Sem acompanhamento especializado nas escolas, crianças com necessidades especiais estão sendo impedidas de frequentar as aulas em São Gabriel da Palha, na região Noroeste do Espírito Santo. O problema, segundo alguns pais, já acontece desde o ano passado.
A Gabriela Denadai, mãe da Julia de oito anos com paralisia cerebral, contou que a filha tem ido à escola apenas uma ou duas vezes por semana por causa da falta de cuidador.
Ela está sendo impedida de ir para a escola três vezes por semana. Está indo só uma, duas vezes por falta de cuidador, a escola pede para a gente deixar em casa. Isso está se repetindo desde o início do ano. No ano passado também foi assim, mas esse ano está ainda pior
A situação não é isolada e outras famílias relatam dificuldades semelhantes. Diagnosticada com autismo não verbal, Thaeme, de seis anos, depende de um monitor para participar das atividades, mas, segundo a família, desde o dia 11 de março não está sendo oferecido. A mãe afirma que buscou auxílio no Conselho Tutelar e na Secretaria de Educação, mas não teve retorno.
Fui ao Conselho Tutelar, fiz a denúncia formal e não me deram retorno. Anteriormente, procurei a secretária de Educação três vezes, porque, antes de ficar em casa de vez, estavam fazendo rodízio e eu não aceito isso. Ela tem que estar na escola 5 dias da semana, das 07 às 11:30
Em entrevista do repórter Enzo Teixeira, da TV Gazeta, a Secretária Municipal de Educação informou que recentemente foi realizado um processo seletivo para a contratação de novos cuidadores e que a expectativa é que esses profissionais comecem a atuar já na próxima semana. Afirmou ainda que, desde 2021, o município triplicou o número de cuidadores por meio de concursos e seleções, mas enfrenta dificuldades devido à desistência de profissionais para a vaga.
A Prefeitura não informou quantas crianças estão atualmente sem o acompanhamento necessário nem o número de cuidadores que serão contratados. O Ministério Público acompanha o caso e reforça que o acesso à educação inclusiva é um direito garantido por lei.
Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, famílias seguem aguardando para que as crianças possam retornar à rotina escolar o quanto antes e com o suporte adequado.