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Cultura

Bolsonaro devolve Funarte a maestro afastado na gestão de Regina Duarte

Ligado a área ideológica do governo, Dante Henrique Mantovani passou dois meses afastado do cargo

Publicado em 05 de Maio de 2020 às 10:16

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 mai 2020 às 10:16
O maestro Dante Mantovani
O maestro Dante Mantovani Crédito: Reprodução
O maestro Dante Henrique Mantovani é de novo presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes). A nomeação de Mantovani foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (5). Ele foi reconduzido ao cargo após dois meses afastado das funções.
Mantovani havia sido exonerado no mesmo dia em que Regina Duarte foi nomeada para comandar a Cultura do governo Jair Bolsonaro. Antes de assumir a pasta, a atriz já havia sinalizado que ele estaria fora de sua equipe.
O maestro havia sido nomeado na primeira vez no comando da Funarte pelo antecessor de Regina, Roberto Alvim. O ex-secretário de Cultura foi demitido após anunciar o lançamento de um prêmio cultural com um discurso semelhante ao feito por Joseph Goebbels, ministro de Propaganda da Alemanha nazista.
A nomeação de Monovani é mais um capítulo no processo de fritura política da atriz no governo. No final de abril, a Folha de S.Paulo revelou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu aval a aliados para que dessem início a um processo de desgaste de Regina Duarte, com o objetivo de fazer com que ela peça demissão do cargo de secretária especial da Cultura.
Bolsonaro, que queria usar a imagem da atriz como cartaz do seu governo, tem criticado o distanciamento de Regina, que está trabalhando de casa em São Paulo. O presidente chegou a afirmar que a secretária tem dificuldade na condução da pasta.
"Infelizmente a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima. Uma excelente pessoa, um bom quadro, é também uma secretaria que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite e ela tem dificuldade nesse sentido", disse o presidente no dia 28 de abril.
Regina também tem sido vítima de fogo amigo de membros da secretaria que permaneceram da gestão passada e que, na avaliação deles, não têm sido prestigiados por ela até o momento. Integrantes do governo e do setor cultural que apoiaram a escolha da atriz para o cargo disseram ainda, sob condição de anonimato, que a atuação de Regina vem sendo decepcionante.
Bolsonaro já disse a aliados que espera que parta da própria Regina uma decisão de deixar o governo. Ele também deu carta branca para que seus apoiadores critiquem a secretária.
Mantovani é ligado a área ideológica do governo Bolsonaro. Em vídeos antigos, o presidente da Funarte chegou a afirmar que o "rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto; e a indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo".
Ele disse ainda que soviéticos se infiltraram na CIA (departamento de inteligência dos EUA), para distribuir drogas no festival de Woodstock, em 1969.
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