O Ministério da Educação (MEC) lançou uma nova etapa dentro do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) com o objetivo de reduzir o número de vagas ociosas nas universidades públicas. Nomeada Sisu+, a iniciativa passa a funcionar a partir de 2026 como uma fase complementar ao processo seletivo tradicional.
A medida não cria um novo vestibular, mas amplia as possibilidades dentro do próprio sistema e surge como uma tentativa de tornar o preenchimento das vagas mais eficiente. Assim, candidatos que não conseguiram conquistar uma vaga no Sisu regular terão uma nova oportunidade de ingressar na universidade.
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Como vai funcionar?
O Sisu+ entra em ação apenas após o encerramento de todas as convocações da lista de espera do Sisu regular. Ou seja, é uma etapa final, voltada exclusivamente para preencher vagas que não foram ocupadas ao longo do processo principal.
As vagas ofertadas seguem critérios definidos por cada instituição, respeitando regras como a oferta mínima por curso e a garantia de ao menos uma vaga para ampla concorrência. O Sisu+ seguirá as mesmas regras do processo regular e utilizará as notas do Enem válidas para o sistema.
O candidato pode se inscrever em até dois cursos, independentemente das opções feitas anteriormente no Sisu regular. Também é possível atualizar dados socioeconômicos e alterar a modalidade de concorrência, como cotas ou ampla concorrência, mudanças que são válidas exclusivamente para essa etapa.
A adesão é feita pelas próprias instituições públicas de ensino superior, que precisam formalizar a participação por meio de um termo adicional. Só podem participar universidades que já integraram o Sisu regular naquele ano.
O cronograma inicial prevê que as instituições façam a adesão ao Sisu+ entre os dias 4 e 29 de maio de 2026. A etapa com participação dos candidatos ocorre posteriormente, após o encerramento completo do Sisu regular.
Quem pode participar?
A participação no Sisu+ é destinada a candidatos que já tenham feito o Enem e se inscrito no Sisu regular daquele ano.
A seleção continua sendo feita exclusivamente com base nas notas do exame, sem inclusão de novos critérios ou provas adicionais.
Mudanças no Enem 2025
Essa não foi a única novidade recente envolvendo o Enem. Uma das principais mudanças está na forma de utilização das notas. Pela primeira vez, o sistema passou a considerar até três edições do exame — neste caso, os anos de 2023, 2024 e 2025.
O próprio sistema seleciona automaticamente a melhor média do candidato, levando em conta os pesos definidos para cada curso.
Antes restrito à edição mais recente, o desempenho do estudante pode agora ser aproveitado por mais tempo, o que reduz a dependência de uma única prova.
Com a possibilidade de utilizar as três últimas edições do Enem, houve uma ampliação do número de candidatos aptos ao processo seletivo, o que contribuiu para um aumento generalizado das notas de corte.
Em análise comparativa entre a última parcial e os resultados finais do Sisu 2025, o professor e especialista em vestibulares Paulo Victor Scherrer aponta que o cenário foi influenciado, sobretudo, pelo crescimento no número de candidatos disputando as mesmas vagas.
O especialista reforça que a mudança faz parte de uma tentativa recorrente do governo de reduzir a ociosidade de vagas — um problema histórico do Sisu —, mas pode ter gerado efeitos contrários.
Segundo ele, a ampliação das possibilidades de inscrição e uso de notas tende a aumentar o número de candidatos no sistema sem necessariamente refletir maior interesse real nas vagas.
Quanto mais você facilita o acesso, mais você banaliza o acesso. Mais pessoas participam do processo seletivo sem ter real intenção de ingressar no curso
Paulo Victor Scherrer
Professor e especialista em vestibulares
Na análise de Scherrer, esse movimento contribuiu para o aumento das vagas ociosas, especialmente em instituições mais concorridas, ao estimular inscrições de candidatos que não pretendem efetivamente se matricular.
Além da novidade da utilização das notas, após a última aplicação, o Enem voltou, depois de nove anos, a ter validade para certificação de conclusão do ensino médio. Para isso, é necessário obter média mínima de 450 pontos em cada uma das quatro áreas de conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática) e alcançar ao menos 500 pontos na redação.