Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Erick Musso: ele tem a força hoje na Assembleia
Comando do Legislativo

Erick Musso: ele tem a força hoje na Assembleia

Com a PEC que pode antecipar a eleição da Mesa Diretora (em benefício próprio), presidente do Legislativo prova sua influência sobre colegas, sua autonomia em relação ao governo, sua grande ambição política e seu projeto de perpetuação no cargo

Publicado em 08 de Novembro de 2019 às 05:00

Públicado em 

08 nov 2019 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Erick Musso é quem tem a força hoje na Assembleia Crédito: Amarildo
PEC preparada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, que abre brecha para a antecipação da eleição da Mesa Diretora de 2021 para 2020, reforça algumas conclusões: 1) O presidente da Casa, hoje, concentra sobre os demais deputados uma influência que há muito tempo não se via na Assembleia;
2) Erick exerce uma presidência centralizada nele mesmo: seu poder é proporcional à falta de poder dos dois secretários da Mesa, inteiramente excluídos de suas decisões políticas e administrativas, por resolução apresentada pelo próprio Erick e aprovada em plenário no início do ano. Quem comanda a Casa, hoje, é Erick Musso. Ponto.
3) Erick não faz parte, organicamente, nem do grupo político do governador Renato Casagrande (PSB), nem do de Carlos Manato (PSL) nem daquele do ex-governador Paulo Hartung (sem partido). O presidente da Assembleia faz parte de um grupo político próprio, alojado no partido Republicanos (antigo PRB) e também formado pelo deputado federal Amaro Neto (o puxador de votos) e pelo diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro (o estrategista de bastidores);
4) Como não faz parte da base de Casagrande, Erick não se sente obrigado a beijar a mão do governador. Não pede licença e permissão ao Palácio Anchieta antes de cada passo e movimento. Politicamente, tem cumprido o compromisso público de facilitar a “governabilidade” de Casagrande na Assembleia, sem criar entraves para a aprovação de projetos importantes do Executivo. Mas, em relação a decisões internas (políticas e administrativas), tem agido por conta própria, com chamativa autonomia;
5) Esse grupo do qual Erick faz parte possui ambições próprias de crescimento político no Estado, que passam diretamente pelas próximas eleições, em 2020 e em 2022: Amaro pode ser candidato a prefeito de Vitória no ano que vem e a governador em 2022. “Chegamos à maioridade. Tiramos a nossa habilitação. Agora, queremos dirigir o nosso próprio carro”, disse um membro desse grupo a mim há poucos dias.
6) Dentro do projeto de ascensão desse novo grupo político, Erick é uma peça-chave, desempenhando papel estratégico exatamente onde está: como chefe do Poder Legislativo no Espírito Santo. Por isso, é essencial para Erick e seu grupo que ele guarde a posição estratégica. Também por isso, ele não será candidato a nada na próxima eleição municipal. O objetivo é que ele permaneça na presidência da Assembleia, à qual chegou em fevereiro de 2017, pelo máximo de tempo possível;
7) É exatamente isso que proporciona a PEC de Erick (atenção: não da Mesa Diretora): com quatro anos assegurados na presidência (de 2017 a 2021), o deputado de Aracruz pode facilitar o próprio caminho, por meio da PEC, rumo à eleição para mais um biênio no cargo (de 2021 a 2023). O objetivo, resumindo, é perpetuar-se no cargo.

O QUE DIZ A PEC?

A Proposta de Emenda à Constituição Estadual (PEC) concebida por Erick se resume a uma mudança muito simples, mas bastante significativa, no parágrafo 5º do Artigo 58 da lei maior do Estado (o que dispõe sobre as reuniões da Assembleia Legislativa). Desde a promulgação da Constituição Estadual, em 1989, esse mesmo parágrafo já foi emendado nada menos que seis vezes.
A redação atual, em vigor desde 2016, é exatamente a seguinte:
“A Assembleia Legislativa reunir-se-á, em sessão preparatória, no dia 1º de fevereiro, para, no primeiro e terceiro anos da legislatura, eleger a Mesa, cujos membros terão o mandato de dois anos, sendo permitida ao Presidente a recondução para o mesmo cargo no biênio imediatamente subsequente.”
O que a PEC proposta por Erick faz é, basicamente, suprimir a data especificada: 1º de fevereiro. Assim, sem data alguma fixada, a Assembleia poderá, na prática, realizar a próxima eleição da Mesa Diretora a qualquer tempo, em vez de deixar para realizá-la, como manda a lei atualmente, em 1º de fevereiro de 2021.
Não quer dizer que Erick vá se utilizar desse expediente. Mas a questão é exatamente esta: a partir do momento que essa PEC for (e se for) aprovada, ele poderá lançar mão desse recurso, a fim de antecipar a própria reeleição. Isso passará a ser um trunfo guardado na manga dele, o qual ele poderá lançar na Mesa a qualquer momento.
Não por acaso, segundo diversos relatos, dessa vez o próprio Erick se encarregou pessoalmente de recolher as assinaturas dos colegas dentro do plenário, durante a sessão ordinária da manhã da última quarta-feira (6), a fim de poder protocolar a PEC. Em outra prova de sua influência, só cinco dos 30 não assinaram: Majeski (PSB), Freitas (PSB), Dary Pagung (PSB), Iriny (PT) e Gandini (Cidadania).
Mas por que essa PEC pode ser tão vantajosa para Erick? Por que antecipar a próxima eleição da Mesa pode facilitar a sua recondução para mais um biênio na presidência? Eis o xis da questão.

O EXÉRCITO DE ERICK

Não é de hoje que circulam nos corredores da Assembleia comentários de que Erick estaria assando em seu forno uma PEC como essa. No dia 17 de junho, chegamos a publicar essa informação.
O objetivo de Erick, como observamos naquela ocasião, é poder conduzir a eleição interna antes das eleições municipais marcadas para outubro de 2020, de tal modo que a próxima Mesa Diretora seja escolhida pelos atuais deputados, e não pelo plenário a ser redesenhado pelas urnas. Muitos dos atuais deputados são pré-candidatos a prefeito (nesse aspecto, Erick é uma exceção). Os que vencerem serão substituídos pelos suplentes em janeiro de 2021 e não poderão participar da escolha da Mesa no mês seguinte.
Para Erick, é mais seguro participar de uma eleição em que a Mesa será escolhida pelos seus atuais pares, entre os quais ele goza de prestígio e construiu uma ampla maioria – comprovada e consolidada em sua última eleição para a presidência, em 1º de fevereiro deste ano, na qual foi candidato único e teve quase a unanimidade dos votos. Hoje, pelo menos 20 dos 30 deputados gravita, internamente, na órbita de Erick. Sua base de apoio interno agrega de deputados novatos a veteranos; de aliados de Casagrande a oposicionistas do governo.
As eleições municipais de outubro não chegarão a zerar o jogo, mas têm o potencial de modificar bastante essa atual geografia do plenário, com a provável chegada de muitos suplentes. Erick não parece querer pagar para ver.
A proposta também, obviamente, encontra a simpatia de muitos deputados que serão candidatos a prefeito dos respectivos municípios. Se a eleição da Mesa for antecipada para antes das eleições de outubro (ou até antes da posse nas prefeituras, em janeiro de 2021), os vitoriosos também poderão exercer alguma influência sobre a composição da próxima Mesa. Na prática, isso deve significar manutenção de espaços no loteamento de cargos comissionados da administração da Casa – ainda que eles já estejam fora do Poder.

SILÊNCIO ELOQUENTE

Quando dei minha primeira nota sobre o princípio dessa articulação, em junho de 2019, Erick, por meio de sua assessoria, negou-a com veemência. Nesta quinta, sob condição de anonimato ou não, todos os deputados contatados aceitaram falar com a coluna sobre o assunto, exceto dois: o próprio Erick e o vice-presidente da Mesa, Marcelo Santos (PDT). Grande articulador de Erick desde sua chegada à presidência, desbancando Theodorico Ferraço (DEM), no início de 2017, Marcelo também poderia se beneficiar com eventual antecipação, permanecendo em cargo da Mesa.

PRECEDENTE NA ERA GRATZ

É importante registrar que há um precedente histórico, que não deixa boas recordações, de antecipação da eleição da Mesa Diretora. Foi a emenda proposta pelo então presidente da Casa, José Carlos Gratz, ao mesmo parágrafo 5º do artigo 58 da Constituição Estadual, e promulgada em 12 de julho do ano 2000, que antecipou para o dia 15 de dezembro daquele ano a eleição que deveria ocorrer em 1º de fevereiro de 2001.
Em outubro do ano 2000, houve eleições municipais. Em fevereiro de 2001, a configuração do plenário já seria outra, com o ingresso dos suplentes. Em dezembro do ano 2000, mesmo quem elegeu-se prefeito dois meses antes pôde votar em Gratz e ajudá-lo a reeleger-se presidente da Mesa Diretora.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Jardel Sipriano Caetano, nasceu em São Mateus
Capixaba morre atingido em ataque de drone na Guerra da Ucrânia
Imagem de destaque
Conselhos ganham espaço nas médias empresas e viram motor de crescimento com controle
Imagem de destaque
Benefícios das hortaliças: 8 opções para uma alimentação mais saudável

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados