Publicado em 29 de julho de 2021 às 16:48
Após registrar lucro recorde no primeiro semestre de 2021, a Vale analisa acelerar a distribuição de dividendos extraordinários a seus acionistas para atender a nova estratégia de endividamento e evitar possível bitributação de lucros já acumulados após a reforma tributária em discussão no Congresso.>
Em balanço divulgado nesta quarta (28), a mineradora anunciou que distribuirá a seus acionistas ao menos US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) referentes ao resultado de R$ 70,6 bilhões acumulado nos primeiros seis meses do ano. >
O valor refere-se ao retorno mínimo previsto em sua política de remuneração aos acionistas, mas em teleconferência com analistas nesta quinta (28) a direção da companhia afirmou que a cifra deve ser elevada. >
O diretor financeiro da Vale, Luciano Siani, disse que a gestão já tinha a intenção de distribuir dividendos extraordinários para atender a um plano de aumentar a alavancagem, indicador que relaciona o tamanho da dívida à geração de caixa de uma empresa. >
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Assim, parte do caixa deve ser destinado a melhorar o retorno aos acionistas pela distribuição extraordinária de dividendos e por novo programa de recompra de ações, que aumenta o valor dos papéis disponíveis no mercado. >
Segundo Siani, a meta é elevar a dívida expandida da companhia para US$ 15 bilhões (R$ 77 bilhões, pela cotação atual), ante os US$ 11,5 bilhões (R$ 57 bilhões) registrados no fim do segundo trimestre. >
"A forma de chegar lá vai ser avaliada ao longo do tempo e nos permite ser mais agressivos no retorno para os acionistas" afirmou o executivo. "Deve ser feito por combinações de recompra de ações e dividendos extraordinários." >
Questionado sobre os efeitos da reforma tributária sobre os investimentos, Siani disse que a companhia pode também antecipar dividendos extraordinários sobre a reserva de lucros hoje no caixa da empresa para evitar bitributação. >
Ele argumenta que esses lucros já foram taxados pelo imposto de renda, que deve ser reduzido na reforma para compensar a taxação dos dividendos. "As reservas de lucros já estão no balanço e a gente vê legitimidade de distribuir durante o exercício para preservar a equidade." >
Vista pelo mercado como boa pagadora de dividendos, a Vale suspendeu temporariamente a remuneração aos acionistas após o desastre de Brumadinho (MG), que deixou 272 mortos após o rompimento de uma barragem de rejeitos em janeiro de 2019. >
A distribuição foi retomada em 2020 e, desde então, já foram pagos R$ 45,2 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio. Em 2019, a empresa distribuiu outros R$ 7,5 bilhões, mas referentes ao resultado de 2018. >
O retorno aos acionistas está na lista de prioridades da gestão da companhia, ao lado do aumento da segurança das operações e da reestruturação dos negócios. >
Com a escalada do preço do minério e a retomada de minas e barragens interditadas após o desastre, a perspectiva é que os lucros da empresa se mantenham alta, garantindo elevados ganhos aos acionistas da companhia. >
No encontro desta quinta, o presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo, disse que o programa de recompra de ações anunciado em abril já atingiu 45% da meta inicial, com o desembolso de US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões). >
"Estou seguro que cumpriremos nosso compromisso com a maximização do retorno aos nosso investidores", afirmou. >
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