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Verônica Bezerra

Eis o tempo de acabar com a neoescravidão

Experiências internacionais indicam que jornadas menores e mais dignas resultam em maior produtividade por hora trabalhada

Publicado em 27 de Abril de 2026 às 04:00

Públicado em 

27 abr 2026 às 04:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Quanto observam-se as condições desumanas das jornadas da escala de trabalho 6x1, impossível não as fazer sem analisar as raízes históricas, como reflexo da escravidão e inerente ao ciclo de exploração do trabalhador. Hoje, temos novos formatos de escravidão, onde o trabalhador, mesmo com “salário”, vive em condições indignas, sem pausas adequadas e com uma rotina exaustiva. 


O debate sobre o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho por um de folga) ganhou força no Brasil com a Projeto de Emenda Constitucional, proposto pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e o apoio do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), tendo por objetivo principal a abolição da jornada de 44 horas semanais com apenas uma folga, avançando para um modelo de 36 ou 40 horas semanais, geralmente no formato 5x2 (cinco dias de trabalho, dois de descanso).

 

As implicações na vida do trabalhador são importantes no que concerne ao aumento da qualidade de vida e da saúde. Com mais tempo de sem trabalhar, com a garantia de um segundo dia de folga, é possibilitado o descanso real, lazer, estudos e tempo com a família. Na dimensão da saúde mental e física, considerando que a escala 6x1 é associada à exaustão extrema e doenças como a Síndrome de Burnout, a redução da jornada visa diminuir o estresse crônico.

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O aumento da qualidade de vida vem quando a pessoa passa a ter maior tempo para resolver questões pessoais, organizar a casa e cuidar da saúde, reduzindo a sensação de "viver apenas para trabalhar", mantendo um equilíbrio, considerando que a folga semanal única, muitas vezes não no domingo, limita atividades sociais e familiares. Dois dias de folga facilitam a convivência. 


Se avaliarmos a melhora na vida do trabalhador, encontramos a redução do absenteísmo, pois com mais descanso, trabalhadores tendem a adoecer menos, diminuindo faltas por motivos de saúde. Experiências internacionais indicam que jornadas menores e mais dignas resultam em maior produtividade por hora trabalhada. E a redução da rotatividade também é observada, dado que trabalhadores mais satisfeitos e menos exaustos tendem a permanecer mais tempo na mesma empresa. 

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal Marcos Oliveira

No entanto, esse tema desperta um outro lado, que consiste na falácia propagada pelos empresários, trazendo críticas ameaçadoras. Entidades empresariais, como federações de comércio, têm alertado para possíveis efeitos negativos, que defensores da PEC classificam como "terrorismo econômico" ou exageros. Narrativas como "a empresa vai quebrar", "vai reduzir o salário" e "aumento do desemprego", são deflagradas com a intenção de desmobilizar as lutas sociais e aterrorizar os trabalhadores.


Para os movimentos sociais e especialistas, o "alarmismo" ignora a capacidade de adaptação econômica e a necessidade de atualizar as relações de trabalho à tecnologia atual, respeito à dignidade da pessoa humana e cuidado com a saúde. Além disso, a proposta busca o aumento de vagas, não a redução, gerando mais empregos com a divisão da carga horária.


O tema continua em tramitação e debate no Congresso, com a necessidade de um período de transição para as empresas. Afinal, a vida não é só trabalho, mas também, diversão e arte.

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Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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