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Cultura

Antes de encontrar Bolsonaro, Regina Duarte publica áudio sobre homem 'traído'

Atriz também prestou homenagem a artistas do teatro, entre eles o dramaturgo Plínio Marcos e o ator Flavio Migliaccio

Publicado em 06 de Maio de 2020 às 13:54

Redação de A Gazeta

Publicado em 

06 mai 2020 às 13:54
A atriz Regina Duarte
A atriz Regina Duarte Crédito: Reprodução/Instagram @regina_fc_2019
Por meio de sua conta no Instagram, a secretária da Cultura publicou um vídeo que foca uma flor balançando ao vento, mas o que sobressai dali é a parte em áudio. Simultaneamente à imagem, um homem diz que é agora que "ele" vai conhecer a atriz e sua equipe.
O vídeo foi publicado horas antes de um encontro que Regina tem com Jair Bolsonaro, marcado para esta quarta-feira (6). É um momento de fragilidade para a secretária, criticada pelo presidente por período de ausência em Brasília e também por nomeações consideradas fora do tom ideológico do governo.
"Ele não sabe quem somos, onde a gente quer chegar, que tipo de visão a gente tem", diz a voz. "Ele foi traído inúmeras vezes", prossegue. "Então tem que falar para o coração dele".
Nesta semana, a secretária prestou homenagens ao teatro brasileiro e a dois artistas das artes cênicas, Flavio Migliaccio, encontrado morto nesta segunda (4), e Plínio Marcos, dramaturgo morto em 1999.
A atriz já havia sido cobrada anteriormente nas redes sociais por não se manifestar a respeito da morte de artistas célebres, como Moraes Moreira e Rubem Fonseca.
Ela rompe com essas últimas homenagens o silêncio do governo Bolsonaro sobre a morte de diversos artistas de projeção internacional, como João Gilberto, pai da bossa nova, morto no ano passado.
A conversa marcada com Bolsonaro se dá após processo de fritura da secretária. O presidente interferiu em nomeações da pasta e, após repercussão, recuou de uma delas.
Nesta terça (5), o maestro Dante Henrique Mantovani foi devolvido à presidência da Funarte, a Fundação Nacional de Artes. No início da noite, o presidente tornou a nomeação sem efeito.
Mantovani havia sido exonerado por Regina em março, logo após sua posse. Antes, ele havia associado o rock ao satanismo e ao aborto.
Ao renomear Mantovani, apesar do recuo, Bolsonaro quer manter a força da ala ideológica no governo e, consequentemente, a militância bolsonarista aguerrida nas redes sociais.
Como mostrou a Folha na semana passada, Bolsonaro deu aval para aliados criticarem publicamente Regina, numa provável tentativa de forçar a atriz a deixar o cargo.

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