de Pancas em más condições impedem crianças de ir à escola Crédito: Fotos do Leitor
Diana e outras mães da região foram ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no último dia 8 para tentar resolver o problema, já que elas e os demais moradores cobram uma atitude do Poder Executivo municipal há anos, mas não obtêm respostas nem soluções.
O boletim emitido pelo MP, ao qual A Gazeta teve acesso, registra a situação relatada pelas mães e expõe as dificuldades enfrentadas para que seus filhos tenham acesso à educação. Veja abaixo, na íntegra:

MPES - Promotoria de Justiça de Pancas

"Seus filhos estudam em escolas no distrito de Laginha e percorrem com o transporte, aproximadamente 16 km por dia até as escolas. Em razão das condições precárias das estradas, o transporte escolar não está conseguindo chegar até as residências das informantes, nem em outras residências de demais moradores mais afastados da região; que mesmo fora do período chuvoso, o transporte não consegue realizar a coleta das crianças, haja vista que há vários buracos na estrada, que já está sem manutenção há cerca de 1 ano.”

8 de abril de 2026

A mãe reforça que, apesar de o problema com as estradas existir há 10 anos, neste ano a inviabilidade do deslocamento das crianças se tornou mais grave devido à falta de manutenção pela prefeitura, que, conforme o boletim do MP, não é realizada há quase um ano.
Por conta disso, até mesmo quando não chove, o ônibus escolar não consegue passar pelo local.
“Até em dias secos, a estrada ficava inviável para o transporte, porque tem buracos muito fundos e, como não há escoamento, a água parada causa valetas. Assim, o ônibus não passa, já que pode até perder o para-choque”, explica.

Moradores agem sozinhos

Outra mãe afetada é Maria da Penha Bondes, que tem uma filha de 10 anos. A menina, assim como as demais crianças, chegou a ficar mais de 15 dias sem ir à escola. Ela conta que algumas conseguiram voltar às aulas na última semana, depois de os moradores precisarem agir por conta própria.
“Minha filha conseguiu ir à aula no início da semana, porque os moradores consertaram o bueiro. Um trator foi viabilizado por alguns de nós”, relata.
Apesar de terem voltado a estudar por alguns dias, Maria da Penha explica que, com a última chuva da última quinta-feira (9), sua filha e outras crianças precisaram ficar em casa novamente.
Por isso, ela reforça que a máquina que os moradores conseguiram resolveu o problema de forma parcial, porque no local existem vários pontos críticos que precisam de manutenção completa.
“São muitas valetas, falta aterramento, cascalhamento, em resumo: a estrada está completamente abandonada", conta Maria.
Diante desse cenário, é difícil contabilizar com exatidão quanto tempo todas as crianças da região ficaram sem aula, visto que, segundo relato dos moradores, qualquer chuva já impossibilita o trânsito.
Além disso, alguns alunos moram em lugares de mais difícil acesso, o que faz com que alguns consigam ir em determinados dias, e outros não.
Diana Vicente, mãe da menina de 6 anos, reforça que são vários problemas, mas elenca alguns que são prioridade. “Tem muita coisa para fazer, mas se tampar os buracos mais fundos e consertar o bueiro, facilita o trânsito dos nossos filhos até a escola”, expõe.

O que dizem Sedu e prefeitura

A Secretaria da Educação (Sedu) informa que acompanha de forma atenta a situação do transporte escolar nas áreas rurais do município de Pancas, especialmente nos períodos de chuva, quando as condições das estradas impactam o deslocamento dos estudantes. 
A Sedu ressalta que o transporte escolar é realizado em regime de colaboração com o município e reforça que mantém diálogo permanente com a gestão municipal, com o objetivo de viabilizar soluções conjuntas que garantam a regularidade do serviço e o acesso dos estudantes à escola. Paralelamente, as unidades de ensino vêm adotando estratégias pedagógicas para assegurar a recomposição das aprendizagens e a continuidade do processo educacional.
Já a Prefeitura de Pancas foi procurada pela reportagem desde o último sábado (11) para responder sobre a falta de manutenção das estradas e se há previsão de obras na região, além da situação dos estudantes da escola municipal, mas não enviou resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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