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Haja granja em Santa Maria!

Na onda de Gracyanne Barbosa: brasileiro consome cada vez mais ovos

Brasileiro ainda consome menos de um ovo por dia, mas média anual aumentou 11% de 2023 para o ano passado

Publicado em 22 de Janeiro de 2025 às 10:06

Agência FolhaPress

Publicado em 

22 jan 2025 às 10:06
Gracyanne Barbosa no BBB
Gracyanne Barbosa no BBB Crédito: Reprodução TV Globo
A musa fitness Gracyanne Barbosa causou assombro quando disse consumir 40 ovos por dia, antes de entrar no reality Big Brother Brasil 2025. A modelo fisiculturista disse comer 10 ovos inteiros e só a clara de outros 30 para obter as proteínas que garantam a sua massa muscular, cerca de 170 gramas por dia.
O consumo médio brasileiro é bem inferior ao da modelo: foram 269 unidades per capita em 2024, o equivalente a 0,7 ovo ao dia, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Ainda assim o índice representa um avanço de 11% em relação a 2023.
Contaram para esse aumento a disparada de 20,8% no preço da carne vermelha no ano passado, levando o brasileiro a fazer substituições, além da campanha da indústria de ovos com médicos e nutricionistas, procurando desmistificar a ideia de que a ingestão de ovos causa complicações, como o aumento do colesterol. De quebra, a onda fitness colocou o ovo como aliado dos treinos, fornecendo proteína de qualidade a um preço justo.
"Eu não consigo precisar o quanto, mas desde que a Gracyanne Barbosa estreou no Big Brother, as vendas têm aumentado", diz André de Carvalho, diretor de marketing de uma das maiores produtoras de ovos no Brasil. "Converso com varejistas e concorrentes, todos têm essa impressão."
A empresa em que Carvalho trabalha fornece para grandes redes de varejo e conta com um serviço de assinatura de ovos - são cerca de 12 mil clientes que recebem os ovos direto da granja.
"Nas lojas e na assinatura, temos o kit fitness, de 40 ovos, com mais de 68 gramas cada um", diz Carvalho. "Também vendemos caixas que têm entre 90 e 360 ovos cada uma. É normal alunos ou professores de academias que consumam entre duas e três caixas por mês."
No ano passado, a empresa investiu R$ 30 milhões em uma campanha de marketing e vem fazendo um trabalho de divulgação junto a médicos e nutricionistas a respeito das propriedades nutritivas do produto. "O ovo deixou de ser o vilão", diz Carvalho.
A nutricionista Lara Natacci concorda. "Os ovos são ricos em nutrientes, têm proteína de alta qualidade, vitaminas A, E, B12, além de ácido fólico e colina - que é importante para a atividade cerebral", diz Lara, pós-doutorada em nutrição pela USP (Universidade de São Paulo) e Sban (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição).
Estudos recentes apontam que o consumo moderado do produto - cerca de um ovo por dia - não afeta o nível de colesterol, diz ela. "Quem treina muito tem mais necessidade de proteína. Três ovos por dia, dependendo do seu nível de atividade física, é ok", diz ela, lembrando que é preciso uma avaliação individual para determinar a quantidade correta para cada um.
Mas Lara chama a atenção para os riscos de um cardápio monotemático, sempre prejudicial para o organismo, e do excesso de proteína, que pode levar a problemas renais, por exemplo. "Alguns estudos também indicam que pode afetar a saúde óssea e gerar problemas metabólicos, com mudanças hormonais."
Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, os produtores de ovos vêm se dedicando à divulgação dos benefícios do produto. "Há 15 anos, o consumo anual per capita estava em 120 ovos", diz ele, que também preside o conselho do Instituto Ovos Brasil.
Com o mercado interno aquecido, o Brasil exportou apenas 1% da sua produção no ano passado. Mas agora, com o dólar em alta, a exportação está favorecida. Um dos riscos para a produção, no entanto, é o preço do milho, commodity que é o principal ingrediente da ração usada nas granjas. "Cerca de 70% dos custos da produção de ovos estão concentrados na ração", diz Santin.
Este ano, cada brasileiro deve consumir 272 ovos, um crescimento de apenas 1% em relação a 2024, segundo a ABPA. Não é por falta de demanda interna, mas porque a produção leva um tempo para ser ampliada. "Uma granja compra a pintainha, que é a galinha filhote, e precisa esperar que ela cresça para só então botar ovos. Isso leva mais de quatro meses. Cada galinha bota apenas um ovo a cada 26 horas", diz André de Carvalho. Além disso, o projeto completo para a construção de uma nova unidade pode levar entre seis meses e um ano.
Daí a possibilidade de aumento de preços, diz o executivo da Mantiqueira, uma vez que o consumo vem crescendo e há uma pressão externa para aumentar as exportações, já que os Estados Unidos, grande exportador, vem enfrentando uma gripe aviária.

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