Publicado em 23 de maio de 2022 às 15:33
A disparada no preço dos insumos, que são os produtos necessários para a produção da agricultura, faz com que produtores rurais no Espírito Santo encarem uma nova realidade ao calcularem os rendimentos para as colheitas.>
O produtor rural Luiz Antônio Galavotti aponta a diferença de um ano para o outro pelo poder de compra dos sacos de adubo guardados em um galpão, necessários para o plantio de café. Ele explica que, para adquirir todo o material necessário para a colheita deste ano, terá que dobrar a quantidade de dinheiro utilizada em 2021.>
"Sempre comento em reuniões de produtores que temos que ter um balizador na agricultura, que é o que você vende, o que você compra, para saber como está a remuneração daquilo que você está produzindo. Ano passado vendia uma saca de café e comprava um balde de glifosato. Este ano preciso vender duas sacas e meia para comprar esse mesmo balde. Vendia um saco de café e comprava seis sacos de adubo. Esse ano vendo um saco de café e só compro três sacos de adubo", disse o agricultor.>
A diferença nos preços chega também ao consumidor. Pela necessidade do agricultor repassar as altas dos custos durante os plantios, o valor desembolsado para adquirir os itens nas prateleiras tende a subir. A incerteza sobre novos aumentos também faz com que comerciantes precisem alterar preços de forma constante. >
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Os fertilizantes de uma loja agrícola em Linhares, no Norte do estado, agora são cotados de forma diária, tendo grande volatilidade, como explica o proprietário do estabelecimento, José Roberto Fontes.>
"O maior aumento tivemos logo após o anúncio da guerra [entre Rússia e Ucrânia]. E de lá pra cá tem aumentado a cada momento, porque acaba que uma guerra dessa proporção, por envolver muito a questão comercial mundial, com diversas sanções, atrapalham a questão logística e financeira", disse o empresário.>
A guerra não é o único fator apontado como crucial para o aumento dos preços. A pandemia de Covid-19 e a alta do dólar também continuam contribuindo para um desequilíbrio nos valores de produtos como fertilizantes e herbicidas, fundamentais para o bom funcionamento das lavouras.>
"Tendo um cenário em que os problemas nos portos são reais, e o impacto que a Rússia tem no fornecimento mundial de fertilizantes, só para se ter ideia, para fertilizantes como potássio como fonte principal de nutrientes, 28% das exportações mundiais vêm da Rússia. Então qualquer oscilação sobre a oferta desse produto causa um impacto no mercado", disse o assessor técnico Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Thiago Rodrigues.>
O Brasil é o país que mais importa fertilizantes no mundo. Ao todo 85% do material utilizado nas lavouras no país são comprados. Caso a alta continue, a tendência é que alguns produtos comecem a faltar e, com isso, o preço aumentar.>
"A gente imagina que para a próxima safra, e principalmente para os maiores plantios, que costumam acontecer justamente nessa época de outubro, aí sim a demanda vai ser bem maior e pode ser que não tenhamos fertilizantes para manter a demanda", salientou José Roberto Fontes.>
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