Publicado em 23 de março de 2026 às 13:14
A competência 2 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) avalia a capacidade do participante de compreender a proposta, aplicar conceitos de várias áreas do conhecimento e respeitar a estrutura clássica do texto dissertativo-argumentativo. >
Segundo o professor e coordenador de Redação do Curso Anglo, Sérgio Paganim, trata-se de um complexo item de avaliação porque, além de concentrar 3 aspectos diferentes da composição do texto, costuma ser o critério de correção mais temido pelos estudantes, pois analisa o emprego de seu repertório sociocultural , ou seja, o conjunto de referências, citações e exemplos esperado para enriquecer a argumentação. >
Essa competência avalia a relação do pensamento de um filósofo ou sociólogo, por exemplo, com o tema e a conexão entre ele e a reflexão desenvolvida na redação. Em outros termos, o repertório precisa ser coerente com o tema da banca e com a tese do autor do texto para ter sucesso na prova. >
Para Sérgio Paganim, o que transforma uma ideia, um dado, uma informação em repertório sociocultural eficiente na redação do Enem é a forma como esses elementos são empregados, pois devem dar sustentação para a abordagem do participante no texto . Ou seja, em sentido mais amplo, informações, conceitos, reflexões de pensadores ou dados numéricos podem se transformar em repertório sociocultural, desde que sejam bem articulados com o tema e a tese do texto. >
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Ter consciência e dimensão do arsenal pessoal de repertórios, destaca o educador, é uma iniciativa estratégica para ser desenvolvida durante o período de preparação para o exame e outras provas de seleção para a graduação. Essas referências socioculturais são especialmente abundantes, por exemplo, nas disciplinas de humanidades do Ensino Médio. >
“Nas aulas de História, Geografia, Sociologia, Filosofia ou Literatura, o estudante aprende os conteúdos exigidos para as avaliações e, ao mesmo tempo, entra em contato com ideias, conceitos, reflexões e pensadores que podem ser manipulados como repertórios socioculturais para a redação”, exemplifica. >
Sérgio Paganim ressalta que a seleção de repertórios consistentes pode ser decisiva para o sucesso de um parágrafo da redação no Enem. “Tanto na introdução quanto nos parágrafos de desenvolvimento, essas referências costumam funcionar como fundamentação da análise, dando suporte à visão de mundo que o autor construiu naquele trecho”, afirma. >
Para tornar mais claro o uso do repertório na redação , o professor apresenta o seguinte exemplo: “Se o texto está desenvolvendo a reflexão sobre o racismo estrutural como causa da não valorização da herança africana no Brasil (tema de 2024), o repertório sociocultural poderia ser, por exemplo, a dinâmica colonial brasileira de apartheid encarnada na separação entre Casa Grande e Senzala, como teorizou o sociólogo Gilberto Freyre. Esse é um exemplo de repertório legitimado, pertinente e produtivo para fortalecer a argumentação e configurar uma análise autoral”. >
Abaixo, o professor elenca cinco dicas essenciais para construir um repertório sociocultural sólido para a redação. Confira: >
Temas variados podem ser estudados para desencadear a procura por repertórios socioculturais compatíveis. >
Dessa forma, será possível compreender como aqueles que alcançaram a nota 1000 no Enem selecionaram e articularam repertórios para embasar sua opinião e argumentação. >
A construção de repertórios passa por atividades como acompanhar jornais, rádios, telejornais e portais que abordem as principais notícias da atualidade, identificar em filmes e séries potenciais temas e usos na redação, além de destacar conceitos e pensadores das disciplinas escolares. >
Anote tudo que possa ser utilizado como repertório, de maneira organizada, para consulta durante a prática da escrita e às vésperas do exame. >
A reflexão individual sobre as referências socioculturais acumuladas contribui para formar um estudante mais crítico e capaz de identificar rapidamente os repertórios mais eficientes para os temas mais desafiadores. >
Sérgio Paganim reforça que, desde a edição de 2024, a banca corretora de redações do Enem tem exigido repertórios com articulação mais genuína com o tema e vem punindo citações muito genéricas e com conexões superficiais ou insuficientes com a reflexão proposta no texto – os chamados “repertórios de bolso” ou “repertórios-coringa”. “É preciso evitar modelos prontos, citações muito genéricas decoradas, ideias muito amplas que vão gerar conexões muito simplistas na redação”, finaliza. >
Por Laura Ragazzi >
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