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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

A semana do 7 a 1 contra Jair Bolsonaro

Santos Cruz, Levy... Um a um, os colaboradores mais lúcidos do governo estão sendo rifados. Nesse ritmo, sobrará só o núcleo terraplanista. No MEC, Vélez caiu, entrou um ainda mais olavista

Publicado em 16/06/2019 às 19h42
Jair Bolsonaro com a camisa da seleção brasileira de futebol. Crédito: Amarildo
Jair Bolsonaro com a camisa da seleção brasileira de futebol. Crédito: Amarildo

A semana que passou foi, para o presidente Bolsonaro (PSL), uma semana futebolística. Na noite de quarta-feira, fez-se acompanhar de Sergio Moro na tribuna de honra do Mané Garrincha, em Brasília, para, assim como o craque que dá nome ao estádio, aplicar um drible na crise que se abateu sobre o ministro da Justiça e da Segurança Pública. Pé-quente, Bolsonaro assistiu à vitória do Flamengo sobre o frágil CSA por 2 a 0. Como já fez tantas outras vezes com a camisa de tantos outros clubes, sempre para agradar às respectivas torcidas, vestiu o uniforme rubro-negro, no que foi secundado por Moro.

Dois dias depois, no Morumbi (SP), Bolsonaro assistiu à estreia da Seleção Brasileira na Copa América: vitória de 3 a 0 sobre a também frágil Bolívia. Provou mais uma vez o seu pé quente, no tocante às matérias circunscritas às quatro linhas.

Fora delas, o placar eletrônico da semana registrou 7 a 1, contra o presidente Bolsonaro, na arena política e jurídica. Se fizéssemos uma retrospectiva da semana que passou, naquela linha “A Semana do Presidente”, encontraríamos esse mesmo placar de fatos desfavoráveis ao governo Bolsonaro e ao próprio. Alguns deles vêm do Judiciário. Outros são reveladores das dificuldades que, desde o início, dão a tônica da articulação política do governo em todas as frentes.

Os gols contra Bolsonaro:

1. Moro é pego em conversas inapropriadas com Deltan Dallagnol;

2. Decreto do porte de armas é rejeitado pela CCJ do Senado;

3. STF decide que homofobia é crime análogo ao racismo (não é derrota direta do governo, mas vai completamente contra o posicionamento pessoal do presidente, que já comparou homossexualidade a “doença grave”, em 2011);

4. Por 6 votos a 5, STF suspende provisoriamente decreto de Bolsonaro que extingue conselhos sociais na estrutura da administração federal criados por meio de lei (esta, sim, uma primeira derrota direta sofrida por medida do governo Bolsonaro na Corte);

5. Parecer apresentado por relator da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara facilita imensamente aprovação do projeto no plenário, mas contraria ministro da Economia, Paulo Guedes, que faz desabafo público. “Articulação” do governo é severamente criticada por Rodrigo Maia (DEM): “usina de crises permanentes”.

6. Considerado inimputável por motivo de doença penal, Adélio Bispo de Oliveira passa da prisão preventiva para internação por prazo indeterminado, por decisão do juiz da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora, na ação penal aberta para apurar o atentado contra Bolsonaro em 6 de setembro, durante a campanha presidencial.

7. Cumprindo decisão judicial, Bolsonaro publica em seu perfil no Twitter pedido de desculpas à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ter dito, na tribuna da Câmara, no fim de 2014, que não a estupraria porque ela “não merecia”, por ser “muito feia”.

Positiva mesmo para a administração Bolsonaro só a decisão, do STF, de que o governo pode vender subsidiárias da Petrobras sem precisar submeter a decisão ao Congresso. Foi o gol de honra.

Há muito campo e tempo de jogo para mudar o rumo desta partida. Mas, para isso, seria recomendável que o presidente e sua equipe parassem de marcar gols contra. E que o técnico parasse de sacar do time exatamente aqueles poucos jogadores que poderiam fazer alguma diferença a favor da administração, como Levy na economia e Santos Cruz na articulação política – ambos possuidores de altíssimo grau de respeitabilidade. Santos Cruz caiu por “falta de alinhamento político-ideológico”. Em um governo que dizia não ter “viés ideológico”. Assim fica difícil virar o jogo.

Eleição antecipada?

Na Assembleia Legislativa, dois deputados confirmam um princípio de conversas ao pé do ouvido, no plenário, sobre a possibilidade de antecipação da próxima eleição da Mesa Diretora, marcada só para fevereiro de 2021. A ideia seria mudar o Regimento Interno a fim de realizá-la no ano que vem, antes das eleições municipais, de tal modo que a próxima Mesa seja escolhida pelos atuais deputados, e não pelo plenário redesenhado pelas urnas. Muitos dos atuais deputados são pré-candidatos a prefeito. Os que vencerem serão substituídos pelos suplentes em janeiro de 2021 e não poderão participar da escolha da Mesa.

A proposta – por enquanto, embrionária – encontra simpatia no “bloco dos independentes”, formado por dez parlamentares. Só ali há oito prefeitáveis. Outro entusiasta seria Marcelo Santos (PDT), que pode disputar de novo em Cariacica. O atual presidente, Erick Musso (PRB), é considerado candidato à reeleição pelos pares. Mas não quer nem ouvir falar dessa ideia.

Andréia Lopes

A jornalista Andréia Lopes, agora sócia em uma empresa especializada em gestão de crises, fará palestra para jovens empreendedores do Estado. Será hoje, às 19 horas, na Findes. Ela foi superintendente estadual de Comunicação durante todo o último governo Paulo Hartung, de 2015 a 2018.

Andréia Popes

Nos bastidores políticos, um gaiato tem chamado a ex-secretária de Andréia Popes. Referência à personagem Olivia Pope, protagonista do seriado “Scandal”, que é justamente a líder de um escritório especializado em gestão de crises políticas, inclusive na Casa Branca.

vitor vogas

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