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Danielle Tsuchida e Jéssica Moura

Artigo de Opinião

São, respectivamente, coordenadora de projetos e analista de projetos do Instituto Sou da Paz
Danielle Tsuchida e Jéssica Moura

Os caminhos e desafios para superar a violência escolar

A segurança escolar não é demanda exclusiva da polícia, ela exige o envolvimento das políticas públicas integradas e da comunidade escolar, que inclui seus profissionais, famílias e as próprias crianças e adolescentes
Danielle Tsuchida e Jéssica Moura
São, respectivamente, coordenadora de projetos e analista de projetos do Instituto Sou da Paz

Públicado em 

10 abr 2026 às 16:55
A violência no ambiente escolar tem uma grande capacidade de promover o choque e o horror. Ao vermos crianças e adolescentes buscando soluções para seus dilemas de forma tão grave, há uma sensação de termos falhado como sociedade. Recentemente, a cidade de Vitória protagonizou um desses episódios: um adolescente de 13 anos esfaqueou um outro estudante da mesma idade.
Embora estudassem no mesmo colégio, eles não se conheciam. O adolescente que praticou a agressão, recém-chegado ao estado, relatou estar emocionalmente abalado. Essas informações são relevantes, pois estar atento à saúde mental dos alunos pode contribuir para uma prevenção mais eficaz desse tipo de caso que, por vezes, costuma ser o desaguar de um acúmulo de sofrimentos diários e silenciados.
O Brasil viveu um agravamento de ataques extremistas a escolas a partir de 2013, o que chocou o país com casos trágicos de ataques armados, porém o maior desafio reside nas violências cotidianas. O bullying, o cyberbullying e os conflitos interpessoais são os fatores que mais afetam o clima escolar no dia a dia.
Escola, sala de aula, educação
Sala de aula Crédito: Getty Images
Os constantes conflitos podem escalonar para casos como o que ocorreu na capital do Espírito Santo ou em episódios mais extremos, porém é possível intervir nesse cenário. Ao analisar caminhos para enfrentar esse problema, o Instituto Sou da Paz, publicou o Panorama de Iniciativas de Prevenção à Violência Escolar. O material mapeou 67 iniciativas, vigentes em 2023 em todo o país, indicando boas práticas e lacunas para superar esse desafio de forma integrada e que envolva diferentes políticas públicas.
Os exemplos colhidos pelo mapeamento mostram que há soluções em curso, que somam parcerias e recursos para as escolas lidarem com demandas que vão além do ensino programático. No Ceará, o Ministério Público desenvolve o “Previne - Violência nas escolas, não!”, programa que fomenta comissões de proteção escolar, com intervenção em casos suspeitos ou de violência constatada em escolas estaduais, municipais e particulares.
No Amazonas, o Nise (Núcleo de Inteligência em Segurança Escolar) articula inteligência policial com a atenção psicossocial, atuando preventivamente sem presença policial ostensiva. Na Paraíba, o Núcleo de Mediação de Conflito Escolar envolve profissionais da educação, Conselho Tutelar, sociedade civil organizada, Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e Ministério Público para desenvolvimento de iniciativas de redução da violência e promoção de uma cultura de paz, tendo a atuação dos próprios estudantes como mediadores de conflitos.
No Espírito Santo, destacam-se três projetos com metodologias e tipos de atuação distintos, que buscam prevenir à violência escolar. O programa Educar Para a Paz, por exemplo, criado em 2024, pautado na convivência democrática e intersetorialidade, busca assegurar espaços de diálogo sobre valores e direitos humanos nas escolas. E se divide em quatro eixos estratégicos: educar com valores e direitos; gestão de conflitos; vivências e convivências; e ecoformação.
O ataque em Vitória desnuda alguns desafios da prevenção à violência escolar: mesmo com ações robustas, escolas e famílias precisam trabalhar em conjunto para identificar manifestações de sofrimento psicológico dos estudantes e, assim, encaminhar o aluno para a rede de proteção. Porém, nem sempre equipes de educação e familiares sobrecarregados conseguem perceber todas as nuances de comportamentos de crianças e adolescentes antes que o conflito transborde.
Portanto, é necessário compreender que a segurança escolar não é demanda exclusiva da polícia, ela exige o envolvimento das políticas públicas integradas e da comunidade escolar, que inclui seus profissionais, famílias e as próprias crianças e adolescentes. A resposta está na discussão ativa sobre as violências existentes, na formação para sua prevenção ou para sua detecção precoce e na inteligência da intervenção.
Precisamos entender que todo dia é uma oportunidade de fazer da escola espaço protetivo, com uma segurança construída com afeto, mediação e acima de tudo, com a convicção de que a escola deve ser um espaço de aprendizado, mas também um espaço de vida, diálogo e padrões saudáveis de relações construídas para perdurarem além de seus muros. Dessa forma, as escolas podem ser agentes de transformação ativa da sociedade, construindo também memórias mais positivas do ambiente escolar na mente dos futuros adultos.
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