Publicado em 29 de julho de 2021 às 16:35
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), sancionou nesta quarta-feira (29), projeto de lei que autoriza o Estado a aplicar mais de R$ 11 bilhões do acordo de reparação firmado com a Vale em estradas, hospitais e outras obras de infraestrutura. >
No total, o pacto firmado dois anos e meio após o rompimento da barragem em Brumadinho é de R$ 37,68 bilhões - 272 pessoas morreram na maior tragédia ambiental do Brasil. Um projeto de lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no último dia 14 autorizando a utilização dos recursos. O restante da verba será utilizado pela própria Vale em ações de reparação nos municípios atingidos.>
O valor de R$ 11 bilhões equivale a 110 vezes o montante previsto para investimentos pelo governo mineiro neste ano, que é de R$ 100 milhões, como lembrou o próprio Zema em solenidade nesta manhã, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.>
Logo após sancionar a lei, o governador assinou despachos autorizando algumas intervenções previstas no acordo. O edital para a tão esperada construção do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, prevista no projeto de lei sancionado, no entanto, ficou de fora.>
>
Na coletiva, o governador garantiu que o projeto está mantido. "Já tivemos diversas audiências públicas, o traçado final dele está sendo definido, e nós precisamos das licenças ambientais que qualquer obra venha a ter no projeto. Estamos otimistas que tudo isso seja resolvido neste ano ou ano que vem. É uma obra muito complexa", disse o governador mineiro. A construção custará R$ 10 bilhões, e o Estado vai entrar com R$ 5,5 bilhões>
A ampliação do metrô de Belo Horizonte, um projeto que a população mineira aguarda há 20 anos, também não foi contemplada Na coletiva, a secretária de Gestão e Planejamento de Minas, Luísa Barreto, disse que não há previsão para a abertura dos processos.>
"Ainda não temos uma expectativa em relação às obras do metrô até porque essas obras são de responsabilidade do governo federal. Vamos ficar em tratativas com eles para saber, então, a previsão de início.">
Um dos despachos assinados por Zema destina R$ 985,9 milhões para a conclusão e equipagem de hospitais regionais no Estado. Entre eles, o Hospital Regional de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, que teve as obras paralisadas em 2016.>
Zema determinou também a abertura de procedimentos licitatórios para execução de obras de reforma e revitalização no Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, com edital previsto para publicação em agosto. Além do Júlia Kubitschek, o projeto sancionado prevê a reestruturação de outras unidades da Rede FHEMIG, como Hospital Infantil João Paulo II e Hospital João XXIII. Essas intervenções totalizam R$ 111,5 milhões.>
"Essas obras terão início imediato, coisa de dias ou semanas", disse o governador. Ele também assinou a ordem de início "para a recuperação funcional, melhoramento e pavimentação de mais de 475 quilômetros em rodovias estaduais", totalizando R$ 700 milhões.>
"Nenhum centavo desses R$ 37 bilhões está vindo para o cofre do Estado. Todo esse valor já tem destino previsto", disse Zema.>
Principal alteração feita pela Assembleia Legislativa no projeto de lei do Executivo, que motivou divergências com o Estado, cerca de R$ 1,5 bilhão dos R$ 11 bilhões serão destinados aos municípios. Nesta quarta-feira, o governador assinou o repasse da primeira parcela, de R$599,3 mil. "É um dinheiro que vai carimbado. Não poderá ser usado para pagar o funcionalismo ou fazer publicidade.">
A barragem da Vale na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu no dia 25 de janeiro de 2019, matando 279 pessoas. Dez continuam desaparecidas, dois anos e meio após a tragédia. Na solenidade do governo mineiro, houve uma homenagem às vítimas Bombeiros leram os nomes de todas os mortos, e foi feito um minuto de silêncio.>
"Nós adoecemos cada dia mais, adoecemos pela dor da ausência, pela saudade, pela revolta, pela indignação, pela injustiça. Existem propagandas de que Minas avançará, mas escondem que o dinheiro é do sangue das nossas joias, das 272 vidas que a Vale ceifou", disse Josiane Melo, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum).>
Em nota, a Vale disse reafirmar o seu compromisso com a reparação integral dos danos causados pelo rompimento de Brumadinho. O Acordo de Reparação Integral é um passo importante para alcançarmos esse objetivo.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta