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Educação

Escolas da Região Serrana do ES são destaques do Enem na rede estadual

Instituições de Domingos Martins, Marechal Floriano e Brejetuba apostam em acompanhamento individual, simulados e foco na redação para alcançar bons resultados

Publicado em 02 de Julho de 2026 às 18:12

Julia Camim

Publicado em 

02 jul 2026 às 18:12

Três escolas estaduais de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) tiveram desempenhos de destaque no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2025), com resultados expressivos, principalmente na prova de redação, conforme levantamento feito por A Gazeta a partir dos resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no último dia 23.


Localizadas na Região Serrana do Espírito Santo, as instituições estão entre as cinco da rede estadual que ocupam posições no ranking com os 100 melhores resultados de todo o território capixaba, que considera também o ensino privado e federal.


Os alunos da EEEFM Ponto do Alto, em Domingos Martins, na Região Serrana, que ocupa a 21ª posição no ranking da rede pública, com média geral de 588,98, alcançaram, em média, 809,57 pontos na redação: a 23ª maior nota entre todas as escolas do Estado, superando, inclusive, instituições privadas tradicionais.


O resultado, para a ex-aluna Anna Julia Gomes dos Santos, de 18 anos, que tirou 920 na redação, é fruto de um preparo que se deu ao longo dos três anos de ensino médio. Hoje, devido à nota que alcançou no Enem, ela cursa Publicidade e Propaganda em uma faculdade particular com bolsa de 100% pelo Programa Universidade para Todos (Prouni).

Na minha escola, a redação sempre foi uma prioridade. Então, durante todo o ensino médio, nós fazíamos simulados trimestrais e atividades complementares com redação. Isso fez com que o aprendizado acontecesse aos poucos, sem aquela correria de ter que aprender tudo apenas no último ano

Anna Julia Gomes dos Santos, ex-aluna da EEEFM Ponto do Alto

A estudante também acredita que o apoio que recebeu de toda a equipe da instituição fez diferença para que ela e outros colegas se sentissem seguros e prontos para fazer a prova. 


“Os estudos eram muito bem planejados e individualizados, respeitando as necessidades e dificuldades de cada aluno. Em nenhum momento nós nos sentimos sozinhos na preparação para o Enem, porque sempre havia direcionamento, apoio e acompanhamento por parte da equipe escolar.”

Anna Julia Gomes dos Santos, ex-aluna da EEEFM Ponto do Alto.
Anna Julia Gomes dos Santos, ex-aluna da EEEFM Ponto do Alto. Reprodução/Arquivo pessoal

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Esse cuidado é visto como estratégico pela equipe da Ponto do Alto. Para além do conteúdo, a equipe busca incentivar os alunos e trabalhar em cima das falhas para corrigi-las, como explica a ex-professora de redação da escola que preparou os estudantes para o Enem 2025, Cleuzimária Rodrigues.


“Nós estudamos durante o ano diversos repertórios para que o estudante, na hora, consiga assimilar, consiga conectar o tema. Também focamos muito na questão dos conectores, locuções conectivas, em uma proposta de intervenção bacana. E eu valorizo o que o estudante escreve. Primeiro pontuo as potencialidades e, depois, com muito cuidado, eu falo sobre a questão do que pode ser melhorado para que a nota seja aumentada.”

Para a professora, além de conquistar boas notas, os alunos da escola também estão se formando com os domínios de escrita, leitura, interpretação e compreensão necessários para todas as áreas do conhecimento, o que é valioso, segundo ela, para o campo profissional e pessoal. 


Além do ensino específico para a prova de redação, a EEEFM Ponto do Alto desenvolveu um projeto de acompanhamento focado no Enem. Segundo o diretor da escola, Marcelo Ribett, o “Poquei no Enem, e agora?” envolve ações de preparo até o momento pós-exame, quando os alunos recebem os resultados e têm que tomar decisões importantes para o futuro.

Nós tínhamos a impressão de que os alunos tinham boas notas no Enem e, de repente, eles ficavam perdidos, sem uma orientação do que poderiam fazer. Então, a gente tem um grupo de trabalho que faz toda a preparação por meio de simulados, mas também momentos de relaxamento, pensando em uma questão de preparação emocional também durante o Enem. Depois, a equipe prepara o estudante para poder participar dos programas do governo

Marcelo Ribettdiretor da EEEFM Ponto do Alto.

Para o diretor, o projeto é o grande diferencial da escola. Por meio das orientações, os estudantes conseguem obter bons resultados e, com eles, se planejar e seguir seus planos de vida.

Escola em zona rural se destaca no Enem 2025

Com 10 alunos participantes no Enem 2025, na zona rural de Brejetuba, a EEEFM Marlene Brandão também se destacou no Estado. A escola “do campo” alcançou média geral de 593,51 pontos, a 19ª maior da rede pública de ensino capixaba. A nota média da redação foi 772.


Para a diretora da instituição, Paulynne Gonçalves, o resultado é motivo de orgulho, “porque muitos aqui acham que não têm condições. E aí, quando vem um resultado desse, eles sentem que podem conseguir, eles podem fazer uma faculdade”.


Um desses alunos que acreditou no próprio sonho foi o Gabriel Moysés Monteiro, de 19 anos. Com o bom desempenho que teve na prova no ano passado, ele conseguiu uma bolsa de 50% para cursar Publicidade e Propaganda em uma faculdade particular na Grande Vitória. 


“A escola sempre nos ofereceu apoio, incentivando os nossos objetivos e mostrando que éramos capazes de conquistar bons resultados. Esse ambiente de incentivo fez muita diferença na minha trajetória”, contou o estudante que se sentiu preparado e confiante para realizar a prova.

Gabriel Moysés Monteiro, ex-aluno da EEEFM Marlene Brandão.
Gabriel Moysés Monteiro, ex-aluno da EEEFM Marlene Brandão. Reprodução/Arquivo pessoal

Agora, na graduação, Gabriel também se sente feliz por ter cursado o ensino médio na Marlene Brandão e ver a escola alcançar resultado de destaque no Estado. 

Foi muito gratificante ver uma escola de um município pequeno conquistar um dos melhores desempenho do Estado no Enem. É um orgulho fazer parte dessa história e ver nossa escola se tornar uma referência para todo o Estado

Gabriel Moysés Monteiro, ex-aluno da EEEFM Marlene Brandão.

Apesar da conquista, a escola reconhece que ainda há espaço para melhorar. Para Sandra Zambão, coordenadora pedagógica da instituição, a principal dificuldade está relacionada à alta rotatividade de alunos, comum às escolas estaduais, principalmente em período de colheita cafeeira. 


Segundo ela, o café traz novos alunos, filhos de trabalhadores que chegam ao Estado, e também atrai os estudantes antigos, que abandonam os estudos para trabalhar no campo. Sendo assim, o aprendizado fica defasado.


“Então, o que fazemos é trabalhar essas fragilidades que o aluno traz, com as recomposições nas aprendizagens, nas fragilidades, e reforçar esse processo para que, quando ele chegue na terceira série do Ensino Médio, ele já tenha em mãos os conhecimentos necessários."

Autodesenvolvimento ao longo dos anos

Por fim, em 20º lugar no ranking das escolas da rede pública, aparece a EEEFM Victorio Bravim, em Marechal Floriano, com média geral de 592,18 pontos e 752,6 na redação. O resultado de destaque é fruto de uma escola que foca no Enem e no incentivo aos alunos e à disciplina, como explica a diretora Liane Maria Bravim Catelan.


“Os princípios que a gente tem são o respeito, a disciplina e a persistência. Porque se a escola trabalha com esses princípios, o aluno tem a oportunidade de se autodesenvolver. E com esses resultados, a gente percebe que nossos alunos têm mais chances quando eles saem daqui."


A diretora acredita ainda que é fundamental a comunidade escolar pensar tanto no futuro do estudante, que um dia vai se formar e contribuir para a sociedade, quanto no passado e em possíveis defasagens de aprendizado, a fim de recuperar o conhecimento.

Quando o aluno chega no Enem, é um somatório de tudo o que ele fez desde que entrou na escola. Todo o processo educacional influencia. Se ele chega na primeira série do ensino médio com muitas falhas, ele vai ter mais dificuldade; então ,vai chegar na terceira também com essas dificuldades

Liane Maria Bravim Catelan, diretora da EEEFM Victorio Bravim.

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