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Marco Bravo

Água, esgoto e saúde pública: desafio urgente que o ES precisa enfrentar

Um ponto pouco comentado, mas extremamente sério, é o que mais provoca entupimentos nas redes coletoras

Publicado em 27 de Abril de 2026 às 04:30

Públicado em 

27 abr 2026 às 04:30
Marco Bravo

Colunista

Marco Bravo

Quando se fala em meio ambiente, muita gente pensa logo em florestas, rios, praias e mudanças climáticas. Tudo isso é importante. Mas existe um tema que afeta diretamente a vida das pessoas todos os dias e ainda recebe menos atenção do que deveria: saneamento básico, especialmente a coleta e o tratamento de esgoto.


Não existe cidade saudável sem água de qualidade, rede de esgoto eficiente, drenagem urbana adequada e gestão correta dos resíduos sólidos. Esses temas estão totalmente conectados. Quando um falha, toda a população sente os impactos.


No Espírito Santo, essa discussão é urgente tanto na Grande Vitória quanto no interior. No litoral, o esgoto influencia diretamente a balneabilidade das praias, o turismo e a economia. No interior, o desafio envolve redes antigas, crescimento urbano sem infraestrutura proporcional e necessidade de ampliar sistemas de tratamento. Em cidades como na região do Caparaó o debate precisa unir saúde pública, qualidade ambiental e planejamento urbano.


Um ponto pouco comentado, mas extremamente sério, é o que mais provoca entupimentos nas redes coletoras: o descarte inadequado de óleo e gordura pelos usuários. Muitas pessoas ainda jogam óleo de cozinha na pia, nos ralos e até no vaso sanitário. Esse material esfria, endurece e se acumula dentro das tubulações, formando bloqueios que reduzem a vazão e causam retorno de esgoto, mau cheiro, extravasamentos e aumento dos custos de manutenção.


Além do óleo, também contribuem para obstruções lenços umedecidos, absorventes, fraldas, cabelos, restos de alimentos, plásticos e outros resíduos que jamais deveriam ir para a rede. O vaso sanitário não é lixeira. A pia não é ponto de descarte. E o ralo não é destino final de resíduos domésticos.



Esgoto
Em 2.386 cidades brasileiras, metade ou mais da população não tem esgotamento adequado Carlos Alberto Silva

Quando a rede falha ou o esgoto não recebe tratamento adequado, surgem riscos sanitários importantes. Entram em cena as chamadas doenças de veiculação hídrica, transmitidas por água contaminada ou contato com ambientes insalubres. Entre elas estão diarreias infecciosas, gastroenterites, hepatite A, leptospirose, verminoses, giardíase, amebíase e outras enfermidades que afetam principalmente crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis.


Essas doenças pressionam postos de saúde e hospitais, aumentam faltas escolares e reduzem a produtividade no trabalho. Ou seja: investir em saneamento não é gasto, é economia pública e proteção social.


Outro ponto essencial é a educação ambiental. Nenhum sistema funciona plenamente sem a participação consciente da população. Informar moradores sobre o uso correto da rede, descarte adequado de óleo, economia de água, separação de resíduos e preservação dos rios é tão importante quanto construir obras. Educação ambiental nas escolas, campanhas comunitárias, visitas técnicas e ações permanentes criam uma cultura de responsabilidade coletiva.

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Também entra nessa pauta a drenagem urbana e a arborização. Redes sobrecarregadas, impermeabilização do solo e falta de áreas verdes aumentam enchentes, calor excessivo e desconforto urbano. Árvores ajudam no conforto térmico, melhoram a infiltração da água e elevam a qualidade de vida. Meio ambiente e saneamento caminham juntos.


O que precisa avançar no Espírito Santo? Mais investimento em redes modernas, ampliação da coleta e tratamento, combate a ligações clandestinas, educação ambiental permanente, transparência de indicadores e participação da população. Cada cidadão também tem papel fundamental dentro de casa.


Nunca foi apenas sobre canos enterrados ou estações de tratamento. É sobre dignidade, saúde, desenvolvimento e respeito ao futuro.


Cidade inteligente não é a que cresce mais rápido. É a que cresce com água limpa, esgoto tratado e consciência coletiva.

Indicação de livros

  1. Saneamento Básico: Aspectos Técnicos e Jurídicos – Para compreender gestão, legislação e operação dos serviços de água e esgoto. 

  2. Primavera Silenciosa – Rachel Carson
    Clássico sobre impactos ambientais e a importância da prevenção. 

  3. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos – Marcos von Sperling
    Referência para entender poluição hídrica, tratamento e saúde pública.


Marco Bravo

Biologo, mestre em Gestao Ambiental, comentarista de Meio Ambiente e Sustentabilidade da radio CBN Vitoria

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