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LGBTQ+

Daniela Mercury pede reunião com Fux sobre homofobia

Em carta, cantora critica pedido da AGU para que decisão do STF seja revista

Publicado em 16 de Outubro de 2020 às 18:40

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 out 2020 às 18:40
Daniela Mercury, cantora
Daniela Mercury, cantora Crédito: Diuvlgação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Daniela Mercury, 55, enviou nesta sexta-feira (16) uma carta ao ministro Luiz Fux, que além de presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) comanda o Observatório de Direitos Humanos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). No texto, ela pede uma reunião em caráter de urgência para tratar sobre o recurso da AGU (Advocacia Geral da União) pedindo esclarecimentos sobre o julgamento que, em junho do ano passado, enquadrou a homofobia e a transfobia nos crimes de racismo.
De acordo com a cantora, a peça da AGU, tecnicamente chamada de embargos de declaração, visa "legitimar condutas discriminatórias, pois dá a impressão de querer uma 'carta em branco', para que pessoas se limitem a alegar que não querem a presença de pessoas LGBTI+, com base em suas crenças religiosas". "Chega-se ao cúmulo de pedir um 'direito' de segregar pessoas em espaços públicos, como banheiros e vagões de transportes públicos", reclama.
Mercury disse que viu o fato "com extrema preocupação e decepção". Segundo ela, a AGU faz "uma tentativa de ressuscitar a horrível e superada doutrina do apartheid, de 'separados, mas iguais', que garantiria um direito de igualdade, mas mediante a segregação, o confinamento em espaços diferentes". "Não podemos aceitar isso em nosso país, notável pela diversidade social e cultural, que não admite discriminação das pessoas LGBTI+", afirma. "É o que o STF já decidiu."
"É triste ver que a Advocacia-Geral da União, um órgão de Estado e não de Governo, pede que o STF mude sua própria decisão na ADO26, no ponto em que exalta a liberdade de religião, para, ao invés, pretende criar um falso 'direito de discriminar', o que é incompatível com nossa Constituição", avalia. "O Supremo Tribunal Federal, já deu resposta a esta questão, afirmando que a liberdade de religião não é incompatível com a proibição penal de ser racista."
Por isso, ela pede que o CNJ "reforce a garantia da liberdade de expressão da população LGBTI+, para que ela não seja discriminada pelo simples fato de viver de forma livre e feliz, sem vergonha de vivenciar plenamente sua orientação sexual ou sua identidade de gênero". "Não podemos aceitar que exista um 'direito de discriminar', invocado por fundamentalistas radicais que se indispõem com a convivência harmônica em uma sociedade plural", diz.
"Notamos que pessoas autenticamente religiosas são favoráveis ao respeito aos direitos humanos da população LGBTI+ e que todas as grandes religiões do mundo (cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduismo, budismo, religiões de matriz africana) são fundadas na ética de que devemos amar o próximo como a nós mesmos e de que não devemos fazer aos outros o que não queremos que nos façam", lembra.
A cantora pede também que o CNJ convoque uma reunião extraordinária do Observatório de Direitos Humanos para debater a questão e para que o STF tome conhecimento da importância da decisão tomada em junho. "Ao final, que elabore recomendações e tome outras medidas que julgue cabíveis para instruir, capacitar e sensibilizar o Poder Judiciário acerca da flagrante inconstitucionalidade de pretensões como a consubstanciada pela Advocacia-Geral da União em seus embargos de declaração na ADO 26", completa. Ela finaliza dizendo que aguarda uma posição do CNJ.

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